Informar o drama, sem fazer teatro

por Leonardo Brito

Mural

Informar meu drama é necessário, mas sem fazer da minha angustia um teatro e, por favor, me ajudem a cobrar depois.

Cobrir tragédias é informar à população o que está acontecendo. É realmente esse o trabalho do jornalismo.

Mostrar a noticia como um espelho que reflete o que vê em sua frente sem alterar, deturpar ou aumentar o fato, por sensacionalismo ou dinheiro. Infelizmente isso não acontece nos meio de comunicação da mídia televisiva.

A televisão brasileira está longe, mais muito longe mesmo de enxergar a luz no fim do túnel, para a divulgação exata e objetiva de qualquer fato. E quando o assunto é periferia, é aí que as coisas mudam completamente, se distorcem e até condenam e matam inocentes.

Noticiário transforma incidente em mais uma tragédia anônima

Vou lhes dar um exemplo dos milhares que a acontecem diariamente nos noticiários sensacionalistas.

Como se divulga um incêndio que aconteceu por volta das 10:00 horas da manhã do dia 24 de Setembro, na favela do Real Parque às margens da marginal, em frente à ponte estaiada sem divulgar o nome do local, simplesmente com a legenda: “Incêndio em favela na zona sul”.

Foto de Leonardo Brito

Rende uma imagem de TV, mas fará diferença na vida dela?

Será por que os carniceiros querem que as pessoas fiquem grudadas na televisão e prestem atenção no fogo, torcendo para sair uma morte para ficar ainda mais tempo com a matéria no ar?

Povo, preste atenção, é lógico que a televisão é um meio de comunicação muito fácil de entrar em nossa alma passiva e totalmente aberta – como já dizia Górgias, na Grécia antiga – pois as belas imagens e tomadas aéreas, nos fascinam e facilitam a melhor compreensão.

Não desconfiamos, criticamos ou racionalizamos o possível sofrimento daqueles que estão no trabalho e anseiam por notícias mais exatas, na dúvida que esta em chamas talvez seja sua favela.

Entendamos o sensacionalismo, quando não se divulga o nome do local e se ludibria a informação de uma forma para “encher lingüiça” no noticiário popular, saibam que é uma tentativa de nos prender ainda mais ao canal, porque eles ganham por cada minuto da sua atenção.

Neste momento, alguém pode me questionar: mas você também assiste o noticiário?

Sim, assisto, mas caso a informação esteja incompleta e difícil de divulgar, mudo de canal até achar algo mais concreto, caso não funcione, corro para outras fontes mais diretas como a internet e principalmente recorro ao rádio.

Após exibição pormenorizada de tragéida, mídia centra foco em outro tema

Esse sim é direto e reto no assunto, pois não tem o poder das imagens para impressionar e prender o espectador.

Porém o problema maior não está somente em usufruir e polemizar os fatos de forma sensacionalista.

A questão X que fico me perguntando é se o mesmo noticiário ira auxiliar na apuração posterior dos fatos, pois já que ganharam dinheiro com a desgraça alheia, agora pelo menos poderiam ajudar divulgando o que aconteceu com os envolvidos e os resultados do pós- tragédia.

Será que depois os canais sensacionalistas vão divulgar e auxiliar essa população, cobrando através de seu poder o que as autoridades estão fazendo para auxilio desses desabrigados?

Vamos acompanhar e ver quem irá noticiar.

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