Nos trilhos da cultura

por Gustavo Lima

Mural Brasil

“O Trem – Baseado em Fatos Reais” foi o primeiro desafio de Alessandro Buzo. Para publicar o livro,  precisava de três mil reais, mas sem muitos recursos, o lançou de forma independente.

A sua relação com a escrita começou cedo, por influência da mãe, que comprava gibis e livros em sebos.

Aos 13 anos, devido às dificuldades financeiras, começou a trabalhar para ajudar no orçamento da casa. Estimulado pelo desconforto nos trens, Buzo escreveu seu primeiro texto, contestando as condições do transporte ferroviário na zona leste da cidade de São Paulo. Resolveu distribuí-lo para os demais passageiros, que se sentiram representados através do relato.

Em 2004, lançou seu segundo livro, custeado de uma forma diferente: mil reais em alimentos, que foram cedidos à Editora. “Suburbano Convicto – O Cotidiano do Itaim Paulista” – título inspirado em uma música da banda Planet Hemp – conta histórias vividas em sua infância, no bairro do Itaim Paulista. Para não causar nenhum tipo de desconforto a seus amigos, Buzo criou personagens fictícios, novamente um sucesso impulsionado pelo que ele chama de efervescência cultural.

Cinco anos após a produção de sua primeira obra, Buzo percebeu que o transporte público na zona leste ainda estava na mesma situação precária. A revolta deu lugar a um novo diálogo que questiona a “versão política” dessa realidade, originando a releitura de seu primeiro livro: “O Trem – Contestando a Versão Oficial”.

Alessandro Buzo coleciona outras obras da literatura marginal, entre elas está “Guerreira”, um livro de ficção que conta a história de uma mulher viciada em crack, lançado em 2006 e relançado pela Global Editora em 2007.

No livro “Favela Toma Conta”, lançado em 2008, Buzo conta sua trajetória de dificuldades, realizações e superação. Entre elas sua decisão de viver longe das drogas. “Se quisesse ter uma vida melhor, teria que largar as drogas”. Decisão que o levou a recuperação do vício, dando início a uma nova vida.

Agora o trem levava aquele menino de treze anos a uma nova estação, e o destino escolhido foi os trilhos da cultura.

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