Ainda existe quem acredita na política

por Jéssica Moreira

Mural

O ano de 2010 foi marcado pela hashtag #calaboca, utilizado por usuários do Twitter como reação ao mau desempenho da seleção brasileira nos jogos da Copa. Cala boca Galvão, Dunga, Felipe Melo e a seleção inteira.

Passados praticamente três meses é a vez das Eleições-2010 entrarem em destaque no país. E aí, será que o povo também dá um #calaboca na seleção de candidatos que por aí estão vindo?

Tarde ensolarada. Não há sequer um guarda-sol cobrindo suas cabeças. Até a marmita, enrolada em guardanapo, esquenta-se. Esse é o dia-a-dia de Dona Maria da Piedade, Seu Ivanildo e também Júlio César. Todos são trabalhadores ambulantes e atuam em uma das praças de Perus, último bairro da capital paulistana no sentido noroeste.

Dona Maria, mesmo em seu momento de almoço, fez questão de oferecer seu ponto de vista quanto à política. Porém, diz ela que esse ano votará nulo, pois afirma não encontrar opções que lhe agradem. Moradora do bairro há 35 anos, sente dificuldades em lembrar o nome de algum deputado ou qualquer outro político que de fato tenha feito algo pela população.

Julio Cesar, 33, mesmo não sabendo a quem irá direcionar seu voto, mostra-se indignado com a educação no Brasil. Aponta que é um erro crianças que não sabem ler ou escrever passarem de ano. “Para eles [governantes] é bom ter o povo analfabeto”, diz Julio, que pretende votar em alguém que realmente invista na educação do país.

Julio exalta os feitos de Marta Suplicy, atual candidata ao Senado pelo PT, principalmente pela construção dos CEUs (Centro de Educação Unificado) e do bilhete único.

Seu Ivanildo, vindo do nordeste e residente em Perus há 30 anos, é petista fervoroso. Afirma com muita convicção que votará em Dilma Roussef, candidata do PT à presidência, pois segundo ele com certeza ela vai dar continuação, é do PT, é do lado dos trabalhadores.

Faz elogios ao mandato de Erundina, pelas moradias que em seu governo foram construídas e também a Marta Suplicy, por conta do transporte.

Porém, Seu Ivanido não sabia que Marta esse ano é candidata ao Senado. Ao saber, logo atribuiu seu voto a ela.

Por meio desses três relatos, percebe-se que há, pelo povo de Perus, uma grande admiração pelo governo petista de Marta Suplicy. Isso se deve à existência do CEU no bairro, pois essa construção passou a integrar e trazer opções de lazer a toda a população, independentemente da idade ou classe social.

Além disso, o governo do PT na prefeitura ganhou muitos adeptos do Bilhete Único, algo que revolucionou o transporte e a vida do cidadão na cidade de São Paulo.

Por outro lado, os membros do Sindicato dos trabalhadores de Perus (Sindicato dos trabalhadores da Fábrica de Cimento), dizem que o governo petista deixou muito a desejar para os trabalhadores, pois esperavam muito mais apoio aos movimentos já existentes, por ser o PT um partido de bases esquerdistas, comenta Sidnei Fernandes, Presidente do Sindicato que, num certo momento, já foi diretor da CUT ( Central Única dos Trabalhadores).

Silvana Camargo reside em Perus há 38 anos, é ex-militante do PT e atua como secretária do Sindicato dos Trabalhadores. Muito envolvida nos processos políticos, Silvana já tem na ponta da língua os números que irá votar.

Para ela, que em um passado não muito distante esteve mais envolvida à política, o voto obrigatório não é um dever e sim um direito, afirma Silvana dizendo que irá votar em Ivan Valente (PSOL) para deputado federal, pois ele é um candidato que auxilia nos processos que envolvem a previdência social e esteve ligado ao projeto da Ficha Limpa.

A secretária se revolta ao ver as bocas de urna formadas na política. “Hoje em dia a militância é paga. Eu nunca recebi pra militar”, fala indignada, pois, para ela, um partido não pode comprar o voto de ninguém, mas sim ter objetivos para o povo em um todo, principalmente melhorias na educação e na valorização, formação e reciclagem dos professores.

“E se vier o Alckimin, não há diálogo”, coloca Silvana, já mostrando seu descontentamento com o atual governo de São Paulo (PSDB).

Como se pode notar, não é possível generalizar o povo, pois o modo como as pessoas enxergam as eleições e o direito ao voto varia das experiências de vida que cada uma delas teve.

Desse modo, percebe-se que mesmo sendo um bairro esquecido, por ser muito afastado de centro, há sim, no bairro de Perus, grupos que vêem na política uma forma de mudança social.

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