Creches devem ser espaços de autonomia

Por Elisângela Fernandes

Mural

Creches devem ser espaços de aprendizado e autonomia A primeira infância é um importante período de desenvolvimento das crianças, sobretudo na construção da autonomia, identidade e da socialização.

De acordo com recente pesquisa, “Educação Infantil no Brasil – Avaliação Qualitativa e Quantitativa”, realizada pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em seis capitais brasileiras, a qualidade das instituições de educação infantil deixa muito a desejar.

Entre os seis eixos avaliados, que analisam os processos educativos e a infra-estrutura das creches, a realização de atividades obteve a menor pontuação: 2,2, em uma escala de 1 a 10.

As creches, que recebem os pequenos de 0 a 3 anos, precisam ser um espaço aconchegante, prazeroso e desafiador, no qual as crianças aprendam coisas novas durante todo o período em que são acolhidas.

Daí a importância do planejamento e da existência de uma rotina. O professor precisa fazer uma reflexão contínua sobre a sua prática, buscar novas formas de trabalho e avaliar o que a criança está aprendendo com as atividades realizadas.

Mas infelizmente, a realização de atividades, essenciais para o desenvolvimento infantil, ainda é um desafio no País. Ao mesmo tempo, a pesquisa reforça a importância de investir na educação infantil, pois demonstra que os alunos que tiveram acesso a uma escola infantil de qualidade alcançaram bons resultados na Provinha Brasil.

Outros estudos nacionais e internacionais apontam também o impacto positivo da educação infantil sobre o aprendizado ao longo da trajetória escolar das crianças e jovens.

“Temos que reconhecer que o Brasil tem caminhado de forma consistente e persistente para a ampliação da cobertura, mas ainda estamos lutando para que esta expansão seja acompanhada da melhoria da qualidade”, afirma uma das pesquisadoras, Eliana Bhering, professora licenciada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora da FCC.

A falta de planejamento pedagógico, segundo ela, é um problema bastante comum. Planejar é preciso Imagine levar um grupo para uma atividade e não ter nada organizado?

É preciso preparar antes para que não haja espera, explica Terezinha Maria do Santos, formadora de professores de educação infantil da Associação Mulheres pela Educação (AME), em Osasco – SP. A escolha e a preparação de uma brincadeira começam antes das crianças chegarem. “Na hora de escolher os materiais, o educador deve estar atento às necessidades do grupo. Em uma atividade de arte, por exemplo, é importante considerar os tamanhos de pincéis”. Os Indicadores da Qualidade na Educação Infantil definem que para crianças de até dois anos deve haver no mínimo um professor para um número de seis a oito crianças. Assim, é comum haver mais de um educador em sala, isso permite que cada um desenvolva atividades diferentes. “Promover a autonomia é dar chance para as crianças escolherem com quem, com o quê e quanto tempo irão brincar, dentro daquilo que foi pensado intencionalmente pelo educador”, explica Eliana Bhering. Ela defende que quanto menores as crianças, as atividades devem ser feitas em pequenos grupos para que o professor consiga interagir com cada uma delas. Os cantos diversificados são uma alternativa e as possibilidades são ilimitadas. Terezinha cita alguns que as crianças adoram: escritório, casinha, pet shop, kit médico, cabeleireiro, entre outros. “Ali as crianças trazem a sua realidade para dentro da brincadeira, e o papel do educador é observar, incrementar, levar novidades”, comenta. Ampliando o repertório Nessa faixa etária, trabalhar a oralidade é fundamental. Realizar rodas de histórias é um exemplo clássico. “É importante apresentar às crianças o universo das histórias infantis e dar oportunidade para que elas comentem. A educadora precisar dar atenção aos balbucios, dar sentido para as pequenas palavras que as crianças pronunciam”, diz Terezinha dos Santos. Conversar com os pequenos durante as atividades rotineiras é outra maneira de contribuir para o desenvolvimento. Na hora da troca, por exemplo, o educador pode descrever o ambiente, as suas ações e os materiais de higiene que são utilizados. “Não queremos contar quantas palavras a criança sabe. Mas sim que ela esteja exposta a um vocabulário amplo, correto e significativo”, defende a pesquisadora da FCC. Aprender a brincar Ao contrário do que muitos pensam, as crianças não nascem sabendo brincar. A educadora tem que brincar junto e mostrar como se faz. Não basta deixá-las em uma sala ou pátio repleto de brinquedos. A formadora da AME conta que é comum as meninas estarem sempre balançando as bonecas nos braços, nesses casos, a professora pode incitá-las a montar uma casinha, fazer com que troquem a roupa da boneca para diferentes situações e assim construir junto a brincadeira. Além disso, os educadores devem promover atividades que desenvolvam tanto a socialização, quanto a individualidade. Nas atividades em grupo, as crianças aprendem a interagir entre elas e entre os adultos. Mas é necessário que na sala haja espaço para que a criança possa escolher um brinquedo ou livro e brincar sozinha se este for o seu desejo. Atividades dirigidas ou livres? Tanto as atividades dirigidas, que pressupõe maior interferência do professor, quanto as não dirigidas, são importantes para o desenvolvimento da criança. Mas independente da escolha, “tudo requer a supervisão do professor”, ressalta Eliana Bhering. Terezinha dos Santos explica que a escolha depende do objetivo que a educadora espera alcançar. É positivo propor atividades dirigidas quando o foco é a promover a independência da criança, sua identidade e ampliar seu repertório. Ao brincar de amarelinha, a criança aprende não só regras do jogo, mas de convivência, como esperar a sua vez, ganhar e perder. Em relação ao movimento, aprende a pular, a se equilibrar e aprimora a coordenação motora ao jogar a pedra. Atividades com água, areia, tinta dão liberdade à criança experimentar e permitem que a educadora observe seu grupo, suas necessidades e partir daí possa propor novos desafios. Outro exemplo de atividade não direcionada é trabalhar com brinquedos de encaixe, que contribuem para o aprendizado das cores e das formas geométricas. Para Eliana Bhering, “é importante que as crianças tenham uma rotina e saibam quais atividades serão desenvolvidas”. Ter a programação na parede, por meio de símbolos, figuras, letras é uma solução simples, que contribui para o letramento.

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