O “feijão com arroz” do jornalismo

Pessoal, entre nós há gente que já passou por uma redação, outros que jamais pisaram numa. E alguns que não são e nem pretendem vir a ser jornalistas. São todos bem-vindos ao “Mural”.

Mas, por conta dessa turma eclética, para começar, vamos dar uma pincelada para em alguns princípios básicos do jornalismo. 

É importante saber o essencial, o “feijão com arroz” do ofício.  Veja, a seguir, algumas dicas relativas a preceitos inicais, alguns dos pontos de partida para se fazer um bom trabalho.

Lide – O parágrafo ou frase que introduz um texto jornalístico e, muito provavelmente, a parte essencial deste texto. É uma tradição que vem da escola americana de jornalismo. Americano não é muito chegado a embromação, então adotou um estilo que, ao contrário da escola europeia, resume tudo logo no início. Foi uma escola que surgiu durante a Guerra Civil que assolou o país, entre 1861  e 1865, quando informações básicas tinham que ser passadas por telégrafo.

No lide, o “quê, quando, onde e o porquê” são revelados logo de cara. É essa também a tradição seguida pelo jornalismo brasileiro e a que iremos ver e seguir ao longo deste curso, a não ser em algumas exceções.

O Wikipedia, a enciclopédia livre da internet, nem sempre traz verbetes confiáveis, mas oferece um bastante eficiente sobre o lide, que você pode conferir aqui.

Eis alguns exemplos de lides concisos, que vão direto ao assunto:

Este aqui é do Agora SP, que traz reportagem sobre uma criança que escapou com vida de uma chacina.

Confira este outro texto do jornalista André Caramante, da “Folha de São Paulo”, que trata de um grupo de policiais de São Paulo condenados por integrar uma máfia que explorava caça-níqueis. Ele já apresenta o teor do assunto, de forma bem resumida, no primeiro parágrafo.

Esta outra é da edição online da Folha, que trata da retirada da bem-humorada faixa “Cala Boca Galvão”, exibida em um estádio sul-africano durante a Copa do Mundo.

E este daqui é um exemplo que vai no sentido oposto. É típico da linha europeia de jornalismo, muito influenciada pela literatura e muito chegada a um floreio. Pessoalmente, eu bem que gosto desse estilo, mas acho que não funciona muito bem para o que a gente pretende fazer.

É um texto do jornal britânico The Guardian. Aqui vai um resuminho traduzido dos parágrafos iniciais:

Copa do Mundo 2010: Coreia do Norte capaz de fazer jus às lendas de 1966

Richard Williams, em Pretória

Poucos times despertarão tamanha admiração ao serem derrotados nesta Copa do Mundo do que a Coreia do Norte despertou ao cair por 2 a 1 contra o Brasil na terça-feira, particularmente por parte daqueles que estão dispostos a olhar além das piadas sobre o Grande Líder e reconhecer um time de futebol capaz de fazer justiça às lendas firmadas por Pak Doo-ik e seus companheiros de equipe em 1966.

Em uma noite gélida no Ellis Park, os homens de camisas vermelhas deram aos favoritos de 2010 uma verdadeira partida, cedendo apenas dois gols em vez da avalanche antecipada…

Pauta – Uma descrição resumida da história que o repórter está apresentando à sua editoria. Devem constar informações como no que a história consiste, quem são as pessoas ou pessoa envolvidas, onde as informações deverão ser obtidas, onde se passa o evento que será acompanhado pelo repórter, entre outros dados. Temas os mais diversos podem render uma pauta. Como dizem as jornalistas Cleide Floresta e Ligia Braslaukas no livro “Técnicas de Reportagem e Entrevista”:

“A notícia está em toda parte. Da história de um morador de rua ao perfil de um grande executivo. Se o repórter procurar, encontrará casos interessantes que podem virar pauta. No entanto, ele precisará estar de acordo com a linha editorial do veículo e da editoria”

Um exemplo simples de pauta está contido no livro das duas autoras:

Exemplo de pauta

19 de setembro de 2008

Sequestro em Santo André, ABC paulista

O repórter terá de acompanhar a reconstituição do crime, que será marcada para as 10h. No local, estarão peritos da polícia e a estudante Nayara, que diz que Lindemberg só atirou após os disparos dos policiais. Precisamos encontrar um local bem próximo de onde será a reconstituição. Um repórter tentará acompanhar tudo de um prédio em frente. Enquanto isso, outro repórter estará embaixo para observar a ação da polícia. Tentaremos entrevistar o delegado e a estudante após a reconstituição. Estaremos no local com fotógrafos.

 

Elementos importantes para criar uma boa pauta:

– Ser bom observador

– Ser criativo

– Encontrar algo novo, que ainda não foi tema de outros sites, jornais, rádios ou TVs

– Buscar um “gancho”, algo que aproxime a pauta do leitor, do dia a dia dele ou dela:pode ser uma efeméride, um evento ou uma grande notícia.

– Encontrar estatísticas, pesquisas ou estudos que justifiquem a sua tese. Dizer “cada vez mais pessoas…” ou “diminuiu bastante o número de crianças matriculadas…” não vale. O trabalho de especialistas pode ser uma forma de endossar a sua ideia.

Algumas dicas boas da jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, editora de Treinamento da Folha de São Paulo, para se alcançar uma boa pauta, extraídas do livro “Jornalismo Diário”:

– Descobrir o que é notícia

– Hierarquizar a informação

– Prever etapas de apuração

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