A nova classe C já sabe em quem votar

por Jefferson Peres

Mural

Ao visitar uma loja das Casas Bahia na Lapa, zona oeste de São Paulo, é possível encontrar uma boa amostra da nova classe C. São pessoas que fazem fila a cada novo lançamento tecnológico, e que, pela primeira vez, têm o gosto de realizar seus sonhos de consumo.

Antônio Coelho Neto, 42, compra seu primeiro aparelho de TV com tecnologia digital. Dono de um pequeno comércio na Vila Santa Catarina, ele diz que “agora pode pensar em um futuro melhor para seu filho, pois o pais está olhando mais para os mais pobres”.

Já Andressa Santana, 32, compra toda a nova mobília da casa. “Os últimos anos foram especialmente melhores para nós. Mesmo morando na periferia – Perus – eu me sinto mais inserida na economia do país. Agora eu me sinto parte do projeto brasileiro”, diz a consultora financeira.

“Não dá para pensar em retomar ao projeto antigo. Lula soube fazer um governo que olha mais para os mais pobres, para aqueles que realmente precisam de maior atenção, isto é governo justo. Não dá para tratar diferentes de maneira semelhante. O bom governo é aquele que olha com maior carinho para aqueles que precisam de ajuda e distribui melhor a riqueza do pais”, comenta Geraldo Muniz, 49, dono de uma rede de padarias na zona oeste da capital.

Segundo ele, o negócio, que nos anos 90 pouco prosperou, cresceu muito com o aumento do poder aquisitivo da população de baixa renda, que agora “compra mais e tem maior segurança na hora de tomar crédito”.

Ascenção da classe C deverá ter peso forte no cenário eleitoral (Foto: Rafael Hupsel/Folhapress)

Esta é a nova realidade de cerca de 11 milhões de famílias que nos últimos anos deixaram a pobreza e agora compõem a chamada nova classe média brasileira. Esta parcela da população – em grande parte seguidora de religiões protestantes e habitante de bairros periféricos – tem renda familiar mensal de R$ 4 mil e nestas eleições só pensa em uma coisa: continuidade.

Para além das investidas marqueteiras do atual governo, a era Lula logrou de certo sucesso em dados econômicos e sociais. Mesmo que parte de seu desempenho tenha bases plantadas na fase FHC – e tucana -, o Brasil de Lula soube aumentar a distribuição de renda e o poder de compra dos cidadãos das classes menos abastadas da pirâmide.

“Todas as pesquisas indicam que o governo Lula conseguiu distribuir renda significativamente. Tanto para os miseráveis, quanto para a nova classe C. O poder de compra dos salários e a empregabilidade formal aumentou.

Na medida em que o crédito se expandiu, as pessoas compram mais e sentem que a vida melhorou, elas confiam um voto neste projeto. É uma espécie de voto de confiança”, pondera Francisco Fonseca, professor de ciências políticas da FGV.

Segundo ele, “é muito difícil para a oposição propor uma mudança em um quadro favorável ao cidadão”. As últimas pesquisas eleitorais indicam uma estabilidade nas intenções de voto, com Dilma Rousseff (PT), abocanhando cerca de 50% das intenções de voto, e o candidato José Serra (PSDB) com uma média de 25%, o que daria, hoje, vitória no primeiro turno para a candidata petista.

Para o professor de ciências políticas da UFMG, Rodrigo Patto Sá Motta, “a nova classe C e os mais pobres estão muito satisfeitos com o momento econômico atual e identificam isto com o governo Lula. Nesta linha, as pesquisas indicam que estes segmentos têm uma preferência forte pela candidata governista”.

Eduardo Garcia, 36, representa o pensamento da periferia ascendente. Filho de operários industriais e há 5 anos empregado de um escritório de advocacia de São Paulo, confessa sua preferência pela candidata petista.

“Este governo me deu a oportunidade de construir certa estabilidade em vinha vida financeira. Consegui ser empregado e meus rendimentos me permitiram comprar uma casa e decorá-la como sempre sonhei. Não tenho porque votar de outra maneira. Sou eleitor da Dilma”, diz ele.

Lúcio Flávio de Almeida, professor do departamento de política da PUC-SP, acredita que “a oposição – representada principalmente por PSDB e DEM – se distanciou das causas populares.

O grande eleitorado identifica o candidato José Serra como representante das elites. O próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é taxado como ícone conservador, o que prejudica muito a campanha oposicionista”.

Segundo ele, mesmo as denúncias de corrupção amplamente divulgadas nas últimas semanas pouco devem alterar o quadro eleitoral, “já que o eleitor olha com descrédito para acusações e denúncias em momentos próximos às eleições”.

Na avaliação da historiadora da USP, Maria Aparecida de Aquino, “as denúncias que surgiram nas últimas semanas, mesmo que sejam graves e mereçam investigação, são de difícil compreensão para a população. O que interessa ao povo é ter suas necessidades básicas atendidas. As pessoas não se identificam com este tipo de corrupção que não lhes afeta diretamente”, conclui.

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2 respostas para A nova classe C já sabe em quem votar

  1. paulo disse:

    Jefferson, muito boa a matéria. PArabéns a vc e ao professor Bruno!!!

    Abs
    PC

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