O bairro é seu e a instituição também

São várias as instituições públicas que atuam em seu bairro, mas será que você conhece todas elas e sabe quais são as suas atribuições?

Confira esta planilha aqui e preencha quais são as atribuições da instituição apontada ao lado seu nome, o nome de seus principais dirigentes e os contatos de sua assessoria de imprensa (telefone e/ou email).

Em seguida, formule uma pauta que envolva essa instituição e a atuação dela (ou a falta de atuação dela) em seu bairro.

Objetivo> o que a pauta quer mostrar?

Fontes> Sugestão de encaminhamento (roteiro)> quem entrevistar, quantos depoimentos, etc.

Tipo de veículo> internet/blog, jornal impresso, revista, vídeo

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As eleições e seu bairro

Estamos há poucos dias da eleição na qual iremos eleger um novo presidente.

Mas, em meio à avalanche de escândalos e trocas de acusações, pouco se sabe a cerca das propostas dos candidatos e pouco ou nada se noticia sobre seus projetos de governo.

Como as eleições estão afetando a sua comunidade, o seu bairro, a região em que você vive?

Quais as expectativas de seus vizinhos e conhecidos da região em que você vive em relação ao que se passará após o dia 31 de outubro?

Quais os principais temas em jogo para os moradores de sua área?

Assuntos considerados prioritários pelas pessoas que vivem na sua região estão sendo contemplados pelos candidatos?

O espaço abaixo é seu para discutir estes e outros temas  ligados à eleição.

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O Amor Venceu a Guerra – Uma Reportagem

A letra da canção “O Amor Venceu a Guerra”, do rapper Gog e seu parceiro Altino, relata a trajetória de um traficante. É um relato poético, mas que traz inúmeros elementos que poderiam constar de um texto jornalístico.

É isso que eu peço que você faça, no espaço abaixo do vídeo e da letra. Crie um nome para o personagem central do rap e conte sua história e das pessoas com quem ele conviveu, transformando-a em um texto jornalístico de não mais que 1500 caracteres.

Não deixe de dar um título.

E, aproveitando o embalo, faça um resumo da história que escreveu em um post de Twitter com não mais que 140 caracteres.

Quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas
feitas pelo coração!

É bem mais fácil falar da dor, é bem mais fácil que
falar do amor,
da mais ibope chama atenção dos parceiros do mundão né
não?

Meu vizinho vacilou se entregou não tive pena na
sequência dependência choro,
algema seu refúgio o canto do banheiro na porta
gritaria mãe se viu? seis bomberos.
Nessa hora realmente o que se faz mais ausente,
nessa hora o melhor,se livrar do presente, e
mirar no futuro pra se sentir mais seguro procurar uma
luz que clareia este escuro
na saída de casa começa o desafio,
olhares que condenam inquisitores no cio,
eu de cá do meu sobrado ganhando a cena,
amizade é amizade, esquema é esquema,

tava aqui em casa, ele quem pediu quem quis,
não fui oferecer ele colou com o nariz
agora vou dizer, não tenho o mínimo remorso
se ele fosse cabeça podia até ser sócio

veja só o que eu consegui com meu trabalho
casa, jóias conta corrente carros
nacionais importados
todos caros altos sapatos casacos raros
o que cansa é o entra e sai constante
cliente que conversa estressa bastante futrica
pergunta
o que não deve não aguarda ali mesmo se serve
me apresento sou comerciante
membro da comunidade atuante, homem que amarra
dinheiro com barbante sem receio odeio o nome
traficante

pega mal, parece mercado informal, me esforço pra ser
um bom profissional,
fornecedores compradores com horario na agenda
amizade é amizade esquema é esquema
consegui fugir da fome sair da miseria sem precisar
usar um caderno 10 materias
e você com esse olhar estranho
pergunto o que que eu ganho o que que eu ganho?

Prestigio muita fama sobre a cama mulher dama
muitos trutas muita grana sai do pó sai da lama
nunca perde sempre ganha sempre bate nunca apanha
ninguém chama pro combate ameaça te estranha
seu nome corre trecho na quebrada só respeito até seus
erros são acertos
mando falo tá feito

é pouco pra você ??/
para porque quer me convencer?? o que que c tem pra oferecer??
sou fruto aqui dessa terra
o amor versus a guerra!

“o amor, o amor versus a guerra …
o amor versus a guerra”
“o amor, o amor versus a guerra…
o amor versus a guerra”

é bem mais fácil guardar rancor,
é bem mais fácil que dizer que perdoou,
da mais ibope, chama atenção,
mais faz mal pro coração né não?

nesses dias numa festa na favela aqui em cima,
uma dona me olhou com ódio tipo quem intima,
a muleca era linda durmi e acordei com aquele
olhar…
bem cedinho subi o morro fui me informar,
uma convidada mora ali ao lado vamo lá.
chegando lá aquele mesmo olhar,
me apresentei num disse uma palavra, sabe quando parece
que você não agrada?
mas que nada a noite tem balada!
várias baladas todas,
virando a madrugada!, tem pra fumar, pra cheirar nunca
falta,
tem quente, tem gelada,
segurança muita arma,
mas aquela mulher, não me saia da cabeça.
vou la na casa dela aconteça o que aconteça!

bati palmas ela saiu…
na sequencia, só acredita quem viu!
me tratou mal me chamou de dito cujo,
disse que não se renderia ao meu dinheiro sujo.

que não estava em seus planos,
um homem que não viveria até os 30 anos,
sem pausa despejou toda sua ira!,
perguntou se algo como eu respira,
fúria no olhar desprezo palavras cortantes o pior
adiante,
me chamou de traficante!

sai arrasado quase bati o carro bebida bebida,
cigarro
cigarro!.
eu, apaixonado por uma moradora da favela??? (não)
alem de petulante, vendedora de panela(que isso!)
a gente constroi os castelos de areia e descobre os
erros no frio
da cadeia,
até acreditava que fosse sujar eu cair, mais calculava
tem
acerto e eu pago pra sair!
agora aqui lençol fino chão gelado.
sem dentes com o rosto deformado,
todo dolorido por fora e por dentro aqui tortura tem o
nome de
depoimento,
adivinha quem me visita no fim de semana quem eu amo
se ter levado
pra cama, quem?
domingo passado realizou meu desejo, nosso primeiro
beijo!

Paguei o que devia pra justiça do homem,
pro verdadeiro juiz meu pecado foi outro,
uma geração de dependentes foram meus clientes
presos, mortos agonia pros parentes

lembrei na hora do meu antigo vizinho
sem contato 11 anos fora mas sei o caminho
Trêmulo bati palmas(Dona Felicidade!)
entrei tomei café me emocionei com a humildade
morei anos aqui e nunca notei isso
vegetei anos aqui eu era um morto vivo
demorei mais perguntei pelo Fábio! Internado
numa casa de recuperação de drogados
só não desmoronei porque já estava preparado
diferente agora me sinto culpado
a semana toda passei agoniado
lá estava eu madrugada de sábado
o encontrei no jardim aguando as plantas
ali mesmo tivemos uma conversa franca
ali mesmo ensopei minha camisa branca
me senti aliviado tirei um nó da garganta

a violencia que uma atitude impensada gera
não sou mais elo entre a ganância e a capela

ah! o Fabio? É gerente hoje na fabrica de panelas
também é padrinho da minha filha mais nova Gabriela

Escapei estou aqui e só pra concluir
relatos como o meu são milhares aí
faço parte de uma história que nunca se encerra
e até aqui, o amor venceu a guerra!

“o amor, o amor venceu a guerra
o amor venceu a guerra
venceu venceu”

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Favelas boas de voto

Nos últimos meses, os candidatos à Presidência e ao governo do Estado de São Paulo bateram ponto nas duas maiores favelas paulistanas, Heliópolis e Paraisópolis.

E ambas servem de cenário constantemente tanto ao programa político do candidato do candidato do PSDB à presidência, José Serra…

…como de sua rival, a candidata à presidência pelo PT, Dilma Rousseff:

Agora, leia este texto, de autoria do repórter Fabio Victor, sobre a peregrinação dos candidatos às duas localidades.

politicópolis
Sábado, 02/10/2010
Autor: FABIO VICTOR
Origem do texto: DE SÃO PAULO
Editoria: CADERNO ESPECIAL    Página: Especial-15
Edição: São Paulo    Oct 2, 2010

Com cerca de 200 mil habitantes e várias obras de urbanização, Heliópolis e Paraisópolis, as maiores favelas-bairro de SP, fazem campanhas frenéticas e são alvo de disputa entre os candidatos
FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO

A campanha pegou fogo em Heliópolis e Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. E, aconteça ou não segundo turno nas eleições, ambos continuarão despertando interesse elevado dos políticos.
Bairros ainda com alto índice de favelização ou favelas em vias de virar bairro, foram disputados pelos dois principais candidatos à Presidência justamente por experimentarem processos intensos de urbanização.
Dilma Rousseff e José Serra bateram boca e reivindicaram para si no horário eleitoral a paternidade das obras de infraestrutura nas duas comunidades, ou seja, ela para o governo federal e ele, para o estadual _o mesmo que fez o também tucano Geraldo Alckmin, candidato ao governo paulista.

O que move a disputa é o voto de uma população estimada em cerca de 200 mil habitantes, pelo menos metade deles eleitores. O material de campanha inunda as ruas, repletas de cabos eleitorais.

Oficialmente, pelos dados da Secretaria Municipal de Educação, Heliópolis tem 70 mil habitantes, e Paraisópolis, 60 mil. Mas entidades dos bairros estimam que o primeiro já ultrapassou 100 mil pessoas, e o segundo está próximo disso. O último Censo disponível é defasado, de 2000: contou 46 mil naquele e e 24,5 mil neste.

Entre as obras mais vistosas, em Paraisópolis foi inaugurado em agosto um conjunto habitacional e há projetos de arquitetos estrangeiros para construção de novos equipamentos culturais e sociais.

Em Heliópolis já funciona um exemplar centro de convivência com escolas, creches e centro cultural, foram canalizados córregos e está sendo erguido um conjunto habitacional projetado por Ruy Ohtake.

Alheios ao fato de que nos dois lugares as obras em questão têm verbas federais, estaduais e municipais, Dilma, Serra _e também o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM)_ foram a público brandir cifras dos milhões que cada um investiu.

Se a queda de braço pela paternidade das obras nas duas maiores favelas-bairro da cidade foi acirrada, nas ruas é evidente uma presença maior de candidatos e cabos eleitorais do PT.

ENGAJAMENTO

Uma das explicações é o envolvimento de líderes comunitários na campanha de Dilma e de Aloizio Mercadante. Nos dois bairros, as principais associações de moradores afirmam não apoiar ninguém institucionalmente.

Mas os diretores de ambas estão diretamente envolvidos nas campanhas de candidatos da aliança petista.

Em Heliópolis, isso é reforçado pela ligação histórica da Unas (União de Núcleos Associação e Sociedades dos Moradores) com o PT.

A presidente, Antônia Cleide Alves, é filiada ao partido. “Essa equipe [da Unas] vem desde os anos 80, e eles [PT] e a Igreja sempre nos apoiaram na luta”, relata.

“Não somos reféns de nenhum partido, mas como cidadãos temos posições. Quando grileiros ameaçavam os moradores nos anos 70, Lula já vinha aqui como sindicalista”, completa o diretor da Unas Nazareno Antônio da Silva, o Buiú, que fazia na quarta-feira campanha para os petistas Ricardo Berzoini (deputado federal) e Carlos Grana (estadual).

Lula já morou na região. Dilma foi à Unas e gravou um programa de TV no bairro.
“É duro trabalhar aqui, porque só tem Dilma e PT. Aguento cara feia o tempo todo, mas preciso ganhar meu dinheirinho”, disse Cláudio Carlos de Freitas, 19, um raro cabo eleitoral tucano encontrado pela reportagem nas ruas de Heliópolis. Ele contou receber R$ 600 mensais pelo serviço.

Diretor da escola municipal Campos Salles, o petista Braz Rodrigues Nogueira diz que Heliópolis já foi um reduto mais fechado do partido. Como exemplo, cobre de elogios o secretário municipal de Educação, o tucano Alexandre Schneider, e diz que o centro de convivência do qual a escola faz parte é emblemático da união das três esferas de poder.

Em Paraisópolis, o presidente da União de Moradores, Gilson Rodrigues, faz campanha para Lindolfo dos Santos, sindicalista egresso do MR8 (ala do PMDB) que concorre a deputado federal pelo PDT. Rodrigues conta que todos os candidatos foram convidados a visitar a entidade, mas só Dilma o fez.

PRIMEIRA LAVADORA

A declaração de voto em Dilma predomina entre os moradores das duas favelas.
Passava pouco do meio-dia da última terça quando um caminhão das Casas Bahia descarregou uma lavadora de roupas e um armário de cozinha no bloco C do novo conjunto de Paraisópolis.

A compra fora feita pela auxiliar de serviços gerais Selma Aureliano da Silva, 37. É sua primeira máquina de lavar. “Lula foi um bom presidente, melhorou salário e moradia. Dilma vai continuar.” Alagoana, Selma simboliza outra razão para a aparente “onda vermelha” no lugar: a maioria dos moradores é de origem nordestina, como em Heliópolis.

FAVELA OU BAIRRO?

Mas, afinal, para os seus moradores, Heliópolis e Paraisópolis são favelas ou bairros?
“Não podemos ter preconceito de dizer que moramos em favela. Aqui tem gente que ainda diz que mora em Sacomã, com vergonha de dizer Heliópolis”, conta o líder comunitário Buiú.

A ironia maior é que a página da Unas _a entidade da qual ele faz parte_ na internet informa que sua sede fica em… Sacomã.
Buiú disse que falaria com a turma para reparar o lapso.

Agora confira este outro trecho, extraído de uma reportagem de Catia Seabra, na Folha de São Paulo, que mostra bem como as duas regiões se tornaram palco da disputa:

Num discurso feito na Associação de Nordestinos de São Paulo, Serra acusou Dilma de “propaganda enganosa” na TV. Citando cenas gravadas pela adversária na favela de Heliópolis, em São Paulo, o tucano afirmou que a petista tenta faturar a urbanização nas favelas de Paraisópolis e Heliópolis.
Segundo Serra, o investimento federal nas obras _a cargo da prefeitura e do Estado_ é “insignificante”.
Após listar benefícios nas duas favelas, Serra alfinetou. “Sabe quem está querendo faturar isso? É a candidata federal, a Dilma. Outro dia ela foi entrevistar alguém lá em Heliópolis. Era, evidentemente, alguém ensaiado, porque começou a falar de planejamento estratégico da vida. Não fizeram nada lá.”
Dessa vez, Serra não poupou nem o presidente Lula.
“O governo federal anunciou que o Lula vai a Paraisópolis inaugurar. Inaugurar o quê? Lá, tem um conjunto habitacional que foi feito pelo município. Tem um dinheiro federal lá, de 20% a 30%. Vai lá inaugurar. Depois vai para a televisão e não dá ideia de quem está fazendo aquilo”, reclamou.

Confira, mais este trecho, extraído de um texto de reportagem de Breno Costa, Bernardo Mello Franco e Ranier Bragon, publicada no dia 5 de agosto de 2010.

As duas primeiras agendas de Serra mostram a guinada. Na segunda-feira, fez corpo a corpo na Liberdade, bairro oriental na capital paulista, sempre movimentado. Na terça, foi a Heliópolis, maior favela paulistana, onde foi orientado por uma equipe da Globo a cumprimentar eleitores numa viela.
A TV Globo nega que oriente seus repórteres a fazer sugestões para os candidatos nas ruas.
Segundo a emissora, não houve qualquer orientação a Serra: a equipe de reportagem “apenas pediu a colaboração dos colegas para que o nosso cinegrafista pudesse registrar o evento, coisa que não tinha conseguido até ali, dado o tumulto”.

Nota da “Folha”, do dia 15 de setembro de 2010:

BOLA DIVIDIDA
Obras de urbanização da favela de Paraisópolis (SP) voltaram a ser usadas por Dilma Rousseff na TV. Petistas e tucanos travam um cabo de guerra pela paternidade do projeto.

1) Você assistiu aos dois vídeos e leu os textos. Agora, use o espaço a seguir para redigir um texto – de no máximo 1500 caracteres – sobre os temas a seguir e outros que ocorram a você:

- Se está claro que as visitas dos dois candidatos a regiões mais pobres, como Heliópolis e Paraisópolis, têm óbvias motivações eleitoreiras, por que é que os candidatos ainda acham que é importante fazer tais visitas?

- Essas incursões rendem votos ou fazem com que eleitores indecisos ou que tenham preferência por outra candidatura mudem de ideia?

- Existe alguma interação real entre potenciais eleitores e candidatos nestas visitas?

- Tais incursões são defintivamente úteis para os candidatos. E para os eleitores, têm alguma finalidade?

- Existe alguma interação real entre potenciais eleitores e candidatos nestas visitas?

- Tais incursões são defintivamente úteis para os candidatos. E para os eleitores, têm alguma finalidade?

2) Vamos fazer um exercício de imaginação. Supondo que você esteja acompanhando as diferentes visitas dos dois candidatos presidenciais ao seu bairro; Que roteiro você imagina que a assessoria dele e/ou dela faria? Que locais ele ou ela escolheriam para visitar? E que locais procurariam evitar? E, importante, quais as perguntas que você faria para cada um dos candidatos.

Use também o espaço a seguir para criar um texto no qual você descreve como foi a cobertura imaginária dessa visita, os locais percorridos pelo(a) (a) candidato(a), os eleitores com os quais ele(a) conversou e a pergunta que você formulou a ele e/ou ela.

Limite, por favor, a resposta a não mais que 1500 caracteres.

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O “feijão com arroz” do jornalismo

Pessoal, entre nós há gente que já passou por uma redação, outros que jamais pisaram numa. E alguns que não são e nem pretendem vir a ser jornalistas. São todos bem-vindos ao “Mural”.

Mas, por conta dessa turma eclética, para começar, vamos dar uma pincelada para em alguns princípios básicos do jornalismo. 

É importante saber o essencial, o “feijão com arroz” do ofício.  Veja, a seguir, algumas dicas relativas a preceitos inicais, alguns dos pontos de partida para se fazer um bom trabalho.

Lide - O parágrafo ou frase que introduz um texto jornalístico e, muito provavelmente, a parte essencial deste texto. É uma tradição que vem da escola americana de jornalismo. Americano não é muito chegado a embromação, então adotou um estilo que, ao contrário da escola europeia, resume tudo logo no início. Foi uma escola que surgiu durante a Guerra Civil que assolou o país, entre 1861  e 1865, quando informações básicas tinham que ser passadas por telégrafo.

No lide, o “quê, quando, onde e o porquê” são revelados logo de cara. É essa também a tradição seguida pelo jornalismo brasileiro e a que iremos ver e seguir ao longo deste curso, a não ser em algumas exceções.

O Wikipedia, a enciclopédia livre da internet, nem sempre traz verbetes confiáveis, mas oferece um bastante eficiente sobre o lide, que você pode conferir aqui.

Eis alguns exemplos de lides concisos, que vão direto ao assunto:

Este aqui é do Agora SP, que traz reportagem sobre uma criança que escapou com vida de uma chacina.

Confira este outro texto do jornalista André Caramante, da “Folha de São Paulo”, que trata de um grupo de policiais de São Paulo condenados por integrar uma máfia que explorava caça-níqueis. Ele já apresenta o teor do assunto, de forma bem resumida, no primeiro parágrafo.

Esta outra é da edição online da Folha, que trata da retirada da bem-humorada faixa “Cala Boca Galvão”, exibida em um estádio sul-africano durante a Copa do Mundo.

E este daqui é um exemplo que vai no sentido oposto. É típico da linha europeia de jornalismo, muito influenciada pela literatura e muito chegada a um floreio. Pessoalmente, eu bem que gosto desse estilo, mas acho que não funciona muito bem para o que a gente pretende fazer.

É um texto do jornal britânico The Guardian. Aqui vai um resuminho traduzido dos parágrafos iniciais:

Copa do Mundo 2010: Coreia do Norte capaz de fazer jus às lendas de 1966

Richard Williams, em Pretória

Poucos times despertarão tamanha admiração ao serem derrotados nesta Copa do Mundo do que a Coreia do Norte despertou ao cair por 2 a 1 contra o Brasil na terça-feira, particularmente por parte daqueles que estão dispostos a olhar além das piadas sobre o Grande Líder e reconhecer um time de futebol capaz de fazer justiça às lendas firmadas por Pak Doo-ik e seus companheiros de equipe em 1966.

Em uma noite gélida no Ellis Park, os homens de camisas vermelhas deram aos favoritos de 2010 uma verdadeira partida, cedendo apenas dois gols em vez da avalanche antecipada…

Pauta – Uma descrição resumida da história que o repórter está apresentando à sua editoria. Devem constar informações como no que a história consiste, quem são as pessoas ou pessoa envolvidas, onde as informações deverão ser obtidas, onde se passa o evento que será acompanhado pelo repórter, entre outros dados. Temas os mais diversos podem render uma pauta. Como dizem as jornalistas Cleide Floresta e Ligia Braslaukas no livro “Técnicas de Reportagem e Entrevista”:

“A notícia está em toda parte. Da história de um morador de rua ao perfil de um grande executivo. Se o repórter procurar, encontrará casos interessantes que podem virar pauta. No entanto, ele precisará estar de acordo com a linha editorial do veículo e da editoria”

Um exemplo simples de pauta está contido no livro das duas autoras:

Exemplo de pauta

19 de setembro de 2008

Sequestro em Santo André, ABC paulista

O repórter terá de acompanhar a reconstituição do crime, que será marcada para as 10h. No local, estarão peritos da polícia e a estudante Nayara, que diz que Lindemberg só atirou após os disparos dos policiais. Precisamos encontrar um local bem próximo de onde será a reconstituição. Um repórter tentará acompanhar tudo de um prédio em frente. Enquanto isso, outro repórter estará embaixo para observar a ação da polícia. Tentaremos entrevistar o delegado e a estudante após a reconstituição. Estaremos no local com fotógrafos.

 

Elementos importantes para criar uma boa pauta:

- Ser bom observador

- Ser criativo

- Encontrar algo novo, que ainda não foi tema de outros sites, jornais, rádios ou TVs

- Buscar um “gancho”, algo que aproxime a pauta do leitor, do dia a dia dele ou dela:pode ser uma efeméride, um evento ou uma grande notícia.

- Encontrar estatísticas, pesquisas ou estudos que justifiquem a sua tese. Dizer “cada vez mais pessoas…” ou “diminuiu bastante o número de crianças matriculadas…” não vale. O trabalho de especialistas pode ser uma forma de endossar a sua ideia.

Algumas dicas boas da jornalista Ana Estela de Sousa Pinto, editora de Treinamento da Folha de São Paulo, para se alcançar uma boa pauta, extraídas do livro “Jornalismo Diário”:

Descobrir o que é notícia

Hierarquizar a informação

Prever etapas de apuração

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‘Cenário pós-guerra’, Jardim Romano teme novas chuvas

por Vander Ramos, Leonardo Brito e Valéria Vieira
Mural

 Os índices pluviométricos devem aumentar no período de outubro a abril de 2011, segundo informações da Prefeitura de São Paulo. É o período das chuvas, que no ano passado pegou a Prefeitura e os moradores da região do Jardim Romano despreparados.

A região é um dos 17 bairros do conhecido Jardim Pantanal. A reportagem do Mural esteve no bairro no último sábado (09/10) e sentiu que o clima é muito parecido com uma zona de “pós-guerra”.

Partes do Jardim Romano parecem um cenário de pós-guerra

Destruição e construção se confudem no cenário cinzento e do futuro incerto estampado nos rostos dos moradores que ali permanecem.

A maioria das ruas está com o asfalto quebrado e muitos buracos provocados pelos pesados caminhões que levam terra e trazem pedras para as margens do rio Tietê.

É o caso da avenida Tomás Lopes de Camargo, onde se localiza a Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Segundo moradores, o trânsito de caminhões e máquinas acontece durante o dia e à noite.

“Eles trabalham durante toda a noite e fazem muito barulho…”, diz uma moradora que aprova os trabalhos que vem sendo feito na região apesar do incômodo.

O vai e vem dos caminhões e máquinas é devido a construção de um dique de 1.700 metros lineares que servirá de retenção das águas do rio Tietê.

Além do dique, um piscinão foi construído ao lado do CEU Três Pontes com a finalidade de amarzenar a água da região, após bombas jogarão a água no rio Tietê.

Temendo novas chuvas, moradores construíram barreiras de cimento

No final de setembro o prefeito Gilberto Kassab afirmou que as obras devem ficar prontas até novembro deste ano.

Os moradores estão receosos em saber se as obras de contenção do rio Tietê irá evitar os alagamentos da região.

Alguns não acreditam na proposta do governo e já construíram, por conta própria, comportas com todo tipo de material, terra, cimento, ferro, latão, pneus e tijolos em frente de seus lares.

No condomínio “Terras Paulistas”, construído pela Caixa Econômica Federal (CEF), o cenário é de baixa estima dos moradores.

Muitos andam de cabeça baixa procurando uma maneira de dar um futuro melhor aos seus filhos.

O sonho dos moradores dos apartamentos térreos foi atingido pelo alagamento. Em algumas unidades a água atingiu o nivel das janelas e até o momento as marcas da lama não foram retiradas.

“Uma lembrança que ninguém consegue esquecer…” diz a moradora Ana. A CEF desalojou os moradores destas unidades, colocando-os em apartamentos vagos de outros pisos. Passados seis meses os moradores dos apartamentos voltaram a seus antigos lares no piso térreo.

Alguns, descrentes da funcionalidade do dique e do piscinão criados pelo governo estadual, construíram comportas de cimento na entrada dos apartamentos.

O condomínio ainda busca a recuperação do sistema de interfones, dos portões, das unidades térreas e da área comum do empreendimento.

Segundo nota da administradora do empreendimento, o prazo de recuperação dos interfones é de 30 dias. Mas os trabalhos de conclusão das obras que afetam os apartamentos térreos e as áreas comuns podem chegar a quatro meses.

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Twitter e algumas ofensas

Por Leandro Machado

Mural

Nos últimos dias, o aborto virou tema nas redes sociais, chegando aos Trending
Topics (assuntos mais comentados) do Twitter.

Dentro do limite dos 140 caracteres, muita gente falou sobre o polêmico tema. Talvez por ingenuidade, acreditei que essas redes sociais fossem uma boa plataforma para discussões como essa.

Lamentavelmente, não se pode tentar discutir algo sem ser xingado e virar alvo de preconceitos e ódio.

Nessa terça-feira, tuitei a seguinte pergunta: “Por que os candidatos não discutem o aborto como questão de saúde pública?”.

Não questionei em nenhum momento se fazer aborto é correto ou não. Apenas questionei a forma como o tema está sendo levantado nas eleições.

Felizmente (ou não), minha frase foi retuitada por outras pessoas. Em minutos,
começou a revolta. Algumas pessoas abandonaram o discurso da liberdade de expressão
e partiram para o ataque: fui chamado de assassino, matador de criancinhas e adorador do
demônio.

Em seguida, um rapaz, que deve ser algum tipo de vidente, pois nunca me
viu na vida, afirmou que sou “um subnutrido da “classe E”, que recebo dinheiro do governo, moro em um barraco e que, se eu precisar, ele me empresta um cobertor para dormir’.

O engraçado é que, minutos depois de te xingarem, alguns ofensores apagam os posts
de sua página. Imagino que isso aconteça porque eles temem algum tipo de ação judicial.

Não é a primeira vez que recebo xingamentos desse tipo, no Twitter. E não sou o único,
é claro. Muita gente vem sofrendo ataques porque declara apoio a um candidato. A eleição na internet está nesse nível, ou seja, pouco se discute sobre os projetos dos candidatos.

Há uma clara incitação do ódio e do preconceito contra aqueles que divergem de você. Ter uma opinião significa ganhar vários adversários. Não digo que apenas militantes do candidato “A” fazem isso, pois os dois lados atacam nesses termos. A paixão e o ódio estão à flor da pele, o bicho está pegando nas redes sociais!

Esse aqui um que se esqueceu ou que não quis apagar seus posts:

@marcelo_abdalla : vc tb durma bem em seu barraco sala/cozinha/banheiro e se
precisar de cobertor eu lhe dou um!!! tenho sobrando aqui

@marcelo_abdalla: qualquer coisa eu faço algumas doações p/ sua casa se
estiver necessitado!

@marcelo_abdalla: o ditado “quem cala.. nem vou terminar…vc não merece!
esquerda…viva nesse mundinho de todos somos iguais

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