Terceira aula, casa cheia

Pela terceira semana consecutiva, tivemos um alto índice de comparecimento, à exceção de alguns colegas que não puderam vir por motivos de saúde, e agora estamos caminhando para os “finalmentes”.

Um total de 16 alunos estiveram presentes à terceira aula do Mural, que, na minha modesta opinião, foi uma das mais divertidas (não sei se vocês estão de acordo, em caso contrário ou em caso afirmativo, usem o espaço abaixo para manifestar suas opiniões).

O dia começou, como de praxe, com a discussão sobre que temas ligados às comunidades periféricas estavam presentes nos jornais de domingo.  Como de praxe, mais uma vez, vimos que não eram muitos.

Em seguida, demos início à edição dos exercícios de vídeo dos diferentes alunos. A tarefa, realizada na segunda aula, a do dia 27 de junho, consistia em mostar o dia a dia do comércio local na região em que o curso está sendo realizado, na sede da Folha de São Paulo, no bairro de Campos Elíseos, na região central de São Paulo.

Um dos vídeos já está prontinho e eu o postei na minha página de Youtube. O bom trabalho, realizado pelo grupo formado por Cleyton Villarino, Dalton Assis, Elias Ribeiro, Luciana Sales, Marta Barbosa e Valesca Montenegro, foi registrado na Padaria Campos Elíseos.

Palestra

Além de adiantarmos os vídeos, nós contamos com uma excelente palestra do jornalista André Caramante, repórter especializado em segurança pública do caderno “Cotidiano”, da “Folha de São Paulo” e colunista de hip hop do jornal “Agora”.

Assim como muitos dos alunos do Mural, André teve de superar dificuldades econômicas para ingressar na universidade. E, graças a seu esforço e talento, é hoje um dos nomes de maior destaque do maior jornal do país.

A mensagem de André foi de que, assim como ele, com persistência, dedicação e disciplina é possível que pessoas que não vieram de meios abastados e que não tiveram a chance de frequentar as melhores escolas, consigam ingressar na grande imprensa.

Infelizmente, não temos fotos da palestra de André. A conversa não foi registrada porque ele prefere que sua imagem não seja veiculada, por conta da alta periculosidade de alguns dos assuntos que ele já cobriu, como casos de corrupção envolvendo órgãos de segurança e envolvimento de autoridades policiais em chacinas e grupos de extermínio.

Pautas

Fechamos o dia discutindo as pautas que cada aluno fará. Uma das opções era utilizar como principal fonte a insituição pública designada a cada aluno em um exercício que se valeu de uma planilha colaborativa de Google Docs, na primeira semana de aula, e encontrar um tema que envolvesse esse órgão público e um tema social ligado à comunidade de cada estudante.

A segunda opção era a de criar uma pauta social ligada que tivesse como “ganho” a eleição do próximo outubro e que, novamente, envolvesse algum tema contundente ligado à realidade do bairro ou da região em que cada um dos alunos vivesse.

Havia ainda uma terceira opção, que poderia ser um tema mais livre, sobre o seu bairro ou sua região, uma iniciativa cultural interessante, uma reportagem de comportamento, enfim, algo positivo ligado à sua comunidade e que ainda não foi tema de reportagens da grande mídia.

Lembro a todos, sem exceção, que postem abaixo, por favor, o quanto antes, o tema que vocês deverão desenvolver e se a reportagem deverá utilizar apenas texto; texto + vídeo; texto + fotos ou texto + fotos + vídeo. O ideal é que a reportagem seja ilustrada ao menos com fotografias.

Quem resolver fazer um vídeo, que procure fazer algo breve e simples, com não mais que dois minutos ou dois minutos e meio. Que seja algo com uma entrevista, algumas imagens do ambiente e que exige cortes muito básicos.

Nada de filmar clipes com mais de oito minutos, porque isso dificulta muito na hora de editar.

Pessoal, vou lembrar mais uma vez, quem ainda não definiu a sua pauta, por favor, trate de fazê-lo o quanto antes.

E quem quiser qualquer ajuda, mas qualquer ajuda mesmo, para filmar, é só falar comigo, que eu ficarei feliz em atuar como cinegrafista de Flip Cam.

Aliás, aqui entre nós, isso seria, inclusive, bem legal. Estou com saudades de ir a campo fazer reportagens e pegar uma carona na reportagem alheia não faria mal algum.

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4 respostas para Terceira aula, casa cheia

  1. Suevelin Cinti disse:

    “Jornalismo como ferramenta de transformação social…”

    Essa talvez tenha sido a fala do André que mais me martelou na cabeça antes e depois da nossa palestra.

    A história do André com toda certeza se iguala a muitos de nós. A história de uma pessoa que luta pra se formar e provar a tudo em sua volta que vencer é possível.

    Parabenizo André Caramante por sua sensibilidade, pois em cada palavra pude me reconhecer, não só como estudante de jornalismo da periferia, mas também compreender e acreditar que existe em nós a capacidade de driblar os desafios que permeiam nossos sonhos e que de diversas maneiras é possível ultrapassá-los.

    Espero que como disse nosso colega Vander, nós continuemos com o trabalho do Jornalismo Cidadão, tomando como exemplo o próprio André, nossos colegas que já trabalham a favor de sua comunidade e a tantos outros que virão depois de nós.

    Aproveitar e agradecer ao Bruno também por convidar o André e dar essa abertura legal da última aula que rendeu muito para cada um de nós!

    Abraços a todos
    Suevelin Cinti

  2. vander ramos disse:

    Achei a palestra do André muito legal. Um rapaz que busca a coisa certa através do que gosta de fazer: Escrever…

    É este espelho que devemos seguir, usando as letras como ferramenta de transformação. Nossa comunidade nos pede isto…

    Acredito que a sociedade, de modo geral, tem um forte agradecimento a fazer ao André. Ele deixa claro aos “coronéis do crime” que existe uma sociedade civil que clama por justiça. Definiria o André como um cavalheiro que busca justiça, no seu interior um menino humilde, como tantos garotos de periferia, e deixa as coisas acontecerem em sua vida. Um menino que tem uma coragem em seu coração. Um jovem filho da sociedade.

    De minha parte dou o Parabéns ao André, pelas palavras que tocou em nossos pensamentos. Muita coisa que ele disse ficou gravada em nossa cabeça.

    PARABÉNS André pelas palavras e pela coragem que poucos tem…

    Ao Bruno pela oportunidade que nos ofertou. Como diz o Rafael, ao definir o projeto mural: “Profissão Repórter Cidadão” .

  3. Valesca Montenegro disse:

    Agradeço o grande exemplo de vida profissional que o André Caramante nos deu, não foi uma palestra qualquer, onde estava explícito que somos alunos e ele era o “grande jornalista”, muito pelo contrário, foi um bate papo, uma troca de experiências. Faço das palavras da Suevelin e do Vander as minhas.

    Acredito que, como em mim, esse momento repercutiu grande reflexão em todos. Pude voltar ao ano em que decidi entrar na faculdade e ser jornalista, voltei a pensar em um velho sonho: “Mudar o Mundo” isso era suficiente!Mas como? Com o passar dos anos, acredito que todos nós, nos desanimamos com a realidade em que vivemos, a falta de comprometimento de alguns profissionais da área, vamos levando a vida “morna” fazendo o que está ao nosso alcance e só, mas lá no fundo sinto que ainda podemos fazer mais.

    Na hora do almoço a galera trocou muitas ideias, e foi muito bom perceber quanta gente boa está no Mural, todos em algum momento da vida tiveram o mesmo sonho que eu, ou ainda tem, somos a esperança, temos experiências de vida parecidas, isso é muito enriquecedor.

    Como a Suevelin, aquela frase também ficou na minha cabeça: “Jornalismo como ferramenta de transformação social…” esse é o segredo! O momento com o André nos fez sentir como os protagonistas dessa história, e foi dessa forma que eu entendi o que é “mudar o mundo”, não é fazer uma grande revolução, mas colocar em prol da sociedade a minha vontade de escrever, mostrar a verdade e lutar pela justiça no dia-a-dia.

    Muito obrigado ao Bruno, por ter a brilhante ideia de convidar o André, e a cada colega do mural que em cada conversa me mostra a essência da arte de ser jornalista. Gostei do que disse o Rafael, o projeto mural como: “Profissão Repórter Cidadão” é disso que a cidade precisa.

    Abraços à todos!

  4. Elias Ribeiro disse:

    Pauta: Corrupção política, só política?
    O que adianta falar dos políticos, se o mesmo sonega imposto?
    O que adianta falar dos pastores, se o mesmo não vive a palavra de Deus?
    O que adianta falar dos padres, se o mesmo cobiça as mulheres ou homens?

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