A arte também vem da periferia

por Jéssica Moreira

Mural

Na tarde deste sábado, 18, o poeta Sérgio Vaz, criador do Sarau Cooperifa, fez uma visita ao projeto Mural Brasil, com o intuito de explicar a literatura marginal que vem surgindo na cidade de São Paulo.

Sérgio Vaz chegou à sala de treinamento da Folha de S. Paulo às 15h, enquanto os participantes do projeto editavam seus vídeos e textos sobre suas comunidades e eleições.

Deu início ao bate-papo com um de seus mais críticos poemas – “Os Miseráveis” – que fala das desigualdades entre meninos de classe baixa e alta.

Sobre o sarau, Sérgio diz que ao ir em um evento de literatura, não se adaptou àqueles letrados que se sentiam deuses no Olímpio, que não se misturavam com o povo.

“Eu, maloqueiro, cheguei na roda de literatura, esperando a hora de interagir com o povo e eles não se misturavam”, explica o nojo que sentiu daqueles escritores, pois sua idéia não era se restringir a um casulo, pois ninguém é mais importante porque sabe escrever.

O sarau ocorre em um bar do extremo sul da capital de São Paulo, reunindo pessoas da região e outras vindas de vários outros lugares.

Além de poesia, ocorre também o Cinema da Laje e há um dia também para divulgar o projeto pelo ar. Os participantes colocam suas mensagens nos balões com gás hélio e o soltam pro céu, é o evento chamado Poesias no ar.

O poeta, que cresceu também na periferia, diz que em sua casa podia faltar qualquer coisa, menos um livro. Lançou seu primeiro livro em 1988, quando pouquíssimas pessoas de sua comunidade imaginavam em escrever um livro.

Ele diz que sempre foi revoltado, e que, por meio da literatura, encontrou um modo de expressar todo seu descontentamento.

Como diz Ferreira Gullar “só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não tem voz”, cita o poeta que vê na literatura uma forma de dar voz às comunidades que não possuem infra-estrutura para a ampliação da arte.

Questionado sobre a mídia e como esta retrata a periferia, Sérgio comenta que não se importa com a omissão da mídia quanto à periferia.

“ O que me incomoda é a mídia negativa”, que deixa de mostrar os pontos positivos da periferia, para mostrar apenas as tragédias, resultando em sensacionalismo.

Porém, ele crê que é preciso acreditar em pessoas e não em instituições, pois há pessoas sérias mesmo em lugares medíocres ou vice-versa.

O encontro foi finalizado com a apresentação do vídeo “Poesia no ar” e também com mais um poema de Vaz, “Homenagem a Sabotage”.

O sarau Cooperifa ocorre todas as quartas, no bar de José Claudio, conhecido como Zé Batidão, na Rua Bartolomeu dos Santos, 797, em Piraporinha, Zona Sul de São Paulo.

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3 respostas para A arte também vem da periferia

  1. Wilheim Rodrigues disse:

    Muito bom, Jéssica. Parabéns.

  2. Me emocionei muito ontem, com a visita do Sergio Vaz. Ainda bem que ninguém viu, mas enquanto o video era exibido, meus olhos estavam marejados. Vi nele, a mesma paixão pela comunidade que há em mim. Os olhos dele brilham quando ele fala sobre a Cooperifa.
    Um grande transformador, agitador cultural e revolucionário homem…a comunidade agradece!!!

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