Concisão

Saber sintetizar uma ideia, sem empobrecer o texto, sem deixar de fora os ingredientes essenciais, é algo fundamental para o jornalismo atual, ainda mais para o texto escrito para a internet, que é, via de regra, mais conciso do que o texto do jornalismo impresso.

A recomendação dos amigos Bia Abramo e Carlos Minchillo, que estão realizando uma oficina de concisão aqui na sede da Folha de São Paulo, é a de enfatizar alguns elementos:

  1. HIERARQUIA: que informação interessa mais, que espaço dedicar a cada informação?
  2. ORDEM: em que posição colocar cada informação

Carlos Chirillo mais uma vez acerta ao destacar que o autor precisa saber se afastar do seu próprio texto, não pode perder de vista que está escrevendo para o outro, para um desconhecido, para alguém com quem não convive, que não conhece a sua maneira de pensar, que não compartilha da mesma forma de se expressar.

Para escrever para o outro:

  • é necessário afastar-se do texto
  • pensar como leitor
  • tudo em nome do texto (mesmo os cortes doloridos)

E mais:

  • pensar na variedade de leitores (esse desconhecido)

Agora, mais uma vez pegando carona na oficina da Bia e do Carlos, eu reproduzo um exercício criado por eles, que consiste em reduzir este texto sobre uma rua no Jardim Pantanal que voltou a alagar, publicado pelo caderno “Cotidiano”, da “Folha de São Paulo”:

Rua no Jardim Pantanal volta a alagar

Após prefeitura retirar a bomba d’água que drenava o local, rua-símbolo das inundações do verão sofre nova enchente

Segundo o subprefeito da área, a bomba foi retirada para manutenção; base da Defesa Civil também não está mais no local

LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL

Ontem, de novo, a rua Capachós, no Jardim Pantanal (zona leste de São Paulo), encheu. Para quem não se lembra, a Capachós foi, durante dois meses, entre o final do ano passado e início deste, a rua-símbolo das inundações causadas pela ocupação desordenada da várzea do rio Tietê. Apareceu em todos os telejornais -intransitável, tomada por um caldo espesso de esgoto misturado a águas de chuva e de rio.
A prefeitura até já tinha conseguido resolver o problema. Instalou um caminhão munido de bomba d’água que sugava o líquido da rua e o lançava no leito do rio, a poucos metros de onde o calçamento termina.
Na quarta-feira passada, antes do feriado de Páscoa, caminhão e bomba foram retirados. Segundo o subprefeito de São Miguel Paulista, Milton Persoli, responsável pela área, “para que fosse feita manutenção”.
Bastaram, contudo, 16 mm de chuva (média do Centro de Gerenciamento de Emergências até as 13h de ontem) para que a rua Capachós, de novo sem dragagem, voltasse a ser tomada pelas águas.
O dado novo em relação às cheias da virada do ano é que, agora, os 1.543 alunos do CEU Três Pontes, na mesma rua, não estão mais em férias. Às 18h15 de ontem, quando se encerraram as aulas, céu já escuro, viam-se pais e crianças em seus uniformes azuis tentando transpor o aguaceiro imundo.
A maioria dos alunos ganhou da prefeitura um caminho alternativo: a passarela de metal e madeirite com mais de 300 metros ligando a parte mais alta da rua Capachós à escola, passando pelo conjunto habitacional com prédios novinhos -moradores também usam a passarela para evitar as águas.
O problema é que, entre os alunos, há os que moram exatamente na área alagada da rua -para eles, a passarela é inútil.
Vicentina de Arruda, 38, uma mão segurando o guarda-chuva, a outra apertada em torno do pulso do sobrinho Pedro, 9, reclamou encolhida sobre uma pedra na calçada: “Isto aqui é água com cocô. A gente paga à Sabesp para ter água e esgoto, mas o esgoto está totalmente entupido.”
No auge do drama das enchentes no Jardim Pantanal, a praça localizada na parte alta da rua Capachós tinha uma tenda da Defesa Civil, outra da PM e do Corpo de Bombeiros (em que se viam veículos anfíbios), uma barraca da Sabesp distribuindo água potável e até um trailer do Conselho Regional de Corretores de Imóveis, instalado lá a pretexto de ajudar as pessoas que quisessem sair da várzea do Tietê a encontrar um imóvel para alugar.
Desse aparato todo, ontem, só restava a base da PM. Segundo o subprefeito Miguel Persoli, “a empresa que fornece a bomba d’água garantiu que ainda nesta semana voltará a fazer a dragagem da rua”.
Ontem, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) ofereceu ajuda ao Rio de Janeiro. Segundo Kassab, o auxílio poderá ser em mantimentos, equipamentos e até em funcionários da Defesa Civil. “A nossa equipe está bastante experiente”, disse.

O texto deve ser reduzido para 2000 caracteres (incluindo os espaços). Utilize o espaço abaixo para escrever a sua versão reduzida.

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Uma resposta para Concisão

  1. VANDER RAMOS disse:

    Olá Bruno
    O exercício é bom, mas tem link com senha e outro repetido. Só deu para ler os textos do Estadão e da Veja.

    Eu resumiria estes dois texto como tendenciosos e escrito por pesssoas que não sabem como é viver em favelas. O do Estadão, que dá multiplas visões de moradores e se preocupou em escrever somente os depoimentos dos moradores. Este é o tipo de texto: “Olha foi ele quem falou….”. Quem lê os depoimentos sente-se com raiva do abuso policial, mas demonstra que para a policia em Paraisopolis só vivem bandidos e isto causa uma baixa estima nos moradores. No texto da Veja, mostrou que a favela recebe todo apoio social do governo e de empresas particulares, mas tbem deixou claro na entrelinha que lá é terra de bandidos e quem quizer vender aos moradores de paraisópolis tem que contratar os moradores. O presidente da Casa Bahia se sentiu orgulhoso em vender para Paraisopolis, com a receita: Basta ser amigos deles.

    O terceiro texto, do lider comunitario não deu para ler, mas acredito que será um
    relato de dentro buscando uma solução para a comunidade e denunciando os abusos da Policia.

    Para quem mora em favelas, cansou de denunciar os abusos de policiais. Aqui no Itaim Paulista é a mesma coisa. VEMOS ABUSOS POLICIAIS TODOS OS DIAS E NOS PERGUNTAMOS : A QUEM DENUNCIAR??? QUANDO DENUNCIAMOS SOMOS ALVOS DE REPRESÁLIAS, ENTÃO ESTAMOS CANSADOS DE DENUNCIAR E VIRAR UM PONTO VERMELHO NUM CIRCULO.

    Escrever uma ideia em cima de outros textos é dificil sem presenciar e sentir o fato….

    Vander

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