O Mural mudou de endereço

Olá, obrigado por nos prestigiar, mas o Mural, o blog dos correspondentes comunitários da periferia de São Paulo, mudou de endereço e está sendo hospedado na Folha de São Paulo. Os posts agora podem ser lidos aqui neste endereço: http://mural.blogfolha.uol.com.br/

Confira!

Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário

República dos velhinhos

Conhecida como ponto de encontro de artistas de rua, nem todos lembram que alguns dos principais nomes por trás da tradicional feira de artes da Praça da República, no centro de São Paulo, são idosos. O Mural conversou com alguns dos velhinhos que fazem a feira acontecer. A reportagem é de Giselle Vergna, Anelize Gabriela Moreira, Wilheim Rodrigues e Maria Aparecida Alves da Silva.

Publicado em Anúncios | 6 Comentários

Música boa, diversão garantida e preço baixo

por Indira Nascimento

O Espaço Urucum é uma casa noturna aconchegante, com um terraço ótimo para trocar idéias e apreciar a lua mais de perto.

A casa que está localizada na Vila Madalena, Zona Oeste de São Paulo oferece regularmente shows de altíssima qualidade, a preços extremamente acessivéis.

Possibilitando assim voce ter uma noite super agradável, em um dos pontos mais badalados da cidade. Pagando dependendo da programação muito pouco, ou nada. (diversão garatinda)

No último dia 23,  o Espaço Ururcum recebeu a cantora Xênia com a banda Quinteto Boca de 09, com um show cheio de swing, samba, grooves e “brasilidades”.

A cantora Xênia veio de Camaçari (Bahia) para São Paulo, trabalhar como modelo. Onde conheceu o guitarrista Caio Echem, que a convidou para participar de alguns ensaios de sua banda.

E foi nesses ensaios despretenciosos, que ela despertou sua paixão pela música. E descobriu seu talento para cantar.

O repertório variado dos shows, inclui canções de artistas consagrados como Elis Regina,Wilsom Simoninha, Chico Pinheiro, entre outros.

A cantora que já passou por outras bandas, hoje se apresenta regularmente em São Paulo ao lado de sua banda Quinteto Boca de 09, composta por Caio Echem (guitarra), Lucas Brogiolo da Silva (percurssão), Marilia Sampaio (baixo), Zé Lêonidas (bateria).

E em entrevista exclusiva para o Mural , a cantora diz lançar suas três faixas autorais agora no mês de novembro, com muito swuing, como não poderia deixar de ser.

Então, se voce assim como eu gosta desse tipo de som.Música Brasileira de boa qualidade, Música boa, diversão garantida e preço baixo, fique ligado !!

É possivél também encontrra a cantora Xênia no twitter @XeniaEric .

Publicado em Anúncios | 1 Comentário

Personagens da República

A artista, o cineasta e homem da rua, são alguns dos personagens reais do cotidiano que retratam fielmente a tradicional “Feirinha da República”, realizada todos os finais de semana na Praça da República, no centro de São Paulo.
Um espaço para artistas exporem seus trabalhos e ótimo cenário para encontrarmos boas histórias da vida real. Confiram o trabalho de João Paulo Pereira, Bia Souza, Indira Nascimento, Priscilla Vierros e Tatiane Ribeiro.

Publicado em Anúncios | 1 Comentário

Privilegiado, mas nem tanto

O bairro de Santa Cecília foi um dos primeiros loteamentos de alto padrão em São Paulo. Hoje, a região possui localização privilegiada, porém sofre com alguns problemas, como a falta de segurança. O Mural foi às ruas para saber o que pensam os moradores do lugar e registrar as peculiaridades do bairro. A reportagem é de Cíntia Moreira, Nayara Konno, Patrícia Silva e Patrícia Gazzoni.

Publicado em Anúncios | 1 Comentário

A migração da Cracolândia

Os integrantes do Mural André Vinícius Nicolau, Eder Antônio, Jessica Gonçalves e Júlio Marcondes foram à Cracolândia para realizar este vídeo que aborda a migração dos usuários de crack para a ponte do Minhcocão. O vídeo traz ainda relatos de representantes da Associação Comunitária Cantinho Feliz, uma ONG que oferece tratamento a dependentes químicos; eles relatam suas preocupações e frustrações e sobre o papel da polícia na região.

Publicado em Anúncios | 2 Comentários

Um incidente, várias visões

Um assalto nem sempre é destaque ou mesmo notícia na imprensa brasileira. Mas o assalto sofrido pelo apresentador de TV Luciano Huck em 2007 acabou rendendo várias páginas em 2007. O episódio rendeu também uma ”resposta” do escritor Ferréz e críticas e defesas exaltadas tanto por parte dos que defenderam o apresentador como dos que ficaram ao lado do autor. O texto de Ferréz fez até com que ele tivesse de se explicar perante a polícia.

Leia os textos a seguir e crie um post com suas impressões a respeito do incidente narrado por Huck e pelos episódios que se seguiram.

Pensamentos quase póstumos
Segunda-feira, 01/10/2007
Autor: LUCIANO HUCK . . 8296ART1N
Editoria: OPINIÃO Página: A3 0710/2870608
Edição: São Paulo Oct 1, 2007
Seção: TENDÊNCIAS/DEBATES
Pensamentos quase póstumos
Pago todos os impostos. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa


LUCIANO HUCK


LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do “Jornal Nacional” de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.
Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.
Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.
Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.
Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.
Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável.
Passei um dia na cidade nesta semana _moro no Rio por motivos profissionais_ e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres.
Onde está a polícia? Onde está a “Elite da Tropa”? Quem sabe até a “Tropa de Elite”! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.
Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.
Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.
Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir _com um 38 na testa_ que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase “infantis” para uma sociedade moderna e justa.
De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.
Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.
Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de “extraterrestres” fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?
Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no “Roda Vida” da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, “Tropa de Elite” é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando.
Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: “Cansei”. O Lobão canta: “Peidei”.
Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.
Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.
Isso não está certo.

LUCIANO HUCK, 36, apresentador de TV, comanda o programa “Caldeirão do Huck”, na TV Globo. É diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias.

Pensamentos de um “correria”
Segunda-feira, 08/10/2007


Autor: FERRÉZ

Editoria: OPINIÃO Página: A3 0710/2888422
Edição: São Paulo Oct 8, 2007
Seção: TENDÊNCIAS/DEBATES

Pensamentos de um “correria”
Ele não terá homenagem póstuma se falhar. Pensa: ‘Como alguém usa no braço algo que dá pra comprar várias casas na quebrada?’
FERRÉZ
ELE ME olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto.
Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos.
Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo. O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada.
O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga.
Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita.
Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal.
Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito.
Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber.
Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa _mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado?
Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém.
Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra.
Não acreditava em heróis, isso não! Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto.
Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora.
Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso. Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo.
A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos!
Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa.
Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance.
O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou.
No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.
Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.

REGINALDO FERREIRA DA SILVA, 31, o Ferréz, escritor e rapper, é autor de “Capão Pecado”, romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de “Ninguém é Inocente em São Paulo”, entre outras obras.

‘Tropa de Elite’
Quinta-feira, 11/10/2007


Autor: CONTARDO CALLIGARIS . . 5371CONTS


Editoria: ILUSTRADA Página: E16 0710/2894652
Edição: São Paulo Oct 11, 2007

‘Tropa de Elite’


‘Nóis goza’, mas ‘nóis sofre’ de culpa: somos desculpados de nossa inércia pela culpa
NA SEXTA passada, “Tropa de Elite”, de José Padilha, estreou em São Paulo e no Rio; amanhã, entrará em cartaz no resto do país. O filme é inspirado no livro “Elite da Tropa” (Objetiva), de Luiz Eduardo Soares, André Batista e Rodrigo Pimentel (os dois últimos são policiais).
Padilha nos apresenta um momento de crise na vida do capitão Nascimento (o ótimo Wagner Moura), do Batalhão de Operações Policiais Especiais da PM do Rio.
Além do combate entre as forças da ordem e os bandidos do tráfico, há quatro eixos de tensão: a oposição entre o Bope (um pequeno corpo de incorruptíveis treinados para a guerra) e um sistema policial inepto e corrupto; o conflito entre a vida de família do capitão, que vai ser pai, e, do outro lado, a brutalidade de sua tarefa; a luta do capitão contra o desgaste e os efeitos traumáticos de seu dia-a-dia; o embate entre a polícia e os próprios cidadãos de quem ela deveria defender a vida, a tranqüilidade e as posses.
Para cada um desses eixos, qualquer cinéfilo poderia evocar vários filmes memoráveis, sobretudo americanos. Mas o embate entre a polícia e os cidadãos que ela defende revela, no filme de Padilha, uma especificidade nacional: nas classes privilegiadas e supostamente “ordeiras”, a simpatia pelo crime e a antipatia pela polícia não são efeito, como de costume, de rebeldia e sede de aventuras. Elas nascem de um forte e difuso sentimento de culpa social ou, no mínimo, justificam-se por ele.
Mas vamos com calma. Em “Tropa de Elite”, o cineasta José Padilha conseguiu, de maneira admirável, suspender o julgamento e apresentar nossa “guerra” cotidiana como um incômodo dilema moral, sem tomar partido.
Para alguns, essa suspensão do julgamento valeu como uma negação da culpa social que, aparentemente, segundo eles, deveria orientar nossa compreensão do mundo. Com isso, o filme foi acusado de “idealizar” o Bope e de fazer uma apologia “fascista” do “Estado policial” e da tortura instituída.
Essas críticas são descabidas, mas resta a pergunta: será que não é perigoso calar nossa culpa social? Será que a culpa diante da injustiça não é justamente o que nos levaria a entendê-la melhor e a agir? Pois é, nada disso. Respondo:
1) Em regra, a culpa não produz ação, mas descarrego. Funciona da seguinte maneira: somos autorizados a fazer pouco ou nada para que a situação mude porque o sofrimento de nossa consciência nos absolve. Inversão da frase de José Simão: “nóis goza” de muitos privilégios, mas “nóis sofre” de muita culpa. Somos desculpados de nossa inércia pela culpa que sentimos.
2) Também em regra, a culpa é péssima conselheira. Ela induz a acreditar numa contabilidade estapafúrdia, pela qual há cidadãos que devem e outros aos quais é devido, sem a mediação de lei alguma. Assim, Ferréz, na Folha da segunda passada, pode achar que o relógio roubado de Luciano Huck “paga” a miséria de seus assaltantes. Ele se expressa como se a lei não fosse (não devesse ser) a referência comum para todos: o problema não é que assaltar é crime, Huck é culpado e devedor, e o “correria” cobra o devido.
Essa maneira de entender o social oferece a todos uma compensação substancial: se a lei não é a referência comum, podemos ser assaltados nos faróis, mas também podemos praticar cada tipo de mediocridade moral e de ilegalidade, sonegar, saquear o bem público, pagar salários de esmola e por aí vai.
Em agosto, uma versão inacabada de “Tropa de Elite” foi distribuída ilegalmente em DVD, de camelô em camelô, pelo país afora. Nessa ocasião, houve vozes para justificar a pirataria e racionalizar um desrespeito endêmico à lei. Havia o estilo “eu não serei o único otário”, que, grosso modo, diz assim: “Se Renan Calheiros é presidente do Senado, eu posso comprar um DVD pirata”. E havia o estilo “está na hora de mudar”, em que um ato que nega a propriedade intelectual é justificado diretamente pela injustiça social dominante. Valia tudo, salvo o óbvio: pela lei, piratear é crime.
Pois bem, quando a culpa organiza nossa visão do mundo, tudo é permitido, assaltar de moto, a pé, de carro ou de colarinho branco.
Se você quiser passar uma hora e meia com o coração na mão e se quiser pensar e viver a realidade nacional um pouco além dos limites impostos pela consciência culpada, não perca “Tropa de Elite”.

Ferréz contra Huck: vale publicar tudo?
Domingo, 14/10/2007

Editoria: BRASIL Página: A6
Edição: São Paulo Oct 14, 2007
Seção: OMBUDSMAN
Observações: CONTINUAÇÃO


Ferréz contra Huck: vale publicar tudo?


Parece um equívoco classificar como “polêmica entre Luciano Huck e Ferréz” o debate que nas duas últimas semanas animou o “Painel do Leitor”.
Foi do apresentador de TV Huck a iniciativa de enviar à Folha o artigo “Pensamentos quase póstumos”, no qual contava o sufoco de ter o relógio Rolex roubado, com a arma apontada para a cabeça. Saiu na segunda retrasada. Não polemizava com ninguém em particular.
Quem polemizou com ele, segunda passada, foi Ferréz. O rapper e escritor, também por sua iniciativa, teve o texto “Pensamentos de um correria” impresso no mesmo espaço. Ele reconstitui o assalto pelo olhar do ladrão: “Todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio”.
Leitores protestaram. Para uns, o jornal deveria recusar o desabafo “elitista” de Huck. Para outros, permitiu a “apologia de crime” por Ferréz.
Creio que a Folha, abrigando a divergência, comprovou as virtudes do pluralismo. Oponho-me à publicação irrestrita de artigos. Por exemplo, o jornal deve vetar autor duvidando do Holocausto.
Mas Ferréz não louvou o roubo. Elaborou ficção. Ele e Huck enriqueceram a reflexão sobre violência, concorde-se ou não com suas idéias claras ou subjacentes.

O rolo do Rolex
Segunda-feira, 29/10/2007
Autor: ZECA BALEIRO
Editoria: OPINIÃO Página: A3 0710/2941697
Edição: São Paulo Oct 29, 2007
Seção: TENDÊNCIAS/DEBATES

ZECA BALEIRO


Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado?
NO INÍCIO do mês, o apresentador Luciano Huck escreveu um texto sobre o roubo de seu Rolex. O artigo gerou uma avalanche de cartas ao jornal, entre as quais uma escrita por mim. Não me considero um polemista, pelo menos não no sentido espetaculoso da palavra. Temo, por ser público, parecer alguém em busca de autopromoção, algo que abomino. Por outro lado, não arredo pé de uma boa discussão, o que sempre me parece salutar. Por isso resolvi aceitar o convite a expor minha opinião, já distorcida desde então.
Reconheço que minha carta, curta, grossa e escrita num instante emocionado, num impulso, não é um primor de clareza e sabia que corria o risco de interpretações toscas. Mas há momentos em que me parece necessário botar a boca no trombone, nem que seja para não poluir o fígado com rancores inúteis. Como uma provocação. Foi o que fiz. Foi o que fez Huck, revoltado ao ver lesado seu patrimônio, sentimento, aliás, legítimo. Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal.
Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como “sou cidadão, pago meus impostos”. Dias depois, Ferréz, um porta-voz da periferia, escreveu texto no mesmo espaço, “romanceando” o ocorrido. Foi acusado de glamourizar o roubo e de fazer apologia do crime.
Antes que me acusem de ressentido ou revanchista, friso que lamento a violência sofrida por Huck. Não tenho nada pessoalmente contra ele, de quem não sei muito. Considero-o um bom profissional, alguém dotado de certa sensibilidade para lidar com o grande público, o que por si só me parece admirável. À distância, sei de sua rápida ascensão na TV. É, portanto, o que os mitificadores gostam de chamar de “vencedor”. Alguém que conquista seu espaço à custa de trabalho me parece digno de admiração.
E-mails de leitores que chegaram até mim (os mais brandos me chamavam de “marxista babaca” e “comunista de museu”) revelam uma confusão terrível de conceitos (e preconceitos) e idéias mal formuladas (há raras exceções) e me fizeram reafirmar minha triste tese de botequim de que o pensamento do nosso tempo está embotado, e as pessoas, desarticuladas.
Vi dois pobres estereótipos serem fortemente reiterados. Os que espinafraram Huck eram “comunistas”, “petistas”, “fascistas”. Os que o apoiavam eram “burgueses”, “elite”, palavra que desafortunadamente usei em minha carta. Elite é palavra perigosa e, de tão levianamente usada, esquecemos seu real sentido. Recorro ao “Houaiss”: “Elite – 1. o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social [este sentido não se aplica à grande maioria dos ricos brasileiros]; 2. minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social [este, sim]“.
A surpreendente repercussão do fato revela que a disparidade social é um calo no pé de nossa sociedade, para o qual não parece haver remédio _desfilaram intolerância e ódio à flor da pele, a destacar o espantoso texto de Reinaldo Azevedo, colunista da revista “Veja”, notório reduto da ultradireita caricata, mas nem por isso menos perigosa. Amparado em uma hipócrita “consciência democrática”, propõe vetar o direito à expressão (represália a Ferréz), uma das maiores conquistas do nosso ralo processo democrático. Não cabendo em si, dispara esta pérola: “Sem ela [a propriedade privada], estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos”. Confesso que me peguei a imaginar esse sr. de tacape em mãos, lutando por seu lugar à sombra sem o escudo de uma revista fascistóide. Os idiotas devem ter direito à expressão, sim, sr. Reinaldo. Seu texto é prova disso.
Igual direito de expressão foi dado a Huck e Ferréz. Do imbróglio, sobram-me duas parcas conclusões. A exclusão social não justifica a delinqüência ou o pendor ao crime, mas ninguém poderá negar que alguém sem direito à escola, que cresce num cenário de miséria e abandono, está mais vulnerável aos apelos da vida bandida. Por seu turno, pessoas públicas não são blindadas (seus carros podem ser) e estão sujeitas a roubos, violências ou à desaprovação de leitores, especialmente se cometem textos fúteis sobre questões tão críticas como essa ora em debate.
Por fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só _uma luta de classes cruel e sem fim.

JOSÉ DE RIBAMAR COELHO SANTOS, 41, o Zeca Baleiro, é cantor e compositor maranhense. Tem sete discos lançados, entre eles, “Pet Shop Mundo Cão”.

Ferréz depõe em inquérito sobre apologia ao crime
Quinta-feira, 19/06/2008

Origem do texto: DA REPORTAGEM LOCAL
Editoria: COTIDIANO Página: C6 086/3596008
Edição: São Paulo Jun 19, 2008
Vinheta/Chapéu: POLÊMICA
Assuntos Principais: SEGURANÇA PÚBLICA; LUCIANO HUCK; ROUBO; ASSALTO; RELÓGIO ROLEX; FERRÉZ /LITERATURA/; ARTIGO; FOLHA DE S.PAULO /JORNAL/; POLÍCIA; DEPOIMENTO


Ferréz depõe em inquérito sobre apologia ao crime
DA REPORTAGEM LOCAL


O escritor Reginaldo Ferreira da Silva, 32, o Ferréz, depôs ontem no 77º DP (Santa Cecília), no centro de SP, devido a um inquérito para apurar se fez apologia ao crime num texto que escreveu à Folha em outubro de 2007.
O texto virou alvo de polêmica por contrariar, a partir de um personagem fictício, a indignação manifestada pelo apresentador da TV Globo Luciano Huck _também em artigo no jornal_ após ter seu relógio Rolex roubado.
Ferréz, conhecido por escrever sobre a periferia, afirmou à polícia que seu texto, “Pensamentos de um ‘correria’”, foi uma ficção que mostrava o roubo pela visão de alguém de fora da elite.
O delegado José Roberto Toledo Rodrigues, assistente do 77º DP, disse que não viu nenhuma apologia ao crime no texto e que deverá propor o arquivamento do caso.
O inquérito foi aberto em dezembro de 2007, a pedido do Ministério Público.

por Barbara Gancia

INFLACIONADO
“Levaram o Rolex de R$ 40 mil do Luciano Huck num assalto. O intelectual, rapper e grande filósofo contemporâneo Ferréz afirmou que Luciano saiu ganhando porque trocou o relógio pela vida e que o produto do roubo ajudará a fazer justiça social. Se bem entendi, sendo rico, famoso e bem-sucedido, tem mais é que ser assaltado e ainda ficar feliz?”
Pobre Infeliz
RICO HONESTO,
Putzgrila! A Angélica pagou R$ 40 mil no Rolex que deu de presente pro maridão? Alô, Luciano Huck! Que tal ensinar correndo a patroa a pechinchar?

Huck, Ferréz, Azevedo
“Este ‘Painel do Leitor’ publicou, em 17/10, carta de um cidadão que se auto-intitula professor de filosofia. Na carta, o autor agride um jornalista e tenta transferir para ele a sua própria incapacidade de tolerar o outro. Ainda mais, faz uma descarada apologia de crime, dizendo que prefere Ferréz, Mano Brown e o mano que levou o Rolex.
Penso que só um Estado de Direito, com absoluto respeito ao império da lei, possa proteger a sociedade, incluindo o indigitado. O resto é retórica de pseudofilósofo.”
WILSON LUIZ SANVITO (São Paulo, SP)

BRÁULIO MANTOVANI – Sempre leio com tristeza as notícias de mortes violentas. A ação da polícia não pode ser um mal necessário. A situação violenta em que vivemos não vai ser resolvida com uma polícia mais dura, com mais prisões e mortes de criminosos. Imaginar que a legalização das drogas ajudaria a resolver o problema é ingenuidade. Existe um apartheid social no Brasil, com ou sem drogas legais. Acabar com essa situação de apartheid é a única forma de diminuir a violência e a criminalidade. Veja, por exemplo, a polêmica em torno do relógio do Luciano Huck. O cara tem razão de reclamar? Tem. Mas isso é só um lado da moeda. O Ferréz escreveu um texto contando uma história imaginária, mas nem por isso menos real, do cidadão (insisto no cidadão) que roubou o relógio. Ele descreveu uma situação em que o episódio está, por assim dizer, historicizado. Ferréz foi além do óbvio e provocou o pensamento. O que as classes privilegiadas no Brasil precisam responder é o seguinte: vocês querem continuar pagando salários de fome para empregadas domésticas, porteiros, policiais, professores etc? Se a resposta é sim, conformem-se em perder seus relógios e agradeçam por estarem vivos. Dizer que o Ferréz faz a apologia do crime é tão equivocado quanto dizer que “Tropa de Elite” faz a apologia da violência policial.

Huck, Ferréz e Azevedo
“O senhor Reinaldo Azevedo expressa fielmente o pensamento de direita no país (‘A pluralidade e a revolução dos idiotas’, 15/10). Defende a propriedade privada, resiste às políticas públicas de recorte social mais profundo e esconde-se atrás da democracia formal. E pergunta: por que o roubo de um Rolex e não a pedofilia? Simples, porque o primeiro pode estar atravessado por uma questão social, o segundo não. A formalidade democrática sempre o impedirá de perceber isso.

De todo modo, pelo menos ele não se apresenta como os tucanos dos anos 90, que insistiam em nos convencer de que o neoliberalismo deles era de esquerda. É de direita e dá a cara para bater. Prefiro assim”
LEONARDO BARBOSA E SILVA, professor substituto do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (Uberlândia, MG)

A pluralidade e a revolução dos idiotas
Segunda-feira, 15/10/2007
Autor: REINALDO AZEVEDO
Editoria: OPINIÃO
Edição: São Paulo Oct 15, 2007
Seção: TENDÊNCIAS/DEBATES

A pluralidade e a revolução dos idiotas
REINALDO AZEVEDO
O empresário Ferréz, ao lado de Mano Brown, é um bibelô mimado pelas esquerdas e pelo pensamento politicamente correto
HÁ UMA revolução em curso: a dos idiotas. Eles começam agredindo a lógica e terminam justificando o assassinato. Voltarei a esse ponto.
Na semana passada, o escritor e rapper Ferréz escreveu um artigo neste espaço em que tratou do assalto de que Luciano Huck foi vítima.
Lê-se: “No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes”. Ele não pode ser mal interpretado porque não pode ser bem interpretado: fez a apologia do crime, o que é crime. Será este jornal tão pluralista que admite alguém como Ferréz? Será este jornal tão pluralista que admite alguém como eu? Lustramos ambos o ambiente de tolerância desta Folha? A resposta é “não”.
O artigo do tal é irrespondível. Vou eu lhe dizer que o crime não compensa? Ele tem motivos para acreditar que sim. Lênin mandaria que lhe passassem fogo _não sem antes lhe expropriar o relógio. Apenas sugiro ao jornal que corrija seu pé biográfico: ele é um empresário; o bairro do Capão Redondo é seu produto, e a voz dos marginalizados, o fetiche de sua mercadoria. Ir além na contestação de seu libelo criminoso seria reconhecê-lo como voz aceitável na pluralidade do jornal. Eu não reconheço.
Na democracia, o direito à divergência não alcança as regras do jogo. Um democrata não deve, em nome de seus princípios, conceder a seus inimigos licenças que estes, em nome dos deles, a ele não concederiam se chegassem ao poder. Ao publicar aquele artigo, a Folha aceita que potencialmente se solapem as bases de sua própria legitimidade. Errou feio.
O poeta Bruno Tolentino é autor de um verso e tanto: “A arte não tem escrúpulos, tem apenas medida”. O mesmo vale para a ação política. Idealmente, há quem ache que o mundo seria melhor sem propriedade privada _eu acredito que, sem ela, estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos.
Posso acalentar quantos sonhos quiser, sem escrúpulos. Mas o regime democrático tem medidas. Uma delas é o respeito às leis _inclusive às leis que regulam a mudança das leis. Se admitimos a voz do assalto, por que não a da pedofilia, a do terrorismo, a da luta armada, a do racismo? Aceito boas respostas.
O empresário Ferréz, ao lado de Mano Brown, é um bibelô mimado pelas esquerdas e pelo pensamento politicamente correto, para quem o crime é uma precognição política a caminho de uma revelação.
Tal suposição, somada à patrulha que tentou transformar Luciano Huck no verdadeiro culpado pelo assalto, contribuiu para esconder um fato relevante. A cidade de São Paulo teve 49,3 homicídios por 100 mil habitantes em 2001. Em 2006, 18,39 (uma redução de 62,69%). Em 2001, havia presas no Estado 67.649 pessoas; em 2006, 125.783 (crescimento de 85,93%). Não é espantoso? Quanto mais bandidos presos, menos crimes. Quanto mais eficiente é a polícia, menos mortos.
Eis que, no dia 11, abro esta mesma página e dou de cara com um artigo de Sérgio Salomão Shecaira. Escreve: “(…) O Estado de São Paulo concentra quase a metade dos cerca de 419 mil presos brasileiros (…). Enquanto, no Brasil, existem 227,63 presos por 100 mil habitantes, em São Paulo essa relação salta para 341,98 por 100 mil habitantes”. Ele está descontente. Quer prender menos: “Enquanto, no Estado de São Paulo, em 2005, houve 18,9 homicídios por 100 mil habitantes, no Rio de Janeiro a cifra foi de 40,5, e, em Pernambuco, de 48. No entanto, nesses dois últimos Estados, o número relativo de presos é bem menor que o paulista”.
Shecaira é mestre e doutor em direito penal e professor associado da Faculdade de Direito da USP. Mas ainda não descobriu a lógica, coitado!
Ora, por que será que São Paulo tem, por 100 mil, menos da metade dos homicídios que tem o Rio e quase um terço do que tem Pernambuco? Porque há mais bandidos na cadeia! Mas ele quer menos. Logo… Em vez de Ferréz se alfabetizar politicamente no contato com Shecaira, é Shecaira quem se analfabetiza no contato com Ferréz.
A tragédia não é recente. Aconteceu com a universidade: em vez de ela fornecer teoria aos sindicatos, foram os sindicatos que lhe forneceram táticas de greve. Em vez de Marilena Chaui ensinar ao companheiro as virtudes do pensamento, foi o companheiro que explicou a Marilena por que pensar é uma bobagem.
A minha pluralidade não alcança tolerar idiotas que querem destruir o sistema de valores que garantem a minha existência. E, curiosamente, até a deles.

REINALDO AZEVEDO, 46, jornalista, é articulista da revista “Veja” e autor do livro “Contra o Consenso”.

Publicado em Exercícios | 17 Comentários