Depois de campanhas eleitorais, praça em SP é esquecida

por Suevelin Cinti

Mural

Inaugurada em 2004 durante campanha eleitoral para prefeito de São Paulo, a Praça do Trabalhador que antes era ponto de lazer, hoje, com os brinquedos destruídos, se tornou ponto de drogas e um lugar perigoso para os moradores da região de Parelheiros, no extremo sul da cidade de São Paulo.

Com 11.000m² e situada entre as avenidas Teotônio Vilela e Paulo Guilguer Reimberg,  a praça é um importante ponto de referência dessa região; construída em frente ao Terminal Varginha , cerca de 10 mil pessoas atravessam a praça para ir ao centro da cidade todos os dias. Apesar de sua boa localização geográfica, os moradores sentem como se o lugar estivesse abandonado pela subprefeitura.

Após seis anos desde sua inauguração, já não existe nenhum brinquedo em condições de uso, todos estão totalmente depredados. Balanças são improvisadas com pedaços de tábuas, a pista de skate é usada como escorregador, até mesmo para jogar bola nas quadras cobertas de grama e areia é preciso escorar as grades que estão caídas.

As principais comunidades que tem acesso à praça são as dos bairros Balneário São José, Céu Azul, Jardim Casa Grande, Jardim Guanabara e Parque Maria Fernandes, porém o número de pessoas que frequentam o local diminuiu desde que começou a crescer o número de moradores de rua e usuários de droga no local.

Praça se tornou retrato do abandono

Os grupos que utilizavam as quadras para fazer ginástica pela manhã já não existem mais e as pessoas que fazem caminhada vêm diminuindo, restando apenas os passos apressados de medo daqueles que precisam atravessar a praça para ir trabalhar e voltar para casa.

Duas moradoras da comunidade, identificadas como Valéria e Helena, reclamam da falta de segurança, principalmente à noite, pois apesar da iluminação afirmam que os mendigos que estão na praça intimidam as pessoas que frequentam o local.

Esses moradores de rua, que na maioria são usuários de drogas, estão abrigados na cobertura do CIEJA (Centro Integrado de Jovens e Adultos) de Parelheiros, situado em uma extremidade da praça.

Tentando mudar

Segundo Fátima Baptista, coordenadora desse centro educacional, a depredação da praça acontece pois a comunidade não se reconhece nesse espaço.  Ela afirma que há pouco tempo recebeu na escola a visita do subprefeito de Parelheiros, Abílio Gomes, que ficou admirado em ver que apesar do prédio estar cercado de moradores de rua, no meio de um espaço totalmente destruído, a escola esteja impecável, considerando-a um “verdadeiro oásis no meio do deserto”.

Em entrevista para o Mural Brasil,  Fátima apresentou o projeto a ser desenvolvido com os alunos do CIEJA, no total serão cerca de 516 estudantes trabalhando ao longo do semestre dentro e fora da sala de aula buscando restaurar o valor desse espaço público para comunidade, vendo nas aulas de história o “conceito de praça”, em ciências e geografia a fauna e a flora que compõem o local e todas as vertentes ligadas para compreender e restaurar a Praça do Trabalhador.

Alunos de escola local se envolverão em projeto de revitalização

Em contato com o Departamento de Comunicação da subprefeitura de Parelheiros, foi informado que em breve será firmado um termo de cooperação para tornar a área um importante centro de lazer, recreação e cultura para os moradores de Parelheiros e Capela do Socorro.

Segundo informações obtidas com os organizadores do projeto, a primeira reunião oficial realizada entre a subprefeitura e a coordenação do CIEJA se deu no último dia 3 de agosto. Enquanto se discute as diretrizes do trabalho a ser realizado, a praça permanece nas mesmas condições.

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3 respostas para Depois de campanhas eleitorais, praça em SP é esquecida

  1. Cláudia Pereira disse:

    Parabéns Suevelen pela matéria!!!

  2. Suevelin Cinti disse:

    Obrigada Claúdia!

    Foi muito legal fazer essa reportagem… Os moradores da comunidade perceberam que é possível mudar!

    Durante apuração, entrevistas e tudo mais, a subprefeitura parece ter percebido o desenrolar dessa minha reportagem, hoje já não tem tantos moradores de rua… As grades continuam caídas e a sujeira também continua lá, então, decidi pressionar a subprefeitura um pouco mais… Vou novamente tentar uma entrevista com a equipe de comunicação deles…

    Abraço à todos!

    • Valesca Montenegro disse:

      Isso mesmo Suevelin, temos que ser a “pedrinha” no sapato deles, só assim eles perceberão que a comunidade precisa ser ouvida!Parabéns!

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