Dia de aula, dia de debate

por Cleber Arruda

Mural

Manhã do sábado 11 de setembro de 2010. Um final de semana que começou diferente para cerca de 24 jovens reunidos em uma sala de treinamento da Folha de São Paulo. Era o primeiro encontro da 2ª turma escolhida pelo jornalista Bruno Garcez, da BBC, para integrar o projeto Mural Brasil, projeto do International Center for Journalists (ICFJ). Os participantes foram selecionados a partir de experiências e anseios em debater e revelar mais sobre a periferia paulista.

O grupo composto por comunicadores sociais, estudantes, jornalistas, profissionais da área, blogueiros, moradores de favelas e periferias de São Paulo, de cara, se apresentou por meio de uma discussão das publicações feitas sobre as suas comunidades no noticiário do dia.

Ao contrário da pouca ou falta de notícias relacionadas àquele universo, o debate foi intenso e proveitoso. Questões como o espaço reservado para periferias e favelas ficar, na grande maioria das vezes, por conta das páginas policiais, esquentou a turma.

Nesse tópico, muitos apresentaram o que suas comunidades realizam de construtivo, principalmente sob o aspecto cultural, mas não se torna interesse público. Ou mesmo, questões de grande importância social, mas que incomodam e/ou são “mascaradas” por trazer à tona fatos e histórias enterradas que precisam ser caladas ou, simplesmente, esquecidas.

Em outro momento, foi levantado o peso da seleção das notícias sob a ótica da procura versus demanda. As periferias têm leitores de jornais? Valerá a pena fugir do estereótipo de lugar violento, cercado de preconceitos para ser publicável?

Partiu daí, duas considerações muito válidas sobre o assunto.

1) A má formação de leitores desde o ensino de base, que como consequência gera não só escassez de mercado na periferia, assim como pessoas com baixo senso crítico e pouca capacidade de se tornar formadores de opinião.

2) Por outro lado, a importância da ascenção das novas classes sociais, que não pode ser ignorado, pelo contrário, deve ser levado à sério e encarado como um potencial novo mercado sedento de informações.

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6 respostas para Dia de aula, dia de debate

  1. Acho que o debate foi tão positivo, porque embora tenhamos todos opiniões diferentes, elas acabaram se completando em um raciocínio único: a imprensa precisa mudar!

  2. Também acho que o debate tenha sido muito positivo. E assim como a Juliana, acredito que a imprensa tenha mesmo que mudar, e parar de lançar seus olhares para a periferia somente como fonte de notícias ruins.

  3. Vander Ramos disse:

    Aqui no Itaim Paulista, zona leste, estamos cansados de ser noticias para paginas e programas policiais, acho que toda periferia.

    Ontem (13/09), clientes de uma agência bancária que estavam na área dos caixas eletrônicos de um banco no Itaim Pta foram assaltados. No noticiário do dia, eu contei cerca de 16 materias de diferentes veículos de comunicação sobre o assunto no “google noticias” com o titulo: Agência bancária é assaltada no Itaim Paulista. Na verdade não foi a agência que foi assaltada e sim os clientes que usavam os caixas eletrônicos após as 17 horas. Nesta horário a agência estava fechada.

    No dia anterior (12/09 – domingo) aconteceu há poucos metros desta mesma agencia a visita do cineasta CACA DIEGUES e CACAU AMARAL do filme “5X Favela por nós Mesmos” na Casa de Cultura do Itaim Paulista. Eles vieram a convite de Alessandro Buzo para mostrar como foram as gravações do filme que está no cinema através de um documentário que rolou paralelo às gravações do filme. Este evento não foi noticia em nenhum jornal, radio ou TV de grande midia. E olha que o filme está em cartaz nos principais cinemas do Brasil.

    Então amigos, não precisamos que formem leitores de jornais nas periferias, é a periferia que tem que formar os editores dos jornais.

    Cabe a vocês, da turma do Projeto Mural apreender isto com o Bruno Garcez e mostrar as suas aldeias para a grande mídia.

    Aqui já fazemos nossa parte através do Portal http://www.itaimpaulista.com.br que ao longo dos 12 anos vem mostrando ao governo o que queremos e não o que eles (governo) querem.

    Vander

  4. Muito bom, Cleber. Descreveu perfeitamente nosso encontro, e acho isso muito importante, pois vale a todos nós, e também às turmas que virão mais tarde como um registro dessa vivência.

  5. Adriana Aquino disse:

    Muito bom o texto, Cleber. O que tenho notado em minhas leituras é que, no geral, os veículos costumam destacar as notícias negativas em detrimento das boas. É como se fosse mais prazeroso falar de problemas do que apresentar as soluções. O caso se agrava quando se fala da periferia e aí violência passa mesmo a ser empregada como seu sinônimo. Por isso, projetos que ofereçam a oportunidade de contato com novos pontos de vista são muito válidos e sempre bem-vindos por equiparar o que se noticia com a realidade.

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