“Seja universal, fale de sua aldeia”

A célebre frase atribuída ao escritor russo Lév Tolstói traduz bem os propósitos deste curso e os objetivos do “Mural”.

A ideia que podemos partir dos exemplos restritos a um grupo, a uma comunidade, a um bairro e transformá-los em histórias de interesse geral é algo próprio ao bom jornalismo.

Saber farejar esse tipo de história é que são elas. É preciso saber identificar o que é particular, mas tem um apelo geral.

O que é próprio à sua região, ao seu bairro ou à sua rua, mas que poderá inspirar interesse de pessoas de outras localidades e com outras vivências.

Carlos Minchillo, coordenador e professor de língua portuguesa da Facamp, que também está realizando um curso aqui na sede da “Folha de São Paulo”, lembra bem:

Para escrever para o outro:

  • é necessário afastar-se do texto
  • pensar como leitor
  • tudo em nome do texto (mesmo os cortes doloridos)

E mais:

  • pensar na variedade de leitores (esse desconhecido)

Quem quiser ler outros dicas do Carlos, pode clicar aqui.

Do banal para o extraordinário

Há casos em que o cotidiano se torna extraordinário. Aí temos a notícia de interesse geral, a manchete.

Mais uma vez, vou citar um incidente no bairro periférico de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Nesta semana, o local voltou ao noticiário A CBF decidiu que o estádio do Morumbi, situado próximo ao bairro, não irá mais sediar a Copa do Mundo de 2014.

Com isso, o governo do Estado também optou em deixar de lado a linha 17 do Metrô de São Paulo, que até 2014 ligaria a área do estádio, ao aeroporto de Congonhas, e que passaria por dois pontos em Paraisópolis.

Mas a população se mobilizou para mudar essa situação, por meio de uma carta aberta dirigida ao governador de São Paulo, Alberto Goldman, que em breve começaria a ser divulgada em blogs e no Twitter.

A mobilização logo chegou à grande mídia, com direito a texto, fotos e até um mapa no Uol.

Há poucos meses, foi a vez de o bairro do Capão Redondo, na zona sul de São Paulo, que ganhou as manchetes em mais de uma ocasião.

Na mais recente, foi por conta de um projeto de um designer de pintar as fachadas das moradias locais, em reportagem do Estadão.

Meses antes, a notícia foi a projeção mundial ganha pelo Capão por conta da exibição no Festival de Berlim do filme “Bróder”, um longa metragem do cineasta Jefferson De.

Não significa que só fatos extraordinários ocorridos próximos a você é que irão atrair a atenção dos demais. Olhar com carinho para o seu bairro, para a sua comunidade ou para a sua rua não impede que você consiga olhar além.

Vale lembrar o que disse o poeta Fernando Pessoa:

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”.

Mas também vale destacar mais uma vez o Tolstói que vimos no início deste exercício.

“Todas as famílias felizes se parecem; cada família infeliz é infeliz à sua maneira”

Como se viu nos diferentes exemplos, não são apenas as notícias desagradáveis ocorridas próximas a você que serão do interesse geral, mas é preciso se colocar no lugar do outro, do leitor, do estranho. É uma maneira de se comunicar com mais gente.

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2 respostas para “Seja universal, fale de sua aldeia”

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