O Jardim Romano está preparado para as chuvas?

por Vander Ramos

Mural

Segundo o observatório climático da Marinha dos Estados Unidos, o mais equipado do mundo, no próximo dia 23 de setembro, às 9h, o globo terrestre entra na estação da primavera, caracterizada pelo reflorescimento da flora e da fauna. No hemifério Norte é conhecida como “Primavera Boreal” e no hemisfério Sul  “Primavera Austral”.

A primavera austral é uma estação que começa no inverno e termina com o início do verão. Essa troca de temperatura, do mais frio para o mais quente, é caracterizada por muitas chuvas na região sudeste e sul do Brasil. Com a chegada da estação de verão, em 21 de dezembro às 20:38h, a região sudeste deixa de acompanhar as características do clima na região sul. Nos estados do Sul brasileiro, o verão é caracterizado por forte insolação durante todo o dia. No sudeste, sempre chove torrencialmente no final das tardes nos dias que antecedem a chegada do verão, durante as chamadas chuvas de verão. Estas chuvas duram todo o verão e vão até o início do outono em março.

Ruas do bairro ficaram completamente alagadas em 2009

Em dezembro do ano passado, vários moradores da região do Jardim Pantanal (Jardim Romano, Vila Itaim, Vila das Flôres, Vila Aimoré, Jardim Helena e Chacara Três Meninas) sofreram com o alagamento de seus lares e ruas durante 51 dias. A água não deu trégua, começou no dia 8 de dezembro, durante o periodo de transição da primavera austral para o verão. Nesta época, ninguém estava praparado para enfrentar a forte chuva que caiu na tarde do dia 7 de dezembro e durou até a manhã do dia 8. A Defesa Civil justificava a pouca ação pela falta de recursos, o governo municipal levou três dias para iniciar definitivamente a operação de resgate das vitimas. Antes, culpou as invasões irregulares de moradias nas margens do Rio Tietê pelas enchentes. 

Duas semanas depois, o chão começou a secar. “Ficou assim por dois dias e achavamos que teríamos um Natal seco…” comenta Raimundo Pires, lider comunitário. Mas a felicidade durou pouco. Na noite de Natal choveu por cerca de 20 minutos, o suficiente para descobrir que o problema das enchentes estava no sistema de drenagem da Prefeitura. Além disto a bomba principal de sucção havia quebrada e ficou inoperante por três dias.
O subprefeito de São Miguel, responsável pela área, não conseguiu justificar a falta de manutenção no sistema de drenagem das águas pluviais. Como as águas não recuaram em dois dias, a Prefeitura pediu ajuda ao Governo Estadual. De repende apareceram policiais militares, bombeiros, Defesa Civil Estadual, Sabesp, etc… A operação estava armada e começaram a surgir dois tipos de soluções: a primeira voltada aos moradores e a segunda, para a permanência dos equipamentos públicos (Postos de Saúdes, escolas, estação de trem) instalados na região.
 
Para os moradores, a solução de remoção das moradias foi muito radical. Foram retiradas no inicio do ano cerca de 1.200 familias da área, mas segundo a secretaria Municipal de Habitação (SEHAB) outras 3.000 famílias ainda serão retiradas, só não sabem como farão isto. A segunda solução, patrimonial,  foi a construção de um dique e um sistema de drenagem de áreas alagadas conhecidas como Polder.

O dique começou a ser construído no dia 19 de Abril, Dia do Índio, a um custo inicial de R$ 31 milhões. O sistema completo custará aos cofres públicos cerca de R$ 75 milhões, segundo a Secretaria Municipal de Infra-estrutura Urbana (SIURB). O dique terá 1.700 metros de comprimento com 3 metros de altura e 14 metros de largura. O objetivo principal é proteger a região das próximas enchentes e impedir o avanço das águas do rio Tietê. “É a briga do Homem contra a Natureza, quem vencerá?” indaga Marinho de Almeida, um religioso.

Outra solução apresentada foi a construção de um reservatório, conhecido como “Piscinão do Jardim Romano”. Este reservatório receberia as águas das ruas, caso estas venham a encher. Depois, cinco bombas elétricas farão o trabalho de jogar a água para o outro lado do dique.

A subprefeitura de São Miguel diz que o sistema de drenagem foi limpo e está operante, mas não explica o porquê da construção do piscinão se o sistema de drenagem está operante. 

As próximas chuvas estão chegando e pela quantidade de água que caiu nesta terça-feira, vem a pergunta: “Como está o Jardim Romano?”.  O bairro sobreviveu com alguns pontos alagados por pouco tempo.

Casas ficaram ilhadas por um ''rio'' que surgiu em dezembro passado

A preocupação é como estará o Jardim Romano no início de dezembro, quando começam de fato as chuvas de verão? As obras estão na fase final e tem previsão de terminar no início de outubro.

Os moradores esperam que a construção do dique e do piscinão não protejam somente os equipamentos públicos da região, mas as suas residências e principalmente suas vidas. Há quem diga que esta obra não resolverá os problemas. “Se fosse assim em todo lugar que há rio haveria um dique para retenção das águas e não existiria enchente em nenhum…” enfatiza o religioso Sr. Almeida.

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