‘Escola do barulho’ enfrenta falta de professores

Escola enfrenta falta de professores e poluição sonora

Por Cláudia Pereira

Mural Brasil

Os alunos da escola estadual Comendador Miguel Maluhy, no Campo Limpo (zona sul de São Paulo), podem ficar sem professores novamente, a exemplo do semestre passado que ficou quase três meses sem professores de matemática, física e química.

O novo sistema de atribuição de aulas a professores da rede estadual, o projeto conhecido como “duzentena”, implantado pelo governo estadual de São Paulo, afetou várias escolas do estado, deixando professores fora das salas de aulas.

“Duzentena” é o apelido da lei que limita a um ano a validade do contrato de professor temporário de uma das categorias criadas pelo governo estadual, a categoria “O”, impondo a ele um prazo de duzentos dias antes que possa voltar a trabalhar na rede estadual de ensino.

A lei, cujo nome oficial é Lei Complementar Nº 1.093, de 16 de julho de 2009, visa regulamentar o contrato temporário de professores da rede estadual pelo período relativo ao ano letivo, que é de duzentos dias.

O argumento oficial é de que ela visa a admissão emergencial “para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público”.

Kátia de Menezes e Gildo de Castro, diretores da escola Miguel Maluhy, temem a falta de professores no segundo semestre. Para driblar a situação, eles fazem planejamento de reposição de aulas aos sábados, para que os alunos não sejam prejudicados no ano letivo.

A escola, que tem aproximadamente 2.000 alunos do ensino fundamental, possui vários desafios além da falta de professores.

Há um ano, foi implantado o projeto “Acessa Escola”, que tem por objetivo promover a inclusão digital e social dos alunos. Os computadores já foram instalados, mas não há suporte de rede, o que dificulta o acesso à internet.

Outro problema é a poluição sonora, pois a escola fica ao lado da estrada do Campo Limpo, onde passam diariamente centenas de carros, causando um barulho ensurdecedor.

Constatamos isso durante a nossa reportagem com as salas vazias. A escola até possui um sistema de isolamento acústico, mas de nada adianta, pelo contrário, só prejudica a saúde de alunos e professores, com a grande quantidade de fuligem dos carros.

“Já mandamos diversos ofícios, para a secretaria, mas até agora não resolveram o nosso problema”, acrescenta o vice-diretor da Miguel Maluhy, Gildo de Castro, que acha que a situação das escolas estaduais tem piorado cada vez mais, embora o governo tenha dado autonomia para a administração de verbas.

Procuradoa pela equipe do Mural Brasil por diversas vezes, a Secretaria de Educação não se manifestou sobre o assunto, afirmando que o problema dos professores já havia sido solucionado e que em breve dariam um retorno.

Breve relatório

– Depois de levantarmos informações com as fontes, procuramos a direção da escola para falar sobre o assunto. A primeira informação é que precisaríamos de autorização da Secretaria de Educação para a captação de imagens da escola, isso por se tratar de órgão público.

-Ligamos para a secretaria, perguntando sobre a autorização.  Disseram que demoraria em torno de uma semana.

-No dia 16 de julho, fomos à escola em posse de câmera de vídeo e câmera fotográfica, e o vice-diretor nos autorizou a usar as imagens e as falas dele.

– Conversamos com professores e diretores que naquele dia estavam agendando a programação da escola para as aulas que começam em agosto. Nesse bate-papo, ficamos sabendo das dificuldades e queixas com relação ao salário e bônus oferecidos pelo governo, que não agrada à categoria. Todos falaram das dificuldades que enfrentam na escola, com a falta de professores e problemas de infra-estrutura, contando somente com o apoio básico da comunidade do bairro.

-Entramos em contato novamente com a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação, falamos da pauta e inclusive enfatizando o nome do Bruno Garcez e da “Folha de São Paulo”, visando obter mais informações sobre os problemas da escola. Após muita insistência, falamos com Tenório, Raphael e Victor, da assessoria de imprensa, sem termos uma resposta.

-Entramos mais uma vez em contato nos dias 20 e 21 de julho, com a assessoria de imprensa da secretaria, a fim de obtermos resposta sobre os problemas da escola.

Em 21 de julho, conseguimos obter um pouco mais de atenção. E nos foi dito que teríamos uma resposta em breve. Achamos que não vamos obter sucesso. Vamos finalizar a reportagem sem uma resposta da Secretaria de Educação que afirma que o problema de falta de professores já teria sido solucionado. Entretanto, a diretora da escola Comendador Miguel Maluhy, Kátia de Menezes, afirma que o problema continuará em decorrência de vários professores de licença.
Mesmo com as barreiras e dificuldades encontradas conseguimos um bom material em fotos e vídeo para a realização da matéria.

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2 respostas para ‘Escola do barulho’ enfrenta falta de professores

  1. Thiago - Aluno de 1996 a 2001 disse:

    Depois da Dona Yolanda…..o Maluhy ja era…..

    • bibi_cruz@hotmail.com disse:

      Estudo na Escola Estadual Comendador Miguel Maluhy, e estou no 1º ano do Ensino Médio, minha sala (e creio que outras também) está sem professor de filosofia, biologia, sociologia e a pouco tempo conseguimos (graças a Deus) uma professora de matemática, mas ano passado (quando estava no 9º ano) nós não tinhamos professor de português e até metade do ano de 2012 estavamos sem professor de matemática… Sei que a culpa não é da escola, pois, infelizmente não temos tantos professores na rede e a escola (por ser publica) não tem condições de contratar mais professores…

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