Eu, eleitor

Estamos há poucos dias da eleição na qual iremos eleger um novo presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

Mas, em meio à avalanche de escândalos e trocas de acusações, pouco se sabe a cerca das propostas dos candidatos, pouco ou nada se noticia sobre seus projetos de governo e muitos dos que pleiteiam cargos são completos desconhecidos dos eleitores.

Como as eleições estão afetando a sua comunidade, o seu bairro, a região em que você vive?

Quais as expectativas de seus vizinhos e conhecidos da região em que você vive em relação ao que se passará após o dia 3 de outubro?

Quais os principais temas em jogo para os moradores de sua área?

Assuntos considerados prioritários pelas pessoas que vivem na sua região estão sendo contemplados pelos candidatos?

O espaço abaixo é seu para discutir estes e outros temas  ligados à eleição.

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39 respostas para Eu, eleitor

  1. A nova classe C já sabe em quem votar.

    Ao visitar uma loja das Casas Bahia na Lapa, zona oeste de São Paulo, é possível encontrar uma boa amostra da nova classe C. São pessoas que fazem fila a cada novo lançamento tecnológico, e que pela primeira vez, têm o gosto de realizar seus sonhos de consumo.
    Antônio Coelho Neto, 42, compra seu primeiro aparelho de TV com tecnologia digital. Dono de um pequeno comércio na Vila Santa Catarina, ele diz que “agora pode pensar em um futuro melhor para seu filho, pois o pais está olhando mais para os mais pobres”.
    Já Andressa Santana, 32, compra toda a nova mobília da casa. “Os últimos anos foram especialmente melhores para nós. Mesmo morando na periferia – Perus – eu me sinto mais inserida na economia do pais. Agora eu me sinto parte do projeto brasileiro”, diz a consultora financeira.
    “Não dá para pensar em retomar ao projeto antigo. Lula soube fazer um governo que olha mais para os mais pobres, para aqueles que realmente precisam de maior atenção, isto é governo justo. Não dá para tratar diferentes de maneira semelhante. O bom governo é aquele que olha com maior carinho para aqueles que precisam de ajuda e distribui melhor a riqueza do pais”, comenta Geraldo Muniz, 49, dono de uma rede de padarias na zona oeste da capital. Segundo ele, o negócio, que nos anos 90 pouco prosperou, cresceu muito com o aumento do poder aquisitivo da população de baixa renda, que agora “compra mais e tem maior segurança na hora de tomar crédito”.
    Esta é a nova realidade de cerca de 11 milhões de famílias que nos últimos anos deixaram a pobreza e agora compõem a chamada, nova classe média brasileira. Esta parcela da população – em grande parte seguidora de religiões protestantes e habitante de bairros periféricos – tem renda familiar mensal de R$ 4 mil e nestas eleições só pensa em uma coisa: continuidade.
    Para além das investidas marqueteiras do atual governo, a era Lula logrou de certo sucesso em dados econômicos e sociais. Mesmo que parte de seu desempenho tenha bases plantadas na fase FHC – e tucana -, o Brasil de Lula soube aumentar a distribuição de renda e o poder de compra dos cidadãos das classes menos abastadas da pirâmide.
    “Todas as pesquisas indicam que o governo Lula conseguiu distribuir renda significativamente. Tanto para os miseráveis, quanto para a nova classe C. O poder de compra dos salários e a empregabilidade formal aumentou. Na medida em que o crédito se expandiu, as pessoas compram mais e sentem que a vida melhorou, elas confiam um voto neste projeto. É uma espécie de voto de confiança”, pondera Francisco Fonseca, professor de ciências políticas da FGV. Segundo ele, “é muito difícil para a oposição propor uma mudança em um quadro favorável ao cidadão”.
    As últimas pesquisas eleitorais indicam uma estabilidade nas intenções de voto, com Dilma Rousseff (PT), abocanhando cerca de 50% das intenções de voto, e o candidato José Serra (PSDB) com uma média de 25%, o que daria, hoje, vitória no primeiro turno para a candidata petista. Para o professor de ciências políticas da UFMG, Rodrigo Patto Sá Motta, “a nova classe C e os mais pobres estão muito satisfeitos com o momento econômico atual e identificam isto com o governo Lula. Nesta linha, as pesquisas indicam que estes segmentos têm uma preferência forte pela candidata governista”.
    Eduardo Garcia, 36, representa o pensamento da periferia ascendente. Filho de operários industriais e há 5 anos empregado de um escritório de advocacia de São Paulo, confessa sua preferência pela candidata petista. “Este governo me deu a oportunidade de construir certa estabilidade em vinha vida financeira. Consegui ser empregado e meus rendimentos me permitiram comprar uma casa e decorá-la como sempre sonhei. Não tenho porque votar de outra maneira. Sou eleitor da Dilma”, diz ele.
    Lúcio Flávio de Almeida, professor do departamento de política da PUC-SP, acredita que “a oposição – representada principalmente por PSDB e DEM – se distanciou das causas populares. O grande eleitorado identifica o candidato José Serra como representante das elites. O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é taxado como ícone conservador, o que prejudica muito a campanha oposicionista”. Segundo ele, mesmo as denúncias de corrupção amplamente divulgadas nas últimas semanas pouco devem alterar o quadro eleitoral, “já que o eleitor olha com descrédito para acusações e denúncias em momentos próximos às eleições”.
    Na avaliação da historiadora da USP, Maria Aparecida de Aquino, “as denúncias que surgiram nas últimas semanas, mesmo que sejam graves e mereçam investigação, são de difícil compreensão para a população. O que interessa ao povo é ter suas necessidades básicas atendidas. As pessoas não se identificam com este tipo de corrupção que não lhes afeta diretamente”, conclui.

  2. Racionalidade, onde está você?
    Abriu os olhos e se viu em um monte de caixas de leite. Uma casca de banana sustentava sua cabeça. Mal se lembrava de como tudo aquilo havia parado em sua cama. Levantou-se, caminhou até onde os outros dormiam e percebeu que todos tinham o mesmo problema. Passou a se indagar, aquilo estava certo? Era naquele lugar que tudo aquilo devia estar?
    Lembra-se de quando apareceu pela primeira vez na região. Seus amigos o alertaram de que não eram bem-vindos e de que às vezes poderiam sofrer maus tratos. Lembou-se também de quando ouvia na frente das padarias e comércios que, ele e sua turma eram problemas de saneamento básico e administração pública.
    Pulou o segundo saco preto, aberto e cheio de moscas, chamou um amigo e tentou entender o que havia acontecido do dia para a noite. Recordou de ter visto um grande caminhão mal cheiroso passar por aquele lugar na noite anterior e pensou que aquele veículo teria que resolver o problema. Não resolveu.
    Depois de longos minutos filosofando sobre aquilo, sua sabedoria canina concluiu: “eu não tenho onde morar, não tenho quem me adote, nasci e sou obrigado a ficar em algum lugar. Mas esse lixo, esse lixo não devia estar aqui, na rua, no meio do bairro onde crianças deveriam brincar. “ Quem será o maior problema de administração pública? O cachorro sem dono que, muito provavelmente, foi colocado na rua por um morador sem consciência cívica, ou aquele monte de lixo jogado deliberadamente por algum órgão da prefeitura?
    Sorriu, virou as costas e mais uma vez pensou “onde está toda aquela racionalidade da qual os humanos tanto se gabam?”

    • Leandro Vieira disse:

      Pois é… Somos melhores quando costumamos misturar, em doses corretas para cada ocasião, razão e emoção.

      Talvez a racionalidade esteja dando lugar aos Idiotas da Objetividade, espécie (infelizmente) longe da extinção. O IdO gosta de colocar fórmula onde não tem, ao invés de analisar as coisas com o mínimo de sensibilidade e cérebro. E, aí, o torto continua torto.

    • Gostei da sacada da Ju pelo fato dela se colocar na pele de um cão de rua, onde derepente ele se vê em meio a bagunça dos seus semelhantes que se dissem racionais. Me identifiquei com a ultima frase: “onde está toda aquela racionalidade da qual os humanos tanto se gabam?”.

      Até um cachorro sabe o quanto estamos atrasados…

  3. Zona Sul, zona caos!
    É ano de eleição, e algumas das principais preocupações dos moradores da região da zona sul de São Paulo, dos bairros Jardim Primavera e Grajaú é com as propostas dos candidtos referente ao transporte público e sistema de segurança dos bairros.
    No bairro do Jardim Primavera, a principal preocupação dos moradores é com as linhas de ônibus que operam com dificuldade de segunda a sexta feira, e aos sábados e domingos algumas linhas são retiradas, dificultando ainda mais o acesso dos moradores á outras regiões, se tratando de um bairro muito distante do centro.
    Segundo a moradora do bairro Jardim primavera Natália, estudante de administração, o transporte aos finais de semana se torna um verdadeiro caos, a começar pelo grande intervalo de tempo que as linhas demoram para realizarem seus trajetos. ” São retiradas três linhas de ônibus nos finais de semana, isso dificulta muito o nosso acesso á outras regiões, pois perdemos muito tempo esperando um ônibus passar e demoramos mais para aproveitar um momento que deveria ser de lazer”.
    Segundo Natália, o único candidato á Deputado Federal da Região é Carlos Gianasi, cuja campanha é focada na melhoria da educação nas escolas da região e na extinção sistema de aprovação automática dos alunos.
    Há um problema também com a praça João Goulart do bairro, que deveria ser um espaço de lazer, mas se encontrava depredada antes das campanhas eleitorais, e segundo alguns moradores, a praça recebeu reforma na quadra e pintura durante as campanhas.
    Na região do Grajaú, o principal problema também é o tranporte, mas a preocupação é com algumas linhas da empresa Bola Branca que faz o trajeto do Grajaú até o bairro de Santo Amaro, segundo a moradora Vânia, estudante de Comunicação, essas linhas são as únicas que fazem esse trajeto devido ao grande número de passageiros que moram na região e tem como única opção essas linhas. O grande fluxo da região acarreta em trânsito apesar da avenida Jeqeurituba ter sido recapiada, segundo alguns moradores, esse processo não trouxe melhorias. Há também o problema com os esgotos da região do Grajaú, quando são realizados algum tipo de tratamento, os mesmos são deixados pela metade no termino das eleições, e quando chove, o problema acarreta em enchentes.
    O principais partidos políticos que fazem campanha na região são do PT e PSDB, ambos os partidos enfatizam a campanha em favor do transporte, da não retirada das linhas que estão sendo ameaçadas de extinção e da implantaçãp de novas linhas.

  4. Cidade Tiradentes e as eleições 2010.

    Por Giselle Vergna

    Estamos a 16 dias das eleições, e aqui na Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, tenho notado as pessoas pouco animadas com a política, de um modo geral. O assunto mais comentado nas ruas do bairro é sobre a candidatura de Francisco Everardo Oliveira Silva de 45 anos. Você não sabe quem é? Isto não é nenhuma surpresa para mim!

    Confesso que, se eu ouvisse este nome por ai, pensaria que é um candidato igual a qualquer outro. E digo mais: com certeza, se eu o visse andando na rua, sem os apetrechos exageradamente coloridos com o que ele costuma se caracterizar, jamais eu o reconheceria. Pois bem, o candidato em questão, ficou conhecido como Tiririca nos quatro cantos do país ao emplacar em 1996, a música “Florentina Florentina”.

    Tiririca é candidato a deputado federal pelo Partido da República (PR). Sabe apenas ler e escrever, diz que não tem idéia do que faz um deputado federal, se auto entitula “o abestado”, e, pasmem: seu slogan de campanha já é considerado um dos mais repetidos pelos eleitores. “Vote no Tiririca, pior que tá, num fica!”

    Foi a primeira resposta que ouvi de Rosangela M. S. Heyek (41 anos/Do Lar), ao questioná-la sobre como ela estava encarando as eleições 2010. Rosangela, ainda rindo de sua resposta, me confessou: ” – Estou perdendo a fé em toda essa coisa de política, eleições e governo. Toda eleição é a mesma ladaínha. Eles prometem mundos e fundos, se elegem e depois esquecem as promessas que fizeram. A saúde não é a maravilha que dizem que é, no horário político, e aqui no bairro, estão construindo cada vez mais prédios para as pessoas virem morar. Mas estão se esquecendo da infraestrutura como a ampliação do transporte, por exemplo”. Rosangela reclamou também da educação: ” – Minha filha Fernanda, de 14 anos, foi fazer uma prova recentemente para o processo seletivo na escola Objetivo e não passou, Não ficou nem na média. Ela me disse que na prova, caíram questões sobre as quais ela não aprendeu na escola pública onde estudou”.

    Outro depoimento que me chamou a atenção de uma forma negativa, e já começou com a frase categórica: ” – Odeio política!”, foi o depoimento de Johnny F. Gomes de 21 anos, Professor de Desenho: ” – Tenho título de eleitor desde os 16 anos e desde então, voto em branco ou anulo. Não voto em ninguém, porque acho que isso é uma forma do governo lucrar às custas do povo. Enquanto uns candidatos ficam trocando acusações e contando mentidas na propaganda eleitoral, outros fazem palhaçadas para zoar com a nossa cara. Tudo isso é uma palhaçada, nunca muda, só piora. Uma prova disso é o Tiririca ser candidato a deputado federal”. – Mas você não acha que votando em branco ou nulo, você acaba contribuindo para que situação piore? ” – Não é o meu voto que vai fazer a diferença, meu voto não vai mudar nada, não vai fazer falta!”

    Já Eduardo Marinho, tem 26 anos, é “Escritor de Graffiti” e mais conhecido no bairro como “Credo”. Ele me disse que está cansado de ouvir os mesmos assuntos nas propagandas políticas. ” – As promessas não mudam. Saúde, educação, transporte, trânsito, habitação não deveriam mais ser abordados em suas propostas porque esses itens são básicos a que a população têm direito, e obrigação de todos os governantes. Sobre isso, não deve-se mais discutir, e sim, fazer e pronto! Quero ver mais propostas para os esportes e para a cultura, que são quesitos nos quais eu acredito que ajudam as pessoas crescerem pessoalmente e ampliarem seus horizontes.

    Considerando todas as abordagens que fiz aos moradores da Cidade Tiradentes durante esta semana, concluí que a maioria dos eleitores se mostram indiferentes ao que é discutido no horário político ou em debates entre os candidatos. Separei esses três depoimentos acima porque, apesar dos três também citarem a mesmice dos candidatos, eu consegui prendê-los por alguns minutos durante a entrevista e até desenvolver uma conversa. Enquanto que a maioria das pessoas que eu abordei, me deixaram falando já na primeira pergunta, dizendo: ” – Política não é comigo.” Acredito que esse comportamento de apatia do povo às questões políticas já vem se arrastando há alguns anos. E o fato de um palhaço abestado que também é mágico, mesmo só sabendo ler e escrever, estar na disputa pelo cargo de deputado federal, contribuiu ainda mais para a população fechar os olhos, virar as costas para a política e fingir que está tudo bem.

    • Gostei muito da tua ideia Giselle, principalmente levando em onta que tu não és jornalista. Salvo algumas alterações, é um bom texto e tem profundidade.

      • Maria Aparecida Alves da Silva disse:

        Boa abordagem!!
        As eleições 2010 são uma prova do quanto precisamos melhorar. Dos investimentos que o Brasil precisa em educação, para evitar que candidatos sem nenhuma plataforma e com discursos vazios, como o Tirica, vençam e ainda levem outros na sua bagagem.
        É o momento em que o eleitor tem em suas mãos um instrumento extremamente importante: o voto. Através dele poderá escolher os seus dirigentes, acreditando que podemos sim construir uma sociedade melhor, pois do contrário,em 04 anos teremos a certeza de que as coisas podem ficar piores. O problema é que será tarde demais para arrependimentos. Tá na hora de exercer a verdadeira cidadania.

    • Luana Pequeno disse:

      De fato, parece que as pessoas perderam as esperanças com as eleições. É triste saber disso, mas é a realidade. As pessoas pensam que o voto delas não vai fazer diferença, e quando surgem candidatos como o Tiririca e a Mulher Pêra, a população fica mais perdida ainda.

      Acho que o fato dos moradores da Cidades Tiradentes não se importaram com a política, só reflete o buraco que ainda temos na democracia. Até que ponto nosso país e um país democrático? Democracia é muito mais do que, por obrigação, votar em um candidato. Democracia é querer participar da política e, infelizmente, boa parte da população não faz questão disso.

  5. Não só de futebol vive o homem, mas de toda a eleição do povo de Deus

    por Jéssica Moreira

    O ano de 2010 foi marcado pela hashtag #calaboca, utilizado por usuários do twitter como reação ao mau desenvolvimento da seleção brasileira nos jogos da Copa. Cala boca Galvão, Dunga, Felipe Melo e a seleção inteira. Passados praticamente três meses é a vez das Eleições-2010 entrarem em destaque no país. E aí, será que o povo também dá um #calaboca na seleção de candidatos que por aí estão vindo?
    Tarde ensolarada. Não há sequer um guarda-sol cobrindo suas cabeças. Até a marmita, enrolada em guardanapo, esquenta-se. Esse é o dia-a-dia de Dona Maria da Piedade, Seu Ivanildo e também Júlio César. Todos são trabalhadores ambulantes e atuam em uma das praças de Perus, último bairro da capital paulistana no sentido noroeste.
    Dona Maria, mesmo em seu momento de almoço, fez questão de oferecer seu ponto de vista quanto à política. Porém, diz ela que esse ano votará nulo, pois afirma não encontrar opções que lhe agradem. Moradora do bairro há 35 anos, sente dificuldades em lembrar o nome de algum deputado ou qualquer outro político que de fato tenha feito algo pela população.
    Julio Cesar, 33, mesmo não sabendo a quem irá direcionar seu voto, mostra-se indignado com a educação no Brasil. Aponta que é um erro crianças que não sabem ler ou escrever passarem de ano. “Para eles [governantes] é bom ter o povo analfabeto”, explica Julio, que pretende votar em alguém que realmente invista na educação do país. Julio vangloria os feitos de Marta Suplicy, atual candidata ao Senado pelo PT, principalmente pela construção dos CEUs (Centro de Educação Unificado) e do bilhete único.
    Seu Ivanildo, vindo do nordeste e residente em Perus há 30 anos, é petista fervoroso. Afirma com muita convicção que votará em Dilma Roussef, candidata do PT à presidência, pois segundo ele com certeza ela vai dar continuação, é do PT, é do lado dos trabalhadores. Faz elogios ao mandato de Erundina, pelas moradias que em seu governo foram construídas e também à Marta Suplicy, por conta do transporte. Porém, Seu Ivanido não sabia que Marta esse ano é candidata ao senado. Ao saber, logo atribuiu seu voto a ela.
    Por meio desses três relatos, percebe-se que há, pelo povo de Perus, uma grande admiração pelo governo petista de Marta Suplicy. Isso se deve à existência do CEU no bairro, pois essa construção passou a integrar e trazer opções de lazer a toda a população, independente da idade ou classe social. Além disso, o governo do PT na prefeitura ganhou muitos adeptos do Bilhete único, algo que revolucionou o transporte e a vida do cidadão na cidade de São Paulo.
    Por outro lado, os membros do Sindicato dos trabalhadores de Perus (Sindicato dos trabalhadores da Fábrica de Cimento), dizem que o governo petista deixou muito a desejar aos trabalhadores, pois esperavam muito mais apoio aos movimentos já existentes, por ser o PT um partido de bases esquerdistas, comenta Sidnei Fernandes, Presidente do Sindicato que, num certo momento, já foi diretor da CUT ( Central Única dos Trabalhadores).
    Silvana Camargo reside em Perus há 38 anos, é ex-militante do PT e atua como secretária do Sindicato dos Trabalhadores. Muito envolvida nos processos políticos, Silvana já tem na ponta da língua os números que irá votar. Para ela, que em um passado não muito distante esteve mais envolvida à política, o voto obrigatório não é um dever e sim um direito, afirma Silvana dizendo que irá votar em Ivan Valente (PSOL) para Deputado Federal, pois ele é um candidato que auxilia nos processos que envolvem a previdência social e esteve ligado ao projeto da Ficha Limpa.
    A secretária se revolta ao ver as bocas de urna formadas na política. “Hoje em dia a militância é paga. Eu nunca recebi pra militar”, fala indignada, pois para ela um partido não pode comprar o voto de ninguém, mas sim ter objetivos para o povo em um todo, principalmente melhorias na educação e na valorização, formação e reciclagem dos professores. “E se vir o Alckimin não há diálogo”, coloca Silvana, já mostrando seu descontentamento com o atual governo de São Paulo (PSDB).
    Como se pode notar não é possível generalizar o povo, pois o modo como as pessoas enxergam as eleições e o direito ao voto varia das experiências de vida que cada uma delas teve. Desse modo, percebe-se que mesmo sendo um bairro esquecido, por ser muito afastado de centro, há sim, no bairro de Perus, grupos que vêem na política uma forma de mudança social.

    • Voto nulo ownando, socorro! Lá na Penha tbm tá assim (vide meu post).
      Incrível como os eleitores da Dilma só oferecem seu apoio à candidata por causa de seu envolvimento com o Lula. Não cabe a mim julgar sua honestidade ou seu plano de governo (pelo menos nesse comentário), mas não creio que seja um critério válido.
      Uma outra coisa que observo é que o brasileiro adora essa imagem patriarcal/matriarcal. Lembra do Getúlio, o paizão dos pobres? A Dilma assumiu imagem do que mesmo? DA MÃE DOS POBRES! Freud explica. Ou não.

      Bom saber que as opiniões são heterogêneas. Gosto de conversar com gente articulada!

      Beijoss (K)

  6. Valéria Vieira disse:

    Você vota?

    É engraçado, e às vezes irritante, ver como a periferia vira objeto de desejo dos políticos em época de eleição. Eles sempre aparecem prometendo alguma melhoria. Andam no meio do povo, dizem que têm origem pobre, beijam alguns bebês, até utilizam ônibus ou metrô para mostrar que são do povo, que governam para o povo. Entretanto, esse “amor” acaba quando o resultado das eleições sai. Cenas como essas são corriqueiras e não seria diferente nesta eleição.

    No último dia 5 de setembro, uma festa foi realizada em Itaquera. Até aí tudo bem, um caso corriqueiro se não fosse, na realidade, campanha política. A “festa”, segundo os presentes, era patrocinada pelo Centro de Educação Infantil (CEI) Indireto – Espaço da Comunidade IV, mais conhecida como creche da Vila Verde. “Você vota?”, era o que perguntavam na entrada da casa de eventos. Se sim, “você pode preencher esse papel?”.

    A maioria presente era composta de mães com seus filhos. Imagens do CEI mostrando o quanto é bom se misturavam com bandeiras e panfletos de um candidato a deputado estadual. “Não vamos jogar nosso voto fora. Vamos votar em quem pensa em nós, que faz alguma coisa por nós. Não precisa votar no partido inteiro. Cada um tem seu preferido. Que mãe não quer ver seu filho seguro na creche para poder trabalhar? Vote nele, ele pensa na gente”, dizia uma senhora.

    A campanha era de Carlos Bezerra Jr, candidato a deputado estadual, e a “festa” era para promovê-lo. Mas e o que o CEI tem a ver com esse candidato? Por que está fazendo campanha política? Foram perguntas que não saiam da minha cabeça. Bezerra foi um dos fundadores, e presidente, da Fundação Comunidade da Graça, entidade que administra o CEI, daí a ligação. Não era a creche que patrocinava o evento, mas a fundação. “Se você quer uma creche boa como está que está vendo nas imagens, vote em Bezerra”, era a mensagem que queriam passar.

    Entretanto, creche não é proposta exclusiva de Bezerra, mas de muitos outros políticos. A candidata à presidência do Brasil Dilma Rousseff promete construir 6 mil creches no país em 4 anos, 1.500 por ano. Geraldo Alckmin, candidato a governador de São Paulo, não fica atrás e promete 1.200 em todo o estado de São Paulo.

    No meio de tanta promessa, os dados são alarmantes, e a população carente é a que mais sofre. De acordo com dados oficiais da Secretaria Municipal de Educação, em junho deste ano, a demanda por vagas na cidade de São Paulo era de 135.463, sendo 94.974 em creches (CEI – 0 a 3 anos) e 40.489 em pré-escolas (Emei – 4 a 5 anos). As seis áreas que possuem a maior demanda de vagas são periféricas, segundo o levantamento da secretaria:

    Distrito Creche Pré-escola
    Campo Limpo 3.663 1.505
    Capão Redondo 3.783 2.462
    Cidade Ademar 3.623 2.002
    Grajaú 5.290 3.071
    Jardim Ângela 4.545 2.682
    Jardim São Luís 3.735 1.063

    Basta procurarmos alguma notícia sobre creches e pré-escolas que encontraremos muitas reclamações sobre a falta ou a péssima qualidade na educação infantil, ou mesmo se sairmos à rua, veremos o problema escancarado (só na minha, onde fica a creche, seis crianças aguardam na fila de espera).

    Segundo matéria divulgada no dia 3 de junho deste ano pelo UOL Educação, a Justiça determinou que a Prefeitura garantisse vagas em creches e pré-escolas nos bairros carentes de Ermelino Matarazzo, Itaim Paulista e São Miguel Paulista, todos na zona leste de São Paulo. Já a divulgada pelo o Estado de S. Paulo, em 11 de setembro deste ano, afirma que a Justiça quer zerar o déficit de vagas na zona sul. A matéria ainda aponta que “a falta de vagas em creches da rede municipal de São Paulo tem motivado inúmeras ações civis públicas de pais que buscam a Justiça desde 2004. Foram 14 ações coletivas propostas no período na capital que pediram o atendimento de alunos sem matrículas no ensino infantil – 12 delas tiveram deferimento favorável da Justiça”.

    Os problemas continuam, aumentam. Cabe a nós votar com consciência, pois os políticos têm “memória seletiva”, lembram apenas das promessas de campanha que lhes são convenientes. Sejamos sábios na hora de votar.

  7. Quem não ajuda, pelo menos não atrapalhe.

    Taí uma coisa que nunca tinha feito antes: saber o que a população da nossa favela Monte Azul gostaria dos políticos nas eleições de 2010. Acredito que as respostas estariam na ponta da língua e seriam todas direcionadas para os mesmos problemas: desemprego pela baixa instrução ou experiência, escola burras, favela esquecida, saúde angustiante, jovens implorando por um futuro melhor sem a presença das drogas, segurança para defender nossos diretos, sem impor o respeito pelo poder da lei da bala e ameaça causando medo e silêncio.

    Fiquei pensativo de como começar a perguntar aos moradores sobre política, então pensei: “acho que posso traduzir os pensamentos dos moradores, simplesmente olhando ao meu redor”. Saí andando pelas vielas para buscar inspiração, observando e cumprimentando os moradores com um profundo e saudoso “boa tarde”, muitos me olhavam desconfiados sobre o porquê da saudação e o que eu admirava tanto na favela onde nasci e cresci. Andando e pensando nas estruturas das casas e barracos, vi muitos moradores desocupados, de bobeira com a vida, deixando o tempo passar, pensei: “Será que essa gente não trabalha por falta de oportunidade ou instrução escolar e técnica?”. Mais adiante vi uma rede de comércios como: botecos, mini-restaurantes, mercadinhos, vendedores de doces e guloseimas, marceneiros, donas de casa aos montes trabalhando com o que sabia fazer melhor lavar e passar; novamente refleti: “acredito que todos esses pequenos comerciantes precisariam apenas de uma oportunidade de estrutura, talvez um pólo comercial, um grande espaço de livre comercio dos moradores da periferia”.

    Continuando minha peregrinação para identificar os desejos e problemas periféricos, me encontrei com dois amigos Lívia, 10 anos e Caio, 7 anos, então depois de ter formatado tudo que presenciei nas vielas, lhes perguntei crianças o que vocês acham que deixaria a favela mais feliz, Lívia me disse: “Para mim se acabasse com os usuários de drogas e traficantes estaria muito bom, porque são eles que trazem os problemas para a favela, trazendo a policia para assustar e ameaçar os moradores – porque para a policia todo favelado é igual”, complementa dizendo: “Se as pessoas tivessem mais oportunidade talvez todos aqui teriam mais histórias felizes para contar”. Por sua vez Caio diz: “ Também concordo com ela, pois tenho medo de brincar até tarde aqui, pena que hoje tem muitos caras estranhos andando por aqui”. Isso mostra que até as crianças sabem muito bem do que não gostam, pois convivem com esse confronto dos jovens contra a policia. Eles podem até não se interessar muito por política ou seu futuro nesse momento de suas vidas, mas sabem o que é bom para seu bairro e o seu espaço que sobrevive.

    Oportunidade! Acredito ser o pensamento dos moradores. Terem a “possibilidade” de expansão dos seus pequenos negócios, mini-restaurantes virarem um local digno e referência na culinária brasileira, saindo das suas cozinhas domiciliares; botecos que só vendem pinga, se tornarem lanchonetes, bares e porque não cafeteria, disponibilizando locais de maior confraternização dos amigos para trocarem idéias sobre a vida e a política ambiental – porque não? Para os mais saudáveis montar academias com equipamentos de verdade, não pesos de concreto em latas de óleo, incentivando seus alunos a terem educação alimentar com comida natural, melhoria no ensino das escolas para futuramente seus filhos alterarem seus destinos, cursos e valorização dos jovens lhes dando ferramentas que fomentem seus desejos de crescimento pessoal, para conseguir altos salários podendo realizar seus sonhos de consumo e se conscientizarem do seu papel na sociedade contemporânea; Idosos sendo incentivados a manterem o intelecto e o corpo físico saudáveis.

    Percebi que não é muito o que minha favela almeja, somente fazer o que se quer fazer, sonhar sem pensar em carne, conclusão ter credito na palavra e no cartão, conta paga esse é um sonho de qualquer “quebrada”, estar vivo é uma coisa se senti vivo é outra história. A pobreza não deve ser vergonha, mas também dá para ter orgulho. Para mim, nobreza é ter espírito puro, verdadeiro, quanto à pobreza essa sim tem a ver com dinheiro. Por ter influência do dinheiro, os políticos deveriam pensar em se reciclar em um curso de humanização e cidadania. Agora já para não deixar o povo mais uma vez se enganar e acreditando em um futuro “ao Deus dará”.

  8. A desesperada espera pelo ônibus

    A humanidade deveria ser dividida em dois grupos: um com pessoas que esperam ônibus que passam rapidamente e outro com o resto do mundo – os infelizes que aguardam o veículo por mais de meia hora.

    O primeiro grupo seria feito de pessoas felizes, sorridentes, que usam roupas coloridas e que nunca têm tempo para comprar uma tapioca naquela barraquinha ali do lado. O segundo grupo – ao qual pertenço – contém pessoas tristes, angustiadas, que andam de preto e sempre contam moedinhas para comer a tapioca.

    – De queijo, por favor, Seu Zé.

    A saga de esperar o ônibus começa quando piso no ponto e o vejo lotado. O fato de ter muitas pessoas ali me faz imaginar (não sei por quê) que hoje finalmente ele passará mais rápido. Há um clima no ar: em dez minutinhos ele aparece, chegarei cedo em casa, vou comer aquele belo sanduíche que minha mãe está fazendo e, finalmente, dormir!

    Os dez minutinhos se passaram, os outros ônibus, também, levando as pessoas felizes. E eu lá: mais cinco minutos e ele chega, não tem erro. Já estou até ouvindo o ronco característico que ele tem.

    Quinze minutos: nesse momento vejo a senhora que pega o mesmo ônibus que eu. Não a conheço e não sei seu nome, a única coisa que sei é que ela é vendedora da Avon. Nos damos bem, isso que importa. Aí, nós trocamos o diálogo que se repete todos os dias, sem exceção:

    – Tá demorando hoje, né? – pergunto.

    – É verdade, será que quebrou pelo caminho? – ela responde, com outra pergunta.

    Nos olhamos. Todas as pessoas que esperam ônibus demorados entendem esse olhar. Como assim quebrou? Será? Mas, aí, vai demorar umas duas horas! Não pode ser. E o meu sanduíche?

    Trinta minutos: não tem quase ninguém no ponto. Apenas eu, a vendedora da Avon, o Zé da Tapioca e uma louca ali do lado que acredita ser recepcionista de hospital.

    Quarenta minutos: desisto! Minha vida é uma bosta, trabalho e estudo demais, ganho pouco, durmo menos ainda, meu tênis está furado e ainda sou obrigado a comer essa tapioca horrível que o Zé faz. Tudo isso sabe por quê? Porque a porcaria do ônibus não passa no horário certo, nunca.

    É aí que o milagre acontece: escuto lá de longe o ronquinho do danado. Será ele, o meu ônibus? Logo vejo aquele letreiro brilhante, lindo. É ele, mesmo.

    – Estive esperando por você – digo para o ônibus, com a voz embargada.

    Ele não responde, apenas estaciona. Entro e esqueço essa demora de mais um dia. Amanhã tem mais. Agora só penso no sanduíche à minha espera.

    • “Minha vida é uma bosta, trabalho e estudo demais, ganho pouco, durmo menos ainda, meu tênis está furado e ainda sou obrigado a comer essa tapioca horrível que o Zé faz. Tudo isso sabe por quê? Porque a porcaria do ônibus não passa no horário certo, nunca”.

      Me identitifiquei muito com esse texto, pois eu também passo muito tempo esperando pelo ônibus. E aí que penso na dimensão do problema, o qual se estende de norte a sul da cidade. Ótimo texto, Leandro!

    • Saga mais que conhecida. Tem dias que chego a esperar 40min pelo ônibus, de noite é embassado.
      Engraçado que tenho a impressão que os ônibus param de circular antes da hora. Já vi o 875P (meu queridinho pra ir pra Perdizes) sair às 20h. Vê se pode!

      Mas fazer o que. Dependemos do danado. Ou isso ou me arrisco a ir andando, da Puc até a Barra Funda. Como prezo por minha vida y otras cositas más, prefiro esperar o ônibus. Junto a muitas pessoas que, assim como nós, esquecem da merda da espera quando ele chega.

      Cama!

  9. Mayara Penina disse:

    CAMPANHA ELEITORAL EM PARAISÓPOLIS.

    Paraisópolis, nestes últimos dias, tem recebido atenção especial, principalmente por parte de políticos petistas. Em um curto espaço de tempo, foi visitada por Dilma, Netinho de Paula, Marta Suplicy, Marisa Letícia, Mercadante, Cândido Vaccareza, José Genoino, Eduardo Suplicy, Lula, entre outros.
    Em dia de visita, bandeiras de candidatos petistas lotam as ruas, carros de som ajudam a aumentar o barulho, fotógrafos e jornalistas abarrotam as esquinas, multidões se aglomeram em torno dos candidatos. As moças gritam por Netinho. As mães tentam conversar com Marta. Marisa Letícia pede que votem em Dilma. Lula chega sob forte esquema de segurança e Mercadante promete melhorar a educação.
    Eles partem e tudo volta a ser como era antes. Resta saber como serão os próximos quatro anos.

    • Com uma população estimada em 100 mil habitantes, Paraisópolis, em destaque nos últimos meses, em consequência da inauguração de uma ETEC, no início do ano, e de um conjunto habitacional, recentemente, é palco para a disputa entre partidos para destacar as obras investidas e realizadas na comunidade. Adversários nas eleições, os candidatos dividem até o palanque para demonstrar o “inestimável” interesse bem pelo comum dos moradores. Mas como bem colocou a Mayara, será que essa preocupação e investimentos irão perdurar no decorrer dos próximos 4 anos??? Fica a indagação e a esperança!

    • Wilheim Rodrigues disse:

      Fosse exclusividade dos petistas seria menos pior, Mayara. Assisti a programas eleitorais do Geraldo Alckmin e José Serra e eles praticamente disseram que foram os responsáveis por todas as melhorias (não mencionaram quais) que aconteceram ultimamente em Heliópolis e Paraisópolis.

  10. Luana Pequeno disse:

    O que os moradores da periferia esperam das eleições?

    Mais um ano eleitoral chega e com ela surgem grandes expectativas. A esperança de uma vida melhor, com melhores condições na área da saúde e do transporte público, além de mais oportunidades de emprego e lazer.

    Nos bairros periféricos, a realidade se torna ainda mais dura. Há muita coisa a ser feita. No bairro de Itaquera, por exemplo, a população reclama pela falta de opções de entretenimento. “A gente não tem nenhum restaurante bom aqui”, reclama o funcionário público José Carlos do Nascimento Alcântara.

    Em ano eleitoral, o que as pessoas almejam é melhorar suas condições de vida. Esse desejo é mais forte para aqueles de baixa-renda. No bairro de Itaquera, os moradores reconhecem a gradativa melhoria da região, como a extensão da radial leste e a construção do Shopping Metrô Itaquera, mas chamam a atenção pela falta de infraestrutura do lugar.

    Com as eleições, o que os moradores esperam são investimentos no bairro. Quem mora em Itaquera acredita que com o projeto da construção do estádio do Corinthians, as autoridades vão olhar mais para a região e fazer alguma coisa por ela. A expectativa é que o acesso ao bairro e o transporte público melhore, que haja mais opções de trabalho na própria região e que as pessoas tenham aonde se divertir.

    Espera-se assim, que o poder público faça mais pelas regiões periféricas. As necessidades desses bairros não podem vir à tona só quando os candidatos estão em campanha, fazendo promessas para pessoas que, muitas vezes, na sua ignorância, “compram” o que os políticos falam, e depois se veem frustradas por não verem resultado algum.

    • Leandro Vieira disse:

      Todo ano par este pensamento corre corações e mentes. Isso é bom, sim! Mas não deve ficar só no pensamento. Nossas ações cotidianas de melhora do nosso bairro são importantíssimas, especialmente as que cobram dos nossos representantes boas ações de governo.

      “Mas, afinal de contas, como se faz isso?!”. Esta é a pergunta que não quer calar…

  11. Máquina 1 e 2: o que pensam os eleitores de Paraisópolis

    Enquanto os “santinhos”, como diz o povo lá da Bahia, em referência aos folhetos de propaganda de candidatos às eleições, estavam estampados das mais diversas formas, divulgando partidos, números e a fuça dos elegíveis aos cargos de Deputado Federal e Estadual, Senador, Governador e Presidente, ali pela calçada e praticamente por toda a rua de Paraisópolis, quando não expostos em faixas e outras formas de divulgação, o salão de cabeleireiro ao qual eu me encontrava sequer nome possuía.
    Aguardava para ser atendido, depois, claro, que mais dois clientes que estavam à minha frente tivessem as madeixas crespas aparadas. Na TV de 14 polegadas pendurada na parede de um azulejo branco já encardido, era apresentado o horário político, no decorrer dos 40 minutos que ultrapassavam às oito horas da noite, de uma sexta-feira de temperatura amena na capital paulista.
    O sotaque nordestino de um deles foi evidenciado, assim que balbuciou os primeiros argumentos acerca do discurso de um dos candidatos à Presidência. Ele aparentava não mais que 30 anos. Apontou com o dedo fino indicador, a candidata à Presidência, que aparecia na propaganda eleitoral. Enquanto seus cabelos crespos de cor preta escorriam pelo avental branco preso até a altura de seu pescoço negro, o homem comentou brevemente a proximidade com os candidatos, quando alguns deles estiveram em Paraisópolis, no final do mês passado, e que naquele momento, ali na TV já pareciam inatingíveis para ele. “Falar é fácil, vamos ver se fazem né?!”, indagou.
    O horário político pareceu aguçar os comentários no miúdo salão. O cabeleireiro passava a máquina número 1, na lateral esquerda do cabelo do homem, quando o cliente disse ainda não saber em quem votar. “É preciso pensar com consciência, porque não adianta reclamar que político é ladrão, se é a gente que tem o poder de votar nele” – afirmou ele. – É a mesma coisa que abrir a porta da nossa casa e deixar o ladrão entrar e roubar – completou remexendo-se na cadeira.
    O moço, aparentemente tímido, que aguardava a vez, ali sentado ao meu lado, no sofá de três lugares, posicionado à frente dos dois extensos espelhos do local, penetrou na conversa. A forma de falar, através da pronunciação a letra ‘r’, indicava a naturalidade: era paulistano. Ajeitando por entre o boné, os fios de cabelo que ficavam para fora, ele disse saber em todos os candidatos que iria votar. Que priorizava, em primeiro lugar, a educação no bairro. Olhando-se no espelho, o jovem prosseguiu, afirmando que a comunidade precisava de mais segurança. Que carecia de políticos que dedicassem mais atenção à formação dos jovens. Que a ETEC, a Escola Técnica, tivesse uma demanda maior de alunos, pois enquanto escolas dos outros bairros registravam uma acirrada concorrência em seus cursos, em Paraisópolis, não chegava a dois candidatos por vaga. A prosa foi rendendo… Enquanto os cabelos caiam sobre o piso já lotado de fios picotados do salão sem nome. Num dado momento, divergiam entre si as suas ideias, ao mesmo tempo em que as complementavam.
    O cabeleireiro, o Gê, certamente o apelido dele, pois foi assim que uma senhora baixinha de vestido azul-escuro chamou-o, quando adentrou o estabelecimento para lhe pedir que fossem trocados 50 reais, afirmou, – além de não ter o dinheiro trocado à mulher – que embora Paraisópolis tivesse virado cabo eleitoral de petistas e tucanos nas eleições, as obras de urbanização na comunidade foram de grande feito, e claro, seria um forte critério de avaliação para seu voto. “Mas concordo também que é preciso pensar de forma geral”, inteirou o dono do salão.
    Minha vez chegou… Aparei meu cabelo: número dois dos lados e na parte superior o corte com tesoura. Dei minhas opiniões. O homem e o jovem ainda ficaram por ali no fervor da discussão. O embate perdurou até o momento em o Gê me voltou os dois reais de troco pelo corte do cabelo.
    E ali, naquele salão sem nome, entre nordestinos e paulistas, em uma das tantas ruas que ligam Paraisópolis, descobri que há muita gente que discute política. Que indaga. Que cobra. Que reflete. Que busca uma sociedade melhor, e que acredita que melhorias podem sim, efetivamente acontecer, quando conseguem enxergar e praticar a cidadania através do voto consciente.

  12. Leandro Vieira disse:

    Morar no bairro Jardim Brasília é curioso. Talvez por não ser um nome tão espetacular ou diferente, ninguém se dá conta de que são todos xarás da capital federal. E mais do que isso: ainda que moradores no bairro que é mais conhecido como “perto do Shopping Aricanduva”, são todos cidadãos brasileiros.

    E os xarás não estão muito contentes com o quê vem sendo feito na Brasília original. Tão pouco estão empolgados com a nova turma que elegeremos este ano. O discurso basicamente é: não adianta, vai continuar tudo a mesma coisa. Todos os candidatos prometem maravilhas no horário político, mas, quando chegam lá, têm um surto de amnésia e partem para o “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

    Há em cada morador do Jardim Brasília a sensação de que “sozinho eu não posso fazer nada”. E como se organizar, se o melhor meio aglutinador de pessoas, a escola, virou um bunker cheio de grades e avisos para aqueles que desrespeitam funcionários públicos? Existe também o pensamento de que o presidente manda em tudo, e os deputados são meros empregados.

    Seria loucura chamá-los de burros. Falta acender a centelha da consciência neles – algo tão difícil, já que o poder público, no máximo, faz isso de forma truncada. Nem o próprio noticiário, sempre recheado de reportagens de corrupção, consegue causar uma reação mais forte. Alguns jardimbrasilianos falam sim da importância de se escolher o candidato que vai nos representar bem no Congresso. Torçamos todos para que isso se reflita na hora de usar a maquininha.

  13. Luana Pequeno disse:

    Moradores de Itaquera aprovam construção de Fatec

    Quem mora na região de Itaquera está feliz não só com o projeto do estádio do Corinthians e a possível abertura da Copa de 2014, mas também com a construção de uma Fatec ao lado da estação Corinthians-Itaquera do Metro. As pessoas que residem no bairro veem o empreendimento como um ótimo investimento, que vai beneficiar não só quem quer estudar, mas também aqueles que possuem comércio na região.

    A auxiliar administrativo Amanda Tavares da Silva acredita que a faculdade “vai tirar aquela visão que as pessoas tem de zl”. Segundo ela, a maioria das pessoas que mora no bairro não estuda nele e acaba tendo que se deslocar para outras regiões. “Com a faculdade, as pessoas não vão ter que ir para longe para poder estudar e nem vão perder tempo se deslocando de um lugar para outro”, diz.

    O auxiliar de escritório Jorge Ramos também só vê pontos positivos na construção da faculdade. Pare ele, Itaquera “é uma região tão carente de tudo, que empreendimentos do tipo só trazem benefícios”. Ramos afirma gostar da tranquilidade da região e ressalta que, ao contrário do que muita gente pensa, o bairro é tranquilo. “O que falta são justamente investimentos como esse e mais opções de lazer”, explica.

    Para o motorista Junior Pereira da Silva, apesar do bairro precisar de “modificações na infraestrutura e no transporte público”, o empreendimento “vai trazer melhorias para a região”. “Já temos o poupatempo, o shopping, e agora a construção da Fatec e do estádio do Corinthians”, comemora.

    Localizada no mesmo complexo onde será implantado o Parque Tecnológico da Zona Leste, um projeto do Estado com a Prefeitura de São Paulo que pretende incentivar o desenvolvimento econômico da região, a faculdade ficará na avenida Miguel Ignácio Curi, entre a avenida Professor Engenheiro Ardevan Machado e a rua Doutor Luís Aires,

    A Fatec está prevista para receber alunos só no primeiro semestre de 2012. Serão 320 vagas para quatro cursos de graduação: mecânica de projetos, mecânica de soldagem, automação industrial e sistemas biomédicos. No projeto, também estão previstos auditórios e biblioteca, além de laboratórios como os de manutenção de aparelhos médicos-hospitalares, tecnologia e sistemas de automação.

  14. “Voto nulo e água gelada, por favor”

    Sou moradora da Penha desde meu nascimento, há 18 anos, e nunca pensei que chegaria o dia em que sua população estivesse tão descrente quanto agora. O principal sintoma (ou seria a consequência?) é a chuva de votos nulos, principalmente entre os mais jovens. Entretanto, seria esse um fenômeno exclusivo da Penha?
    A faixa dos 16 aos 18 – o voto facultativo – é a mais problemática, segundo o que observei. Quando não deixam de votar, anulam. As estudantes Jéssica Giacchetto, 18 anos, e Thaís Santos, 16 anos, já sabem que irão às urnas para anularem seu voto. “Não é certo em quem vou votar, mas provavelmente nulo”, diz Thaís. Jéssica garante que seu voto será nulo. Giovane Rissi, 16 anos, também mostra postura cética: “Não vejo nenhum diferencial na política, os candidatos são todos iguais, só muda o partido e o nome. Nenhum deles responde às expectativas para ocupar cargos políticos”.
    Além dos jovens, os mais velhos estão descrentes. Rogério (que pediu sigilo em relação a seu sobrenome), ambulante, alega nunca ter votado. “Eu ‘tô com 62 anos e nunca votei em político nenhum e esse tabu jamais quebrarei. Aí você me pergunta ‘como que você pode ter 62 anos e nunca votou? ‘ eu digo pra você: chegando nos Correios, eu pago R$1 ou $1,50, seja lá qual for a taxa e ele [o atendente] diz assim: ‘toma aqui seu comprovante, você votou’ ou, antigamente, quando tinha cédula, eu pegava a cédula e escrevia ‘o meu voto é para Jesus Cristo’ porque, embora eu não conheça ele, melhor não conhecê-lo do que conhecer um político e saber que vou tirar um homem honesto daqui de fora pra botar dentro da máquina administrativa pra transformar um homem honesto num ladrão. Eu vou dar o meu voto pra transformar um homem honesto em um ladrão? Porque quem entra dentro da política, na máquina administrativa, se ele não sair da sua honestidade, do seu véu, da sua redoma de honestidade, ele é morto, banido, pressionado, pede renúncia ou então tem que sair da máquina de qualquer jeito, porque ele tem que fazer o jogo dos ladrões, ele tem que se transformar em um ladrão. Nunca votei na minha vida e não vou votar agora, nem nunca, vou morrer sem votar”.
    Rogério é ex-professor de português e matemática, morava em Recife. Lá, segundo ele, não passava fome, como vêm acontecendo em São Paulo. Trata-se de uma pessoa que, com seu discurso anti-voto – tentou por minutos me convencer de que, se eu votasse, eu contribuiria com sua miséria, assim como a de milhões de brasileiros – , me mostrou o sentido da palavra “incrédulo”.
    É curioso como, apesar da enxurrada de santinhos e placas nas ruas, não só na Penha, como na cidade inteira, é difícil escolher um candidato. Como o Sr. Rogério diz, não os conhecemos. Não sabemos até que ponto vai sua honestidade (se ela existir, claro) ou se seus projetos não passam de uma forma pra conseguir voto.
    A região da Penha tem seus candidatos e, em meus 18 anos, nunca vi algum de seus projetos concretos. Vamos utilizar como exemplo o candidato Toninho Paiva, que se elege usando o nome do bairro há anos e tudo que fez foi rebatizar áreas públicas (http://www.deolhonacamara.org.br/indiceprojetos.cfm?id_vereador=56). Em sua campanha, ele usa o slogan “este eu conheço!!!” (sim, com as três exclamações). Conheço? Ora, nunca fui beneficiada por suas obras. Até porque, não vejo onde a denominação de praças é de grande ajuda aos moradores.
    Além do Toninho Paiva, a Gazeta Penhense noticiou em seu site um debate que aconteceu no dia 28 de agosto e, segundo a matéria, moradores foram convidados, “mas, principalmente empresários e dirigentes de entidades e agremiações locais” (http://www.gazetapenhense.com.br/materia.php?materia_id=2163). Foram mesmo?
    O ponto é: os moradores da Penha, assim como de outras regiões, não acreditam em seus representantes. Logo, não se dão ao trabalho de pensar em um voto consciente, pois consideram vão o ato de pesquisar sobre candidatos e seus projetos de governo. Não me cabe julgar esse comportamento, mas é preocupante o fato da grande chance de mudanças (visto que o povo brasileiro não se organiza para nada desde o “Fora Collor”) ser jogada no lixo.
    Por fim, concluo que meu bairro é lugar de gente descrente. Talvez pelo visível contraste entre seus moradores, mas com certeza não faltam motivos. Mas, leitor, será a desistência a solução para os problemas do bairro?

    • É triste ver pessoas conscientes abrindo mão de seu voto. Pois é um eleitor crítico a menos nessas eleições que tanto são amparadas pelo senso comum. Com certeza, muitos outros professores sentem a mesma insatisfação deste entrevistado. E aí eu pergunto, cabe mais 4 anos de governo PSDB em São Paulo, se durante 16 anos eles não moveram os dedos para mudar a vida do professor paulistano?

      • mais 4 anos de PSDB é pra matar. Vivemos nessa merda desde que nascemos, não é justo!
        Me pergunto se eles continuam se elegendo por falta de opção. Ou se pq o paulista é masoquista mesmo. Pq, né.

  15. Karol Coelho disse:

    Livres e Iguais?

    “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”

    É certo de que foi firmado um maior compromisso com a humanidade após a declaração dos diretos humanos no ano de 1948, porém, falta muito para que de fato se cumpra o artigo primeiro da constituição que afirma que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.
    Os motivos não são difíceis de numerar, pois para que todos os seres humanos nasçam livres e iguais em dignidade e direitos seria necessário, pelo menos, que todos já tivessem garantia de alimentação e conforto assim que nascessem e não é o que acontece – para reconhecer isso, basta visitar os países mais pobres da África do Sul ou, para não gastar muito dinheiro, andar pelas periferias da sua cidade, até mesmo nos centros.

    A questão central da ética é “como devo agir perante os outros?” – o que não é fácil de responder – ela (a ética) envolve o “EU” e o “PRÓXIMO”, e isso tem a ver com os direitos humanos.
    Essa declaração existe há pouco mais de 60 anos, e é algo que não seria necessário se a humanidade exercesse a ética, pois, se ela envolve o comportamento do indivíduo com os outros, significa que não deveria, ao decorrer da história, haver tantos casos de escravidão, tortura e subserviência do homem.

    Falta ética à pessoas que exercem um cargo público que, mesmo sendo empregado do povo, coloca o dinheiro alheio nas cuecas e meias para satisfazer seus desejos de consumo pessoal, tanto como faltou ética aos senhores feudais ao pagar miséria aos camponeses na idade média ou aos brancos que escravizaram os negros.
    Assim, pode-se afirmar que antes de termos um documento que afirme os direitos e deveres do ser humano, é necessário uma reflexão mais profunda do que é ética, de quem é o próximo e o que o homem quer que seja feito a ele próprio. Sentimos a necessidade dessa reflexão ao olharmos as condições em que se encotram os nossos candidatos dessas eleições. Ao elegermos candidatos anti-éticos estamos também infligindo a Declaração dos Direitos Humanos. Uma coisa leva a outra.

  16. Bianca Alvarenga disse:

    Política é coisa seria.

    Com tantos escândalos nos partidos que vem sendo mostrado pela mídia, está cada vez mais difícil acreditar e ter esperança que o país pode seguir para um mundo melhor.
    É época de eleição e alguns moradores do bairro Vila Joaniza, Zona Sul de São Paulo, estão sem expectativas.

    Quando se fala em saúde, educação e lazer a população se revolta. Estas são as questões que sempre são colocadas pelos políticos e que não passam de promessas e promessas. Para o morador há quase 30 anos, Renato Manhães, política tem o significado de corrupção “Não adianta, política foi e vai ser sempre isto que a gente vê na televisão, é tanta corrupção, falcatrua que não vale a pena votar” diz ele.

    A falta de interesse em pesquisar sobre a vida dos candidatos a eleição é bastante notória. O horário político para alguns moradores é a referência para votar.

    Muitos querem mudanças, reformas e melhorias para o bairro. Mas quando tem a oportunidade de votar em alguém que tenha seriedade, competência e atitude, jogam a oportunidade no voto nulo.

    Política é coisa seria. Colocar alguém no poder que vai reger o país por quatro anos é não só pensar em nós, mas na geração seguinte.

  17. Patrícia Carvalho disse:

    De quem lembrar-se quando se é esquecido?

    Ano de eleição e aquele velho sentimento de desilusão com o mundo político parece ressurgir em muitos. O que esperar dos políticos? Após tantos escândalos envolvendo nomes conhecidos, as expectativas por um novo governo podem não ser das melhores.
    Ao menos em comunidades de pequeno porte, como é o caso de Santa Rita, no município de Embu, é fácil encontrar moradores descontentes com as propostas e os próprios candidatos.
    O que se vê por lá é um grande descaso por parte das autoridades políticas. Os principais problemas destacados por moradores refletem esta realidade: ruas com asfaltamento inacabado, córregos a céu aberto, ausência de centros médicos, transporte público ineficiente, aumento da criminalidade, carência de programas de lazer e inclusão social.
    Todos estes problemas são argumentos para justificar a atual situação de descrédito em que os candidatos a governo se encontram. Não é difícil caminhar pelas ruas e perceber as carências destacados acima, não há por todo bairro um único centro médico ou área de lazer, moradores que não possuem veiculo próprio encontram dificuldades em cumprir tarefas rotineiras, como ir as compras ou a uma consulta médica. O itinerário dos micro ônibus municipais não atende a comunidade, o que gera desconforto aos moradores, se for considerado o peso das sacolas de supermercado, ou dores e cansaço físico de uma pessoa doente.
    Os projetos parecem não vingar por lá. Há algum tempo haviam cursos como crochê, tricô e pintura, que além de representarem um momento de encontro e lazer para alguns membros da comunidade, forneciam um tipo de conhecimento que poderia ser utilizado para complementar a renda. Nesta mesma época acontecia a distribuição de cestas básicas para famílias carentes, mas hoje, o que aconteceu com estes projetos? Apenas desapareceram.
    Crianças, jovens e adultos do Jardim Santa Rita, têm duas opções de entretenimento: suas próprias casas ou as ruas. Não há parques, praças ou campos de futebol. Não há opções de lazer, além de bares ou lan houses, e convenhamos, estas não são as opções mais agradáveis para um fim de tarde em família, ou para brincadeiras de crianças. E os jovens? Também não existem projetos destinados a eles, não há CEU´s (centros de educação unificada), Escola da Família, ou qualquer outro projeto por lá, só lhes restam as ruas e as opções de entretenimento que ela os oferece.
    Problemas com a iluminação pública também causam transtorno, principalmente em um bairro onde em qualquer esquina se houve comentários como: “tal dia, tal pessoa foi assaltada por um rapaz de moto na rua X”. Diante destas circunstâncias, transitar entre as ruas do bairro a noite pode ser motivo de preocupação para estudantes e trabalhadores. E como já foi dito não há transporte público que faça este percurso. O número de assaltos vem aumentando nos últimos tempos, muitos moradores já foram assaltados por este “tal rapaz de moto”, a polícia pode até aparecer fazendo ronda por algumas noites, mas é só a notícia do assalto “esfriar” para que estas eventuais “visitas” parem de acontecer.
    O que falar sobre enchentes repetitivas? Basta uma chuva mais acentuada e todos já sabem o que irá acontecer. Córregos e esgotos costumam transbordar de tal modo que impedem o acesso ao bairro, problema presente a muito tempo na vida de todos moradores. Problemas como estes são comuns, tanto na comunidade Santa Rita, quanto no restante do país, mas parecem ser calados por mensalões e desvios de verba.
    Aonde está a voz do povo? O povo clama por melhorias, mas parece não ser ouvido, principalmente por aqueles que pedem seu voto.
    O que dizer do ex-prefeito de Embu, Geraldo Cruz (PT), hoje candidato a deputado estadual. Será que ele merece o voto desta população? E os demais candidatos, o que poderão fazer por um lugar ao qual nunca ouviram falar? Todos estes deveriam ficar atentos, pois em uma pesquisa realizada com mais de 100 pessoas entre jovens e adultos da região, fica claro que na hora de escolher o candidato, o passado político- tanto no que diz respeito as obras realizadas durante o mandato quanto ao caráter do candidato -, são mais importantes do que as atuais propostas, afinal, após tamanho descaso, propostas soam como meras ilusões.

  18. Patrícia Carvalho disse:

    De quem lembrar-se quando se é esquecido?

    Ano de eleição e aquele velho sentimento de desilusão com o mundo político parece ressurgir em muitos. O que esperar dos políticos? Após tantos escândalos envolvendo nomes conhecidos, as expectativas por um novo governo podem não ser das melhores.
    Ao menos em comunidades de pequeno porte, como é o caso de Santa Rita, no município de Embu, é fácil encontrar moradores descontentes com as propostas e os próprios candidatos.
    O que se vê por lá é um grande descaso por parte das autoridades políticas. Os principais problemas destacados por moradores refletem esta realidade: ruas com asfaltamento inacabado, córregos a céu aberto, ausência de centros médicos, transporte público ineficiente, aumento da criminalidade, carência de programas de lazer e inclusão social.
    Todos estes problemas são argumentos para justificar a atual situação de descrédito em que os candidatos a governo se encontram. Não é difícil caminhar pelas ruas e perceber as carências destacados acima, não há por todo bairro um único centro médico ou área de lazer, moradores que não possuem veiculo próprio encontram dificuldades em cumprir tarefas rotineiras, como ir as compras ou a uma consulta médica. O itinerário dos micro ônibus municipais não atende a comunidade, o que gera desconforto aos moradores, se for considerado o peso das sacolas de supermercado, ou dores e cansaço físico de uma pessoa doente.
    Os projetos parecem não vingar por lá. Há algum tempo haviam cursos como crochê, tricô e pintura, que além de representarem um momento de encontro e lazer para alguns membros da comunidade, forneciam um tipo de conhecimento que poderia ser utilizado para complementar a renda. Nesta mesma época acontecia a distribuição de cestas básicas para famílias carentes, mas hoje, o que aconteceu com estes projetos? Apenas desapareceram.
    Crianças, jovens e adultos do Jardim Santa Rita, têm duas opções de entretenimento: suas próprias casas ou as ruas. Não há parques, praças ou campos de futebol. Não há opções de lazer, além de bares ou lan houses, e convenhamos, estas não são as opções mais agradáveis para um fim de tarde em família, ou para brincadeiras de crianças. E os jovens? Também não existem projetos destinados a eles, não há CEU´s (centros de educação unificada), Escola da Família, ou qualquer outro projeto por lá, só lhes restam as ruas e as opções de entretenimento que ela os oferece.
    Problemas com a iluminação pública também causam transtorno, principalmente em um bairro onde em qualquer esquina se houve comentários como: “tal dia, tal pessoa foi assaltada por um rapaz de moto na rua X”. Diante destas circunstâncias, transitar entre as ruas do bairro a noite pode ser motivo de preocupação para estudantes e trabalhadores. E como já foi dito não há transporte público que faça este percurso. O número de assaltos vem aumentando nos últimos tempos, muitos moradores já foram assaltados por este “tal rapaz de moto”, a polícia pode até aparecer fazendo ronda por algumas noites, mas é só a notícia do assalto “esfriar” para que estas eventuais “visitas” parem de acontecer.
    O que falar sobre enchentes repetitivas? Basta uma chuva mais acentuada e todos já sabem o que irá acontecer. Córregos e esgotos costumam transbordar de tal modo que impedem o acesso ao bairro, problema presente a muito tempo na vida de todos moradores. Problemas como estes são comuns, tanto na comunidade Santa Rita, quanto no restante do país, mas parecem ser calados por mensalões e desvios de verba.
    Aonde está a voz do povo? O povo clama por melhorias, mas parece não ser ouvido, principalmente por aqueles que pedem seu voto.
    O que dizer do ex-prefeito de Embu, Geraldo Cruz (PT), hoje candidato a deputado estadual. Será que ele merece o voto desta população? E os demais candidatos, o que poderão fazer por um lugar ao qual nunca ouviram falar? Todos estes deveriam ficar atentos, pois em uma pesquisa realizada com mais de 100 pessoas entre jovens e adultos da região, fica claro que na hora de escolher o candidato, o passado político- tanto no que diz respeito as obras realizadas durante o mandato quanto ao caráter do candidato -, são mais importantes do que as atuais propostas, afinal, após tamanho descaso, propostas soam como meras ilusões.

  19. Wilheim Rodrigues disse:

    Como se cria um projeto como o “Ficha Limpa”?

    Você sabia que, pelo menos em teoria, qualquer cidadão pode escrever um texto como o do “Ficha Limpa” e propor uma lei? Isso é possível graças ao mecanismo de Iniciativa Legislativa Popular, um instrumento previsto na Constituição que nos permite elabar e enviar um projeto ao Congresso Nacional. E não é preciso se preocupar com escritas rebuscadas ou parâmetros de apresentação, nenhuma lei pode ser rejeitada por problema no aspecto formal. Só não vale propor, por exemplo, uma lei que obrigue a prisão de devedores, pois uma atitude inconstitucional.

    Depois de terminar o texto, chega a fase de coleta de assinaturas. A lei exige que 1% do eleitorado nacional (1,3 milhão de pessoas) seja a favor do projeto e as assinaturas devem ser coletadas em um abaixo-assinado fornecido pela Câmara dos Deputados – com listas organizadas por município e Estado. Depois O passo seguinte é protocolar o projeto e as assinaturas na Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados. É a hora de contar com o apoio dos parlamentares: o projeto vai para votação. Se aprovado na Câmara, o projeto segue para o Senado e passa pelo mesmo processo. Depois de tudo isso, a proposta (com emendas que podem ajudar ou destruir a ideia original) é encaminhada para o veto ou aprovação do presidente da República.

    Além do Ficha Limpa

    É importante lembrar que o Ficha Limpa não foi o primeiro projeto de iniciativa popular no Brasil e nem o mais bem sucedido. Enquanto ele levou cerca de oito meses para ser aprovado no Congresso, a proposta que fez crimes de compra de votos resultar em cassação de mandatos foi aprovada em apenas 42 dias. Tudo depende da comoção popular das proposta. A lei de iniciativa popular que criou o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, que pouca gente compreendeu na época, esperou 13 anos por um parecer.

    Outra Saída

    Como conseguir mais de um milhão de assinaturas é uma árdua tarefa, é possível propor projetos de outras maneiras. Associações como sindicatos e entidades civis também podem fazer enviar projetos de lei, e não precisa coletar nenhuma assinatura. Basta sugerir uma lei à Comissão de Legislação Participativa (CLP), que decide se leva a ideia à Câmara. Só neste ano, houve quatro propostas via CLP. O problema é que se a CLP não aceitar a sugestão, ela será levada adiante.

    • Do que adianta ter projetos de lei sendo que aqueles que determinam a legitimidade desse projeto são os próprios deputados e senadores ?
      É uma bizzarice sem fim o programa eleitoral. É mulher melão, pêra, goiaba, framboesa…. aonde vai parar? Fora aqueles, que não consigo entender o porquê de entrar na política. Kiko e Leandro, do KLB, Tati Quebra Barraco, Ronaldo Esper, Romário, Vampeta, Tiririca…Ah! É demais, não é?
      E a dura realidade, é que infelizmente, as pessoas se preocupam muito mais em eleger um governador e presidente do que os próprios deputados e senadores. Já ouvi, de um morador do meu bairro – Jd. São Luiz -, que votará em qualquer deputado.
      Aí eu me pergunto, como pode ser elegido um “Tiririca” da vida?
      Com certeza, esse “Tiririca” não aprovará uma lei que colocará corda em seu próprio pescoço.

  20. Do que adianta ter projetos de lei sendo que aqueles que determinam a legitimidade desse projeto são os próprios deputados e senadores ?
    É uma bizzarice sem fim o programa eleitoral. É mulher melão, pêra, goiaba, framboesa…. aonde vai parar? Fora aqueles, que não consigo entender o porquê de entrar na política. Kiko e Leandro, do KLB, Tati Quebra Barraco, Ronaldo Esper, Romário, Vampeta, Tiririca…Ah! É demais, não é?
    E a dura realidade, é que infelizmente, as pessoas se preocupam muito mais em eleger um governador e presidente do que os próprios deputados e senadores. Já ouvi, de um morador do meu bairro – Jd. São Luiz -, que votará em qualquer deputado.
    Aí eu me pergunto, como pode ser elegido um “Tiririca” da vida?
    Com certeza, esse “Tiririca” não aprovará uma lei que colocará corda em seu próprio pescoço.

  21. No Jardim Sâo Luiz, sem muita espera
    Por Ana Mendes

    Enquanto aguardava o ônibus para ir ao trabalho, comecei uma conversa com uma senhora que mora no Jardim São Luiz há mais de 30 anos.
    Numa conversa informal falamos sobre um assunto que parece não agradar a maioria da população brasileira: a política. “Desacreditada”, essa foi a sua primeira declaração. Para ela, a única coisa que fizeram no bairro é água encanada, tratamento de esgoto e asfalto. A senhora, educadamente, relembra da sua infância, quando brincava na rua – com os pés descalço corria com os amigos -, porém, “hoje os dias são outros”, declara. A maioria dos pais, não confia mais em deixar as crianças nas ruas, como antigamente, todavia, o bairro não tem nada que ofereça de recreação, lazer, programas educacionais. Tem um CEU (Centro Educacional Unificado) na Vila das Belezas. É próximo, mas como diz a senhora “sobe morro, desce morro” e fica difícil para os idosos ou para os pais levarem as crianças.
    Assim como a senhora do ponto de ônibus, outros moradores não acreditam mais nas promessas de candidatos.
    Para Dona Luzia, moradora e funcionária do mercadinho mais antigo do bairro – conhecido como mercadinho do Diego, disse não conhecer muito sobre política, mas há um descompasso entre a lei e a realidade. Fui surpreendida com a simplicidade e humildade daquela senhora. Mesmo não gostando do assunto, ela conversou como se gostasse e se interessasse pelas questões que envolvem seu dia-a-dia.
    Dona Luzia disse que ela prefere votar certo para deputado federal, estadual e senador, do que no próprio governador ou presidente. Segundo ela, os piores são aqueles que fazem as leis, os outros apenas executam. “Como posso votar no Tiririca para fazer um projeto de lei?” indaga.
    Um das queixas levantadas foi a segurança. Há um Batalhão da Polícia Militar e mesmo assim, falta segurança no bairro. Na padaria mais conhecida, Rainha do Bairro sempre tem um carro de polícia, porém, próximo ao cemitério São Luiz as ruas têm uma péssima iluminação.
    O Jardim São Luiz, Jardim Brasília, Vila das Belezas, Parque Santo Antônio, Monte Azul, Vaz de Lima, Casa Blanca, Cidade Fim de Semana, Vila Prél, entre outros bairros faz parte do Distrito do Jardim São Luiz e às vezes é até difícil de dizer onde é Jardim São Luiz, para alguns que bati um papo é “quase uma cidade” e deveria municipalizar, assim acabaria com os problemas.
    Não sei dizer se é certo, até porque moro há um ano e meio nessa imensidão que é o Jardim São Luiz. Enquanto isso, vou conhecendo as pessoas e tento descobrir as necessidades de cada um.
    Mais uma vez fui surpreendida, mas dessa vez diferente. Conversando com o porteiro do meu prédio, perguntei quais as mudanças que o bairro precisa, e ele respondeu que não precisa de mudança nenhuma. Eu logo pensei: Em que mundo ele vive? Entretanto, deixei que ele explicasse. Pra ele, que mora no Jardim Brasília, tudo que ele precisa encontra com o apoio da comunidade, dos amigos em volta. É mais fácil confiar naqueles que são seus vizinhos e não têm nada, do que os que têm – como os governantes – e não fazerem nada.
    Já o comerciante do sacolão Camisa Nova, ainda não sabe em quem vai votar, talvez em branco ou nulo. O motivo é porque não acredita em mais ninguém e seja “como Deus quiser”, diz ele. Outro problema levantado foi o trânsito. Pela manhã por volta das 7h00 é quase 40 minutos, de ônibus, para chegar à avenida principal, Maria Coelho Aguiar, próximo Centro Empresarial, que a pé são 10 minutos. E mais alguns minutos até a ponte João Dias que dá acesso a Marginal Pinheiros. Além disso, os ônibus são lotados, principalmente Princesa Isabel, Pinheiros e Anhangabaú.
    Acho que é quase unanimidade, as pessoas com que falei não esperam muito das eleições. Alguns vão votar com mais seriedade e outros por obrigação.

  22. Cleber Arruda disse:

    Muros da periferia, o disputado espaço eleitoral
    Por Cleber Arruda

    O jovem Felipe Rodrigues tomou um susto quando chegou em casa e viu a foto de dois simpáticos candidatos estampada na sua fachada.

    – É uma poluição visual. Meu pai que deixou. Discutimos e ele argumentou que era o mínimo por ele ter conseguido uma ambulância para levar e trazer o seu primo da Santa Casa. Mas meu pai não sabe que o imposto paga o salário dele já. Ficou lá então. Gostaria que ele fosse multado. – diz.

    Rodrigues mora no Jardim Damasceno, periferia da região da Brasilândia, na zona norte de São Paulo. A cada dia multiplicam-se os rostos sorridentes nas portas e muros das residências e comércios locais. Desde a última quinta-feira, a Prefeitura e o Tribunal Regional Eleitoral (TER) já recolheu quase dois mil cavaletes de propagandas ilegais espalhadas na cidade.
    – Essa sujeira toda só serve para entupir tudo e causar mais problemas. – diz Rodrigues.

    O jovem afirma que não votará no político da placa, como seus pais. Se ele não faz questão da ideia de troca de favores na hora de escolher seu representante, certamente, também não faria o que a moradora Rute Teodoro Santana do Jardim Paraná, um bairro vizinho ao dele, propõem.

    – Gostaria de vender o meu voto. Pelo menos ganharia alguma coisa para deixar alguém lá na cadeira ganhando para me representar. Preciso terminar a frente da minha casa, que ainda é um barraco, e o dinheiro daria para fazer a obra.

    Apesar da divergência de opiniões sobre os critérios para a escolha dos seus candidatos, ambos engrossam o coro quando para justificar a principal necessidade da região: o transporte público.

    Atualmente, apenas duas linhas de ônibus sobem o morro do Jardim Damasceno, sendo que é uma delas que, depois de passar pelo bairro, estende o percurso e atende a população do Jardim Paraná.
    – Está muito difícil enfrentar os ônibus lotados daqui todos os dias. – reclama Rute.

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