Reciclagem de lixo possibilita inclusão social

por Anelize Moreira

Mural

A sociedade contemporânea consume cada vez mais produtos industrializados e descartáveis. Como resultado dessa ação, diariamente a capital paulista produz cerca de 15 mil toneladas de lixo. Segundo a prefeitura de São Paulo, deste montante, menos de 1% é reciclado e 9 mil resíduos domiciliares vão para lixões e aterros sanitários.

Depositados de modo inadequado, o lixo aumenta a degradação dos recursos naturais renováveis e não renováveis do planeta. Nesse sentido, há um novo nicho no mercado que enxerga o lixo como matéria–prima. São as cooperativas de materiais recicláveis que assumem o papel de geradoras de renda e organizam os catadores de materiais, que antes atuavam em ruas e lixões.

Segundo pesquisa da prefeitura de São Paulo de 2008, 964 pessoas conseguiram um emprego através de programas de coletas seletivas de 15 cooperativas conveniadas a prefeitura. Fundada há seis anos por um grupo de 22 catadores que viviam da coleta de lixo nas ruas a Cooperativa Nova Conquista, localizada no bairro Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, hoje emprega 72 cooperados.

Cooperativa Nova Conquista, no Itaim Paulista, emprega 72 pessoas
Cooperativa Nova Conquista, no Itaim Paulista, emprega 72 pessoas

“O principal motivo de nos organizarmos e fundar uma cooperativa foi o alto índice de desemprego na região do Itaim Paulista. A falta de opção obrigou a nos reunirmos em busca uma fonte de renda alternativa, mas também há uma preocupação com o meio ambiente”, diz o presidente da cooperativa, Arami Pincerno.

Além dos 72 cooperados internos, há 20, que trabalham nas redes de coleta do Pão de Açúcar. A cooperativa conta com o apoio da prefeitura, que cede o espaço físico, e equipamentos para produção. É coletada uma média de 150 toneladas de material reciclável, o que gera uma receita de R$45 mil mensais. Esse valor é divido igualmente entre todos e pode variar de acordo com a produção do mês.

O perfil dos coletores de material são pessoas que não conseguiram se integrar na sociedade e adquirir um trabalho. “Eles procuraram um emprego na cooperativa como última alternativa e geralmente, são ex-viciados, ex-presidiários e semi-analfabetos”, explica Pincerno.

Saturnino Francisco de Oliveira, 68 trabalha há 6 anos na cooperativa. Antes de ser cooperado, ele morava na rua, não conseguia trabalho por conta da idade e por ser semi-analfabeto. “Eu catava lixo na rua antes de conhecer a cooperativa”, diz Oliveira.

O ex-morador de rua conseguiu comprar uma casa própria com a renda do seu trabalho. “Estou feliz aqui, tenho uma renda de aproximadamente R$800, que dá pra sustentar minha família. Antes estava sem esperança, não conseguia nada, agora estou bem melhor do que antes, na época que morava nas ruas”, conta Oliveira.

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4 respostas para Reciclagem de lixo possibilita inclusão social

  1. Amei o post! Eu, como boa ambientalista que sou, costumo dizer que esta nova geração é descartável. Tudo é descartável, desde um simples copinho até aparelhos eletrônicos que ficam ultrapassados a cada 3 meses em média. Hoje em dia, mesmo com toda a discussão sobre sustentabilidade e aquecimento global em voga, a mídia nos leva cada vez mais a nos tornarmos consumistas. Estamos sendo educados para consumirmos cada vez mais. Na maioria das vezes, as compras são realizadas pelo simples desejo de ter e não por necessidade, afinal, na propaganda diz: “se você não tiver um desses, você não é legal!” Existe um video-documentário feito por Annie Leonard (atriz norte americana) chamado “A história das Coisas” (The Story of Stuff) que sintetiza de forma simples toda essa cadeia de consumismo. Para quem ainda não conhece o documentário, vale a pena ver! segue o link do video: http://pueras.blogspot.com/2009/07/para-assistir-e-refletir.html

  2. Cleber disse:

    Iniciativa sensacional! Isso sim é sustentabilidade na prática, com soluções eficazes para resolver problemas sérios, como o reaproveitamento da grande demanda de lixo e inclusão social.

  3. eu trabalho na cooperativa nova conquista

  4. Paula Bella disse:

    Gostei do post! Eu e minha família levamos nosso lixo para o Pão de Açucar, e lá perguntei uma vez, para a separadora dos materiais, para onde o lixo era levado, ao que ela me informou ser para a Cooperativa Nova Conquista. Entretanto, é difícil conseguir informações sobre qualquer cooperativa de reciclagem na internet (já realizei várias pesquisas). Esse post foi uma boa iniciativa, e espero que inspire mais gente a fazer matérias e reportagens sobre o tema.

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