Depois do incêndio

por Mayara Penina

Mural

Passaram-se quatro dias desde o incêndio na Favela Real Parque, três noites que as famílias não têm onde dormir. Incêndio criminoso ou não, o fato é que são pelo menos 300 famílias desabrigadas. Alguns jornais dizem ser o maior incêndio do ano.

Incêndio deixou pelo menos 300 famílias desabrigadas

Incêndio deixou pelo menos 300 famílias desabrigadas

“Só deu tempo de pegar os documentos”; “Só fiquei com a roupa do corpo, até a roupa da firma queimou”; “Mandei meus filhos para a escola, pelo menos lá eles não ficam vendo toda essa tristeza”; “É um inferno não ter onde morar”, “Nem tinha terminado de pagar meu fogão”, comentam os moradores.

As roupas, alimentos e colchões vieram grande parte de iniciativas particulares (é quando dá orgulho de ser brasileiro e ver a solidariedade das pessoas). O poder público além de ter chegado horas depois do inicio do incêndio distribuiu o que chamaram de “kit básico”, e não esteve na favela no fim de semana. A casa de cultura indígena Pankararu, uma escola e o Centro Comunitário Ludovico ajudam os desabrigados.

Dona Neusa, coordenadora do Centro Comunitário Ludovico, conta que já receberam bastante donativos. “E agora pra que a criança vai querer brinquedo se não tem onde morar? O que vamos fazer com tanta comida se as mães não têm fogão para cozinhar?

Fala-se em construção de conjuntos habitacionais e de bolsa aluguel desde 2008, mas os moradores já não acreditam nas propostas públicas, pois nunca se anuncia a data que, de fato, os benefícios serão disponibilizados.

Moradores não acreditam em propostas do poder público de compensação por perda de propriedades

Na terça-feira (28), um grupo isolado protagonizou um protesto com queima de pneus atrapalhando o transito na Marginal Pinheiros.

Enquanto isso, a grande imprensa publica: “Manifestações violentas dos moradores do local”; “Moradores recebem a PM com pedradas”; Clima tenso entre polícia e moradores”; “Moradores trocam tiros com a PM”; “100 moradores participam da ação”; “Revoltados, os moradores soltam rojões”. (Sem citar os comentários de brasileiros alienados e preconceituosos). Ninguém diria isso se, no mínimo, tivesse conversado com quem perdeu tudo o que tinha e não queria nem pensar em fogo. Enquanto alguns rebeldes protestavam, quem realmente perdeu a casa estava procurando onde dormir ou que dar para o filho comer.

Criam Câmara Executiva de Prevenção e Combate a Incêndios e gastam milhões com Copa do Mundo enquanto o povo precisa de moradia digna.

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7 respostas para Depois do incêndio

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  2. Karol Coelho disse:

    Muito bom Mayara! Muito bom mesmo!
    Só quem passa por isso e procura ver de perto é que sabe realmente o que está acontecendo.
    E talvez esse incêndio tenha sido provocado.
    E mesmo se não for, se fosse de interesse do governo melhorar a qualidade habitacional dessas pessoas não aconteceria isso. Só ficamos nas promessas.

  3. Diego Casaes disse:

    Olá Mayara!

    Parabéns pelo texto. Muito claro e direto. Bastante jornalístico.

    Acho que com mais trabalhos como o do Mural Brasil a sociedade brasileira vai acabar se dando conta que os jornalões que ditam a vida do brasileiro são equivocados e obtusos.

    Mais uma vez parabéns, e continue com o bom trabalho!

  4. Rafael de Arruda disse:

    Parabéns, Mayara!
    Legal ver que você tá seguindo o caminho que sonhou!

  5. Eu espero que a prefeitura não resolva construír abrigos que são uns cubículos para alojar as famílias como foi feito em Paraisópolis. As condições desses abrigos estavam insalubres no ano passado…

  6. Francyclaudio disse:

    Alô é mesmo a Mayara que conheço?

    Rsrs, parabéns pela forma crítica e real da história. Vejo que você se tornará uma bela jornalista de primeiro.
    Senti na pele deste povo, sei que não foi fácil para você descrever os episódios que aconteceram, mas saiba que quem ler este seu artigo irá entender o fundamento do mesmo.
    Trabalho no Hotel Gran Estanplaza São Paulo na Av. Berrini e assisti todo o acontecimento ao vivo e a cores, ops, cinza e preto.
    Mas saiba que temos um Projeto do NAIA que atende uma grande parte das crianças desta Comunidade e essa semana teremos um dia especial para arrecadar alimentos não perecivéis, roupas e brinquedo para os que necessitam desta ação.
    Recebi também uma empresa de doces parceira nossa que doará saquinhos com docinhos e entregaremos para as crianças no Projeto NAIA.

    Aqui fica meu apoio e quem quiser ajudar entre em contato comigo.

    Twitter: @claudio_eventos

    Abraço

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