Uma cartilha para votar melhor

por Suevellin Cinti (Zona Sul)
Pamela Alexandre (Pedreira)
Vander Ramos (Zona Leste)

Mural

Nas próximas eleições, cerca de 90 mil jovens irão pela primeira vez às urnas da capital paulista para exercer o seu direito de cidadania. Como as escolas públicas não ensinam aos alunos o funcionamento da politica brasileira, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) lançou no final de agosto a Cartilha do Jovem Eleitor.

Focado no eleitor jovem, o material sugere critérios para qualificar a escolha do eleitor jovem e tenta incentivá-lo a uma participação mais responsável no processo decisório. A publicação apresenta de forma clara, objetiva e pedagógica as principais informações sobre o sistema político-eleitoral nacional.

O que é uma democracia, a divisão dos três poderes e a estrutura da Justiça Eleitoral são temas abordados na cartilha, que traz ainda variadas informações sobre as eleições, desde o alistamento eleitoral até a diplomação dos eleitos.

Mas o que os jovens das periferias de São Paulo pensam sobre o material? Será que contemplou a linguagem do dia-a-dia usada nas periferias? A falta de distribuição em escolas públicas longe da região central pode afetar a escolha do candidato pelo jovem eleitor?

Foram estas perguntas que uma equipe de repórter-cidadãos do projeto Mural fez aos jovens nas periferias da zona sul e leste. Nestas regiões, a opinião dos jovens são muito próximas e quase sempre remete à falta de uma educação político-social no processo de formação do cidadão.

Na região do Itaim Paulista, extremo da zona leste de São Paulo, os jovens desconhecem a Cartilha do Jovem Eleitor. Eles se preocupam apenas em decorar os números que irão digitar nas urnas e não se importam quem vai ser eleito ou não. Para eles, o Brasil está perdido e afirmam que não fazem parte do sistema.

É o caso do jovem Bruno Guilherme Avarte (17), ele vota pela primeira vez e ainda não definiu seus candidatos. “O único cargo que escolhi foi de presidente…” diz Avarte. Após conhecer a cartilha e folhear algumas das 24 páginas, revelou que não entendeu nada do que está escrito na cartilha. “Escreveram em grego, não entendi nada..” completa.

Outro jovem conhecido como Bidu (16) é um estudante do ensino médio e membro do Grêmio Estudantil da escola onde estuda. Ao tomar conhecimento da Cartilha e levá-la para sua casa, Bidu se viu um verdadeiro político no exercício de seus direitos. Ele não sabia como eram feitas as leis e qual a diferença entre o Senado e a Câmara dos Deputados.

“Gostei do que fazem os políticos em Brasilia e nos Estados. Um dia quero ser quem nem eles” completa Bidu. Ele leu todas as páginas da cartilha e ainda buscou informações complementares na internet.

“Um dia perguntei para minha professora porque escolhemos dois senadores a cada oito anos e um no mesmo período? Ela me disse que não sabia.”, revela o jovem Gabriel Henrique Silva (17).

Fernanda de Sousa considerou a cartilha de fácil entendimento

Época de votação e os jovens da zona sul de São Paulo não parecem nada animados com o período. Com a cartilha em mãos, os jovens tomaram conhecimento da função de cada candidato, porém permanecem sem compreender a importância do voto em benefício de sua comunidade.

Fernanda de Sousa, como a maioria dos jovens entrevistados, considerou de fácil entendimento a forma com que o conteúdo foi apresentado, questionando ainda a obrigatoriedade e a falta de informações quanto às consequências aos que não cumprem seu dever de votar.

Mãe de quatro crianças, Fernanda representa a situação do escasso conhecimento eleitoral nas periferias. Aos 25 anos, ainda não tirou seu título de eleitor, tendo como novidade a maioria das informações apresentadas na cartilha, que apesar de sua objetividade não conseguiu estabelecer aproximação direta com a realidade dos jovens eleitores que ainda desconhecem o exercício da cidadania.

Gustavo Nascimento é um jovem de apenas 17 anos que conseguiu seu primeiro emprego no ano passado, através do programa “Jovem Cidadão”, do governo do Estado de São Paulo.

Todos os dias ele deixa o bairro da Pedreira, na zona sul da cidade de São Paulo, para trabalhar no Morumbi, região nobre da capital. Mesmo sem ter muita proximidade com a política, irá às urnas pela primeira vez este ano.

Ele revela que, até o momento, sua principal referência sobre as eleições 2010 são os programas eleitorais apresentados na televisão e no rádio, e não esconde a indignação. “Fica difícil acreditar nas propostas dos candidatos diante de tanta palhaçada exibida nas campanhas”, declara.

Mesmo decepcionado, Gustavo acredita que sua contribuição pode gerar mudanças para o país e, principalmente, para sua própria comunidade. “Sei o quanto o meu voto é importante e não quero desperdiçar a oportunidade de poder escolher certo”.

Segundo o TRE-SP, foram impressas 5.000 cartilhas distribuídas entre os 423 cartórios eleitorais do estado, o que representa cerca de 11 cartilhas por zona eleitoral. Se fosse distribuído uma cartilha para cada jovem eleitor abaixo de 24 anos seria necessário 5 milhões de cartilhas.

Link da download da Cartilha: http://www.tre-sp.gov.br/eleicoes/2010/arquivos/cartilha_A5_cs4_internet.pdf

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3 respostas para Uma cartilha para votar melhor

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  2. Suevelin Cinti disse:

    Ficou bacana…
    Precisamos fazer isso mais vezes!

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