Cidadão quem?

“Os cidadãos-jornalistas são as pessoas outrora conhecidas como audiência”.

A frase é de Jay Rosen, analista de mídia e professor de jornalismo da Universidade de Nova York, é um comentário irônico sobre o papel crescente do ”sujeito comum” no ato de difundir informações e influenciar a cobertura jornalística tradicional.

Um dos primeiros sites a utilizar o termo cidadão-jornalista foi o sul-coreano Oh My News, que completou em 2010 dez anos de existência.

Trata-se de uma agência de notícias com conteúdo gerado exclusivamente por seus usuários e cujo mote é “Todo cidadão é um repórter”. Basta se registrar, enviar sua reportagem ou artigo e, uma vez aprovado, ele é publicado.

Da Europa, um dos exemplos mais célebres de sites que fazem uso de conteúdo participativo é o francês Rue 89. Criado em 2007, atualmente ele conta com a tradicional edição online, bem como uma revista mensal, disponível nas bancas.

O Rue 89 foi criado por repórteres egressos do tradicional diário de centro-esquerda Libération, com o objetivo de ser uma publicação que unisse jornalistas tradicionais, internautas e analistas.

Hoje, ele é um produto destacado no mercado editorial francês.

Muitas das práticas inovadoras no jornalismo atual contam com formatos mistos de produção e com modos alternativos de financiamento.

Primeiro site a ser agraciado com o tradiconal Prêmio Pulitzer, em 2010, o americano Pro Publica, pede doações de internautas, mas sua principal fonte de financiamento provém da Sandler Foundation, uma entidade filantrópica dos Estados Unidos.

O site se define como uma “redação independente, sem fins lucrativos, que produz jornalismo investigativo de interesse público”.

Ainda que não conte com cidadãos-jornalistas em sua equipe, no ano passado, o site lançou a ProPublica Reporting Network (Rede de Reportagem ProPublica).

Segundo a editora Amanda Michel, a rede visa guiar leitores a ”se comprometer com ações jornalísticas”.

Ela acrescentou ainda: “Chamem de crowdsourcing, de jornalismo colaborativo. Prefiro não discutir semântica…ao colaborar diretamente com o público, pretendemos providenciar informação de longo alcance…E-mail, telefones celulares, mensagens, ProPublica.org e redes sociais são nossas ferramentas… sou tanto editora como organizadora. Aqueles que participam das nossas inciativas de reportagem – vocês – são os integrantes da Rede de Reportagem.

O projeto Global Voices, que conta com uma versão em português, foi criado pelo Centro Berkman para Internet e Sociedade da Escola de Direito de Harvard, uma incubadora de pesquisa que estuda o impacto da Internet na sociedade.

Ainda que sua sede sede legal seja na Holanda, o Global Voices conta com uma equipe de blogueiros voluntários oriundos de inúmeros países, entre eles o Brasil.

Em seu texto de apresentação, o Global Voices afirma: “Nós os convidamos como colaboradores ou os contratamos como editores porque eles entendem o contexto e a relevância da informação, ponto de vista e análise sendo publicada diariamente desde seus países ou região de origem em blogs, podcasts, sites de imagens, videoblogs – e todo tipo de contribuição cidadã. Eles nos ajudam a encontrar um sentido em tudo isso e a iluminar aspectos que blogueiros estão dizendo e que a grande mídia não está prestando atenção”.

Além de contar com conteúdo colaborativo proveniente de diferentes países, o Global Voices também oferece produtos de caráter informativo, que vão além do jornalismo tradicional, mas que se valem de modernos recursos interativos.

É o caso do projeto Eleitor 2010, ainda em versão Beta, que se diz apartidário e que ”recebe denúncias de fraudes, boca-de-urna, comícios ou carreatas no dia da eleição, irregularidades em geral, e eventos similares relacionados ao processo de campanha e eleição em 2010”. O foco, afirma o texto de apresentação, ”é no testemunho do eleitor, que pode enviar fotos, vídeos, depoimentos e áudio de denúncias.”

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