‘E ele lá sabe o que é hip hop?’

Por Valesca Montenegro e Gustavo Lima

Candidato ao governo do estado de São Paulo anuncia que, se eleito, criará o museu do Hip Hop. Será que é isso que nossas comunidades precisam?

Em época de eleições, os candidatos vagam pelas ruas, distribuem brinquedos, ouvem as mazelas da comunidade e, principalmente, constroem sonhos através das promessas.

No dia 15 de maio, no centro de São Paulo, o candidato do PT ao governo estadual Aloizio Mercadante, encontrou-se com jovens da Educafro (Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes).

A Educafro é uma entidade do movimento negro, sem fins lucrativos que luta por justiça e igualdade sociais, através da rede de cursinhos pré-vestibulares comunitários, cuja finalidade é incluir esse grupo nas universidades públicas e particulares.

No discurso, o candidato propôs a criação do museu do Hip Hop e reconheceu a importância cultural que vem dos bairros populares.

Mercadante prometeu construir um Museu do Hip Hop, se eleito

“É preciso colocar o Hip Hop no centro da discussão e da reflexão da cultura em nosso Estado. Esse é um compromisso que eu quero assumir.”

A proposta causou discussão, muitos jovens como Micaela Sales se perguntaram:  “E ele lá sabe o que é o Hip Hop?”

É a Vida que vem de dentro!

As nossas comunidades são muito vivas. Nos finais de semana acontecem diversos movimentos ao mesmo tempo: algumas mulheres batem papo nos portões, outras colorem os cabelos, ou esticam o pescoço acima do murinho para olhar o “movimento” da rua.

As crianças soltam pipas, jogam futebol. Os homens vão jogar bilhar no “bar do seu Zé” quando não disputam uma “pelada” no campinho do bairro. Mas o que chama mais à atenção, é que essas imagens têm trilha sonora.

Você já parou para pensar que sempre tem um som rolando? Alguém dançando, ou cantando. No princípio, você não sabe bem o que é, mas é possível sentir no próprio corpo esse ritmo.

Sim, senhores, nós lhes apresentamos o Hip Hop, ou melhor, a cultura Hip Hop. Ela é composta pelo rap, (ritmo e poesia, é a expressão musical-verbal), graffiti (arte plástica, desenhos coloridos, é o meio de comunicação) e o break (dança de rua).

Breve histórico

A cultura surgiu por volta da década de 70, nos subúrbios negros e latinos de Nova Iorque. Tais bairros enfrentavam problemas de ordem social, como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infra-estrutura e de educação.

Construir museu ou atender às reivindicações das letras?

No Brasil, 40 anos depois, a história se repete. Nossas comunidades enfrentam os mesmos problemas e, como os jovens daquela época, os atuais encontram nas ruas, espaços de lazer para divulgar essas diferentes manifestações artísticas de se fazer música, dança, poesia e pintura, que exteriorizam seus sentimentos, angústias e alegrias.

Um sonho ou mais uma ilusão?

Mercadante sabe a força que o movimento Hip Hop tem para mobilizar a juventude na produção cultural da cidade. Mas isso não é o suficiente. Em entrevista à rádio CBN o candidato afirmou que “deve ser feita uma política de inclusão social. O que mais gostei aqui, foi ter proposto o Museu do Hip Hop, pois vai mobilizar essa juventude da periferia pra ter espaços de cultura que ela não têm tido no estado de São Paulo.”

Criar um museu que difunda a cultura Hip Hop será, sem dúvida, uma forma de apoiar os muitos pensamentos de mudança, já que este estilo artístico é conhecido por falar, de forma rimada, a realidade vivida por muitas pessoas nas comunidades periféricas. Mais que isso, será também o reconhecimento deste movimento como arte.

Promessas em época eleitoral são feitas com muita facilidade, o problema está em cumpri-las depois de assumir um cargo político. Agora, vale pensar: será que criar um museu é a melhor saída para “alcançar” a população carente? Achamos que a solução poderia ser mais simples e barata: atender às reivindicações de importância social presentes, nas letras rimadas.

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