Racionalidade, onde está você?

por Juliana Torres

Mural

Abriu os olhos e se viu em um monte de caixas de leite. Uma casca de banana sustentava sua cabeça. Mal se lembrava de como tudo aquilo havia parado em sua cama. Levantou-se, caminhou até onde os outros dormiam e percebeu que todos tinham o mesmo problema. Passou a se indagar, aquilo estava certo?

Era naquele lugar que tudo aquilo devia estar? Lembra-se de quando apareceu pela primeira vez na região.

Seus amigos o alertaram de que não eram bem-vindos e de que às vezes poderiam sofrer maus tratos.

Lembou-se também de quando ouvia na frente das padarias e comércios que ele e sua turma eram problemas de saneamento básico e administração pública.

Pulou o segundo saco preto, aberto e cheio de moscas, chamou um amigo e tentou entender o que havia acontecido do dia para a noite.

Recordou ter visto um grande caminhão mal cheiroso passar por aquele lugar na noite anterior e pensou que aquele veículo teria que resolver o problema. Não resolveu.

Depois de longos minutos filosofando sobre aquilo, sua sabedoria canina concluiu: “eu não tenho onde morar, não tenho quem me adote, nasci e sou obrigado a ficar em algum lugar. Mas esse lixo, esse lixo não devia estar aqui, na rua, no meio do bairro onde crianças deveriam brincar.

“Quem será o maior problema de administração pública? O cachorro sem dono que, muito provavelmente, foi colocado na rua por um morador sem consciência cívica, ou aquele monte de lixo jogado deliberadamente por algum órgão da prefeitura?

Sorriu, virou as costas e mais uma vez pensou “onde está toda aquela racionalidade da qual os humanos tanto se gabam?”

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Uma resposta para Racionalidade, onde está você?

  1. Bem…

    A verdade, é que nós, “os animais racionais” temos um grave defeito: o de transferir nossa responsabilidade para os outros, seja lá quem for!

    Claro que a administração pública deve resolver as questões relacionadas aos resíduos urbanos. Mas não podemos usar o fato de que pagamos nossos impostos, como desculpa para deixarmos de cumprir as nossas obrigações de cidadão.

    Está dificil de entender? Eu explico.

    A maioria das pessoas pensa da seguinte forma: “Se o meu quintal estiver limpo, não me importo com o resto”. Como se a simples atitude de fechar seus portões fossem livrá-los da sujeira que fica do lado de fora. Mas se esquecem de que terão que sair para trabalhar, fazer compras, passear, enfim…

    Muitas pessoas jogam lixo, entulho, móveis velhos, entre outras quinquilharias que julgam não servir a mais ninguém em qualquer lugar. E depois, vendo aquela imagem horrorosa, dizem: “É um absurdo, a prefeitura tem que limpar isto aí, mas não faz nada. Ninguém trabalha nesta prefeitura!”

    Moral da história: Dos portões para dentro das nossas casas, não jogamos lixo no chão, não despejamos móveis e “bagulhos” que não usamos mais. Atrapalha, é feio, é sujo, junta bicho. Por que fazemos isso na rua, se também vamos usufruir daquele espaço? O Mundo todo é o nosso quintal. Então, por que não cuidar dele como se fosse o interior da nossa casa? Afinal…é mesmo!

    Belo texto Ju…amei!!!

    http://pueras.blogspot.com

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